quinta-feira, 31 de dezembro de 2009


Shalom!
Você já ouviu falar no “Schindler” brasileiro?
O historiador Fabio Koifman vai nos contar sobre este “Justo entre as Nações”!


PIT - Olá Fabio, bem vindo ao Papo Comunidade!
FK - Obrigado. É um prazer participar.

PIT - Quando você decidiu ser historiador?
FK - Eu estudei direito e história, mas sempre tive mais afinidade com História. Trabalhei em outros setores até decidir-me por seguir carreira acadêmica em História.

PIT - Você escreveu o livro “Quixote das Trevas”, que conta a historia do “Schindler brasileiro”. O que te levou a escrever este livro?
FK - O livro é a minha dissertação de mestrado em História. A pesquisa iniciou-se em 1997 e foi concluída em 2000. Escrever o livro tornou-se uma necessidade depois que realizei extensa e profunda pesquisa. Um dos objetivos principais em publicar o livro foi o de conseguir o reconhecimento do Embaixador como “Um dos Justos entre as Nações” junto ao Museu do Holocausto em Jerusalém. Objetivo esse no qual obtive sucesso, a partir de remessa de expressiva quantidade de documentos e depoimentos, realizada logo após a publicação do livro. Este tema me foi sugerido pela antropóloga Kátia Lerner, que, em decorrência do depoimento do Sr. Raphael Zimetbaum, para a fundação “Shoah” (A fundação “Shoah” é uma entidade que foi criada pelo cineasta americano Steven Spielberg com sede nos EUA. No final da década de 1990 a fundação recolheu em diversos países os depoimentos de milhares de judeus sobreviventes do Holocausto), tomou conhecimento da importância histórica do papel de Souza Dantas. Portador de um dos inúmeros vistos concedidos pelo Embaixador, o Sr. Zimetbaum dizia-se impressionado com a falta de qualquer memória ou registro relativo aos atos humanitários do diplomata, a quem tinha por responsável direto pela salvação das vidas das pessoas de sua família.


PIT - O que mais te surpreendeu na historia do Souza Dantas?
FK - O que mais me surpreendeu foi o fato de como um personagem tão significativo historicamente – por vários fatores, em especial (mas não único) sua postura humanitária durante a ocupação nazista – tenha sido relevado ao completo esquecimento.


PIT - Por que ele é um desconhecido no Brasil?
FK - Não diria que Luiz Martins de Souza Dantas seja hoje completamente desconhecido no Brasil. A partir da divulgação de minha pesquisa na mídia (a partir de 1998) e, especialmente da publicação do meu livro em 2002, o Embaixador passou a ser um pouco mais conhecido, tendo inclusive algumas vezes “aparecido” em discursos do Presidente Lula, uma vez em Paris e outra no Itamaraty, entre outras situações expressivas. Ainda assim, o embaixador aguarda certamente um destaque maior para o seu nome. As razões são apontadas no livro. Possivelmente a mais expressiva delas tem relação com o fato de Souza Dantas ter se tornado lembrança “desagradável” para aqueles que cultuam a memória de um importante personagem da História brasileira, Getúlio Vargas. Seja pelo contraste de postura em relação ao drama dos refugiados, seja por remeter a atos, posturas e um governo – ditatorial – que os que cuidadosamente zelam pela memória de Vargas preferem não lembrar.


PIT - Como se deu a pesquisa para o livro e o que você achou de mais relevante ou surpreendente que possa nos contar?
FK - Essa pergunta pode ser respondida pela leitura das 475 páginas do livro. O que é mais surpreendente, justamente, é que depois de tudo que fez e viveu Souza Dantas ele siga pouco conhecido no Brasil.

PIT - O livro vai ser a base para o documentário “Bom para o Brasil”, ainda em pré-produção. Como surgiu a ideia deste filme?
FK - Justamente pelo fato das situações e ações do Embaixador serem bastante expressivas e impressionantes, a ideia de realizar um filme a esse respeito sempre é cogitada por aqueles que lêem o livro e se aprofundam na História. Certas passagens da vida de Souza Dantas parecem ficção de tão impressionantes. Em alguns casos – como, por exemplo, a invasão da embaixada do Brasil em Vichy pelos nazistas e a tentativa de resistência de Souza Dantas – eu recorri a diversas fontes para confirmar os fatos, uma vez que a primeira leitura a respeito me pareceu ficcional ou exagero da imprensa. Mas todas as versões para o fato deram conta dos mesmos detalhes, uma cena típica de um filme, mas que ocorreu de verdade. A parceria com Luiz Fernando Goulart será a materialização desse objetivo, que visa ampliar no Brasil e fora dele a divulgação do nome desse herói brasileiro.


PIT - Qual a sua expectativa com este documentário?
FK - A melhor possível. Conforme disse acima, que o filme contribua para divulgar e difundir os atos de Luiz Martins de Souza Dantas. Que cada vez mais o nome dele seja associado, exemplo e referência de ajuda humanitária.


PIT - Qual seu próximo projeto?
FK - Publicar a minha tese de doutorado. Trata justamente do outro lado dessa história. “Porteiros do Brasil”, o sistema que existiu para selecionar imigrantes e controlar a entrada de estrangeiros no país, em época contemporânea aos esforços de Souza Dantas em salvar os perseguidos do nazismo na Europa.

PIT - Fabio, obrigada por sua entrevista e deixe aqui o seu recado!
FK - Eu é que agradeço. Lembrar e enaltecer aqueles que se arriscaram de maneira altruísta e anônima para ajudar desconhecidos que corriam perigo de vida, além de ser um ato de reconhecimento, é educativo e extremamente necessário, especialmente em um país tão carente de bons exemplos.




O embaixador Luiz Martins de Souza Dantas




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quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Shalom!
Musica para ouvir, ver e sentir com o coração.
O Papo de hoje traz uma nova experiência musical que une oração, sentimento e alegria.
Com vocês... Kol Lev Band!


PIT - Olá Kol Lev, bem vindos ao Papo em Comunidade!
KLB - Olá Patricia, o prazer é todo nosso em estar aqui com você.


PIT - Como surgiu a ideia da Kol Lev Band?
KLB - Em um retorno, após muitos anos, à sinagoga em um shabat, o Charles (Kahn diretor musical da banda) se deparou com o chazan Yaakov Moshe Laufer conduzindo as orações, e algo lhe tocou a alma. Amigos-músicos foram convidados, e também se envolveram mais do que profissionalmente com a ideia de formar a Kol Lev Band. Assim, começamos.


PIT - Por que o nome Kol Lev Band?
KLB - Significa A voz do coração. O objetivo é que a essência das letras através das emoções e o sentimento penetrem em todos os corações.


PIT - Como se deu a reunião dos músicos?
KLB – Os músicos Guilherme Azevedo (guitarra), Gustavo Vidigal (baixo) e Junior Moraes (bateria), já se conheciam de outros trabalhos, e sabiam das suas afinidades musicais. O que tornou o trabalho mais leve, possibilitando um espaço criativo e profundo.


PIT - Como foi escolhido o repertório?
KLB - As orações mais conhecidas no mundo judaico foram o foco para uma releitura.


PIT - Por que orações com nova roupagem e não musicas israelenses da atualidade?
KLB - O nosso desejo não é apenas um contato auditivo, mas também um contato espiritual-milenar. As novas roupagens foram criadas através de pesquisa de ritmos que combinam com as orações, e não ferem as melodias originais, e também, das nossas próprias, e diversificadas, vivências musicais. Acreditamos que novas roupagens musicais levam a novas emoções e a uma renovação espiritual.


PIT - Houve algum critério para os ritmos? Por que Shema em ritmo de reggae, Lecha Dodi, disco e Avinu Malkeinu flamenco, etc?
KLB - Sim. A inspiração.


PIT - As apresentações serão estritamente para a comunidade judaica ou vocês pretendem levar para a comunidade maior?
KLB - Nós pretendemos levar essa experiência para quem queira ouví-la e sentí-la.

PIT - No site o nome da banda vem acompanhado das palavras Tefilá, Kavaná veSimchá? Qual o significado destas palavras e o que tem a ver com a banda?
KLB - Oração, Sentimento e Alegria. É assim que enxergamos, realizamos, e queremos transmitir o nosso trabalho.


PIT - Muito obrigada pela entrevista e deixem aqui o seu recado!!!
KLB - Nós é que agradecemos o espaço. E convidamos todos a participarem da experiência Kol Lev Band. Nosso site é http://www.kollevband.com.br/
Tefilá, Kavaná veSimchá.



Assista aqui Shemá Israel com a Kol Lev Band


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quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Shalom!
O Papo de hoje é com uma professora apaixonada pelo judaísmo.
Jane Bichmacher de Glasman conte-nos tudo!

PIT - Olá Jane, bem vinda ao Papo em Comunidade!
JBG - O prazer é meu!

PIT - Professora, doutora em Língua Hebraica, Literaturas e Cultura Judaica, fundadora e ex-diretora do Programa de Estudos Judaicos na UERJ. Como surgiu este programa na universidade?
JBG - Fui a primeira professora concursada e contratada pela UERJ para o Setor de Hebraico, o qual, então, comecei formalmente. Para tal contava com outros professores contratados temporariamente, pela Fierj e pela própria universidade. Consegui uma sala, para pesquisas e atendimento a alunos, onde montei uma biblioteca, com recursos próprios, incluindo muito material didático, fitas e filmes, além dos livros sobre hebraico e judaísmo. Ela era conhecida como "sala dos judeus"(!) No início de 1992, na semana do carnaval, mal eu saí dela - e a mesma foi incendiada e vários recados antissemitas foram deixados. Eu já vinha sofrendo pequenos atentados (meu carro foi arranhado em forma de suástica; nas minhas salas de aula eram deixados recados nas paredes com suásticas, "Morte aos Judeus", e outros do gênero) e sempre era convencida a "deixar pra lá", que aquilo era"coisa de maluco querendo chamar a atenção"... Foi a gota d'água! Contrariando a orientação chamei o então presidente da Fierj (Milton Nahon) e a imprensa, que cobriu largamente o ocorrido. Houve abertura de inquérito policial e o Reitor da UERJ (Hésio Cordeiro, na época), a partir de uma série de reuniões que tivemos, resolveu instaurar o Programa de Estudos Judaicos, de caráter comunitário e mais abrangente do que o Setor. A este, agregaram-se então docentes de outras áreas, como o Prof. José Resende, com o qual iniciei o oferecimento de cursos eletivos sobre Inquisição e Cristão-Novos, inclusive com a realização de Simpósios nacionais. Fora estes, foram realizados cursos e palestras com professores de renome acadêmico internacional, muitos de Israel (dada a carência de recursos, eu "corria atrás" de todos que estivessem de passagem pelo Rio ou por S. Paulo!) além de Congressos de Estudos Judaicos.
Lamentavelmente, houve certo "desvio de percurso" (aproveitando um afastamento meu, devido a um sério acidente de carro) e, pessoas de fora da UERJ "apoderaram-se" do Programa e têm impedido a participação de docentes da casa, principalmente os "pioneiros"... Mas isto é assunto para outro "papo"...


PIT - Você escreve para a comunidade maior sobre temas judaicos. Como você vê a reação perante a história judaica?
JBG - Venho, cada vez mais, procurado escrever num idioma menos "academês", mais leigo, na imprensa e em veículos de comunicação como sites e revistas eletrônicas, para um público amplo e diversificado, no Brasil e no exterior. A resposta tem sido fantástica! Inclusive já escrevo artigos como réplica a dúvidas e questionamento de leitores... Sinto um imenso prazer, também, quando consigo provocar polêmicas, que já originaram até grupos de debate e discussão na internet, por exemplo, a partir de alguns textos meus como "Os negros e os judeus", "Palavras Mal Ditas: Filologia e Preconceito” (este, por acaso, foi premiado no meio acadêmico e depois repassado em versão popular), "A assinatura cabalística de Cristóvão Colombo", "Palavras e costumes brasileiros de origem marrana", etc., além de temas específicos dentro da história e da cultura judaica, como "A rainha esquecida", "A noite dos cristais", etc.


PIT - Você tem um projeto de pesquisa sobre a presença judaica na língua e cultura brasileira. O que você descobriu de mais interessante?
JBG - É fantástico! A cada dia descubro algo novo! Desde a origem de palavras, expressões, ditados populares e nomes de lugares (a começar por Brasil! já que a pesquisa começou como sociolinguística) até personagens e passagens históricas, passando pelos costumes populares e pelo folclore brasileiro - todos com conteúdo expressamente judaico ou com origem no mesmo! Sabe o personagem do pai do filme “O casamento grego”, que encontra origem grega em tudo? Pois é, eu sou uma versão “kasher” dele! (rs)

PIT - Na história judaica que passagem mais te agrada? Por quê?
JBG - Sou tão visceralmente apaixonada pelo judaísmo que seria impossível destacar apenas uma passagem... Há várias que me intrigam e ponho-me a pesquisá-las! Gosto, particularmente, de histórias ocultas ou pouco estudadas. Talvez, dentro de temáticas, eu pudesse citar, por exemplo, estudos de gênero, como a questão da mulher no judaísmo (que foi parte da minha tese de doutorado: “De Rachel a Rachel- mulher, amor e morte”) e por outro lado, passagens, principalmente bíblicas, incoerentes ou ininteligíveis a princípio, como o sacrifício de Isac e sua posterior relação com o pai ou a morte de Moisés, sem entrar em Canaã (por sinal, abordo na tese também; afinal, é um drama universal humano, morrer antes de entrar na “Terra Prometida”...)

PIT - Você já publicou vários livros. Conte um pouco sobre eles...
JBG - Comecei escrevendo livros “encomendados” por setores de empresas e universidades onde trabalhei (sobre Psicologia, Didática, Educação, Treinamento) e, posteriormente, passei a publicar livros a partir da demanda discente e da carência de material em português sobre temas, principalmente sobre judaísmo, visando a torná-los acessíveis, como o “`A Luz da Menorá: Introdução à Cultura Judaica” e “Interseções: relações entre judaísmo e culturas e religiões na Antiguidade”, que foram, para minha alegria, adotado em diversas escolas, faculdades e seminários, pelo Brasil e vendidos até na Argentina e nos Estados Unidos. Aliás, tenho recebido encomendas e cobranças, por estarem esgotados – aguardo um alô de editoras interessadas!


PIT - Você costuma proferir palestras. Como são estas palestras?
JBG - Bom, há as acadêmicas, em Congressos e em universidades, as para grupos judaicos (como Wizo, Pioneiras, etc.) e as para o público em geral, geralmente em grupos de estudo e em cursos de atualização. E, principalmente, há as “mistas”: por exemplo, em agosto fui dar uma palestra em Denver, no Colorado, num Simpósio da Sociedade de Estudos Criptojudaicos, e uma grande parte do público era formado... pelos próprios! Tinha gente interessantíssima como artistas plásticos, cineastas e escritores (além dos pesquisadores acadêmicos), todos originalmente marranos, criptojudeus, que retornaram ao judaísmo, com obras sobre o tema. Tinha até rabino que nasceu em família marrana (com quem eu já me correspondia)! Apesar de eu ser a única brasileira lá, houve um interesse incrível em minha apresentação – e as perguntas foram abundantes! Fui “intimada” a comparecer ao Encontro ano que vem...


PIT - Que historia é esta que você ensinou padre a rezar missa em hebraico?
JBG - Comecei como professora no Barilan, onde fui aluna. Lecionei em diversos lugares como UFRJ (onde montei o atual Setor de Hebraico e de onde me aposentei em 99), Senac (Psicologia Empresarial), Colégio Imperial (Didática, MPA,Orientação Educacional) e, por quase 10 anos no ISTARJ (Instituto Superior de Teologia da Arquidiocese do Rio de Janeiro), onde pude, literalmente, ensinar padre a rezar missa... em hebraico! Ensinava hebraico e cultura judaica, com ênfase na origem judaica do cristianismo e das práticas e da liturgia católica. Tive alunos que foram se especializar em Israel, inclusive conhecidos, como os padres Zeca, Zé Roberto, André Sampaio (meu “afilhado” de ordenação e primeiro núncio apostólico brasileiro em centenas de anos)... Foi muito bonito, que eles trouxeram a “paramentação” judaica kasher de Israel para o bar-mitzva de meu filho (além de Padre André ter feito as bênçãos hebraicas do casamento dele)!

PIT - O que você gostaria ainda de realizar?
JBG - Profissionalmente, reeditar alguns livros meus e publicar outros que já estão prontos (!), inclusive (e principalmente) minha atual pesquisa e filmar um documentário sobre a mesma. Quero estudar, pesquisar, ler e escrever até o fim! Pessoalmente, quero ter netos e continuar curtindo muito a vida (principalmente viajando) com meu “namorido”!

PIT - Jane, obrigada por sua entrevista e deixe aqui o seu recado!
JBG - Perdoe eu ser tão prolixa! Adoraria receber comentários! Meu e-mail é janeglasman@terra.com.br










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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Shalom!

O Papo em Comunidade de hoje vai ao teatro e conversa com um dos premiados diretores da nova geração.
Moacir Chaves, que está em cartaz com Ecos da Inquisição de Miriam Halfim.
Não Percam!


PIT - Olá Moacir! Bem vindo ao Papo em Comunidade!
MC- Olá Patricia!

PIT - Como surgiu seu interesse pelas artes cênicas?
MC - Sempre gostei de teatro. Como espectador mesmo. Aos dezessete anos vi todas as peças em cartaz no Rio, naquele ano de 1982. Era o meu primeiro ano na cidade, morava em Teresópolis e vim para cá estudar geologia na UFRJ. No ano seguinte, estava matriculado na Escola de Teatro Martins Pena e trocara geologia por história na UFRJ. Mais um tempinho e estudava teoria do teatro na Unirio.


PIT - Você é professor da Unirio e também foi aluno da instituição. Qual o desempenho da universidade para a formação de profissionais de teatro?
MC - A universidade oferece muitas possibilidades de conhecimento e troca, para quem consegue perceber isso e fazer o melhor caminho dentro da instituição. Há pessoas que passaram por lá e dela saíram sem nada aproveitar, e outras que tiveram suas vidas modificadas por essa vivência. Encontro-me nesse segundo caso. Para isso contribuíram especialmente os professores Ronaldo Brito e Flora Sussekind.


PIT - Atualmente você está dirigindo Ecos da Inquisição, texto de Miriam Halfim. Como você chegou a este texto?
MC - Fui convidado pela Miriam e pela Maria Alice, produtora do espetáculo, por sugestão do ator, diretor e amigo Ricardo Kosovski.

PIT - Mais um texto com Padre Antonio Vieira. Ele te persegue ou você o persegue?
MC - Padre Antonio Vieira é uma fonte de inteligência e luz na história e na cultura do Brasil e de Portugal. Um homem admirável. Estar em contato com suas obras e com sua biografia é um privilégio e um prazer. Quem sou eu para ser “perseguido” por ele. Mas também não o persigo. Imaginei e efetivei, produzindo e dirigindo, em 1994, o Sermão da Quarta-feira de Cinza, e fiz dois outros espetáculos em que ele aparece com muita força, o Ecos da Inquisição e, no ano passado, The Cachorro Manco Show, a convite da presidência da Funarte.


PIT - Não é a sua primeira peça sobre Inquisição, Bugiaria também abordava o assunto. Alguma predileção pelo tema?
MC - O meu interesse, no material que deu origem a Bugiaria, era em um personagem histórico de nome Jean Cointa, ou de Bolés, que veio para o Rio de Janeiro no século XVI se juntar a Villegaignon na aventura de fundar a França Antártica. O processo da Inquisição de Cointa foi parte estrutural do espetáculo, juntamente com o Viagem à Terra do Brasil, de Jean de Lery, no seu relato sobre os rituais antropofágicos dos índios Tamoios. Talvez eu tenha, de fato, uma predileção por temas ligados à cidade do Rio de Janeiro, sua história e seus personagens. Fiz um espetáculo chamado A Violência da Cidade, com textos históricos que iam do século XVI ao início do século XX, à época do “bota-abaixo” e dois espetáculos com textos de Machado de Assis, que foi, aliás, quem de alguma maneira me apresentou a cidade. Li toda sua obra exatamente nos meus primeiros anos aqui, e costumava refazer percursos de seus personagens pelas ruas da cidade, tentando identificar o que ainda restava daqueles cenários.


PIT - Apesar de Ecos da Inquisição se referir sobre um tema dos séculos XVI e XIX, a roupagem dada é mais atual. Podemos dizer que a inquisição não morreu?
MC - A Inquisição morreu. O que levou a humanidade a efetivá-la, não. Infelizmente é uma experiência quase que cotidiana esbarrarmos com abuso de poder, autoritarismo, violência, apropriação indébita, roubo, manipulação da população. Manipulação, aliás, que à época do nazismo ficou conhecida pelo nome de Propaganda.


PIT - Você tem alguma relação com o judaísmo? Seu sobrenome tem algo de cristão novo? Risos
MC - Minha família paterna veio de Portugal, da cidade de Chaves. Não sei se o nome é cristão novo. Meus avós maternos eram alemães que chegaram ao Brasil logo após o término na Primeira Guerra. Minha mulher, Monica Bielschowsky, é de origem judaica. Tenho grande interesse e carinho pela história judaica, que é a história de todos nós, fazemos parte todos da cultura judaico-ocidental. Mas não tenho atração pela idéia de raça nem pelas manifestações religiosas em geral. E menos ainda por qualquer fervor nacionalista.


PIT - Dentre os personagens você destacaria algum? Qual e por quê?
MC - Acho que a identificação do notário com o homem comum que, apesar de não responsável direto pelos fatos, se encontra em uma posição de testemunha de atos de arbitrariedade, violência, corrupção, e nada faz para mudar o estado das coisas, tornando-se desta forma cúmplice, co-autor mesmo das barbáries cometidas à sua vista, faz dele, notário, um personagem especial.


PIT - Moacir, obrigada por sua entrevista e deixe aqui o seu recado!
MC - Obrigado digo eu, por esse espaço de divulgação do espetáculo e reflexão. Espero ouvir depois sua opinião sobre a peça e, quem sabe, ter a chance de debater com mais tempo e profundidade as questões tangenciadas nesta entrevista.



Obs: Ecos da Inquisição está em cartaz no Centro Cultural Justiça Federal, na Cinelândia, Rio de Janeiro, de sexta a domingo às 19h, preços populares!


Moacir Chaves com a autora Miriam Halfim e o elenco de Ecos da Inquisição


Uma das cenas de Ecos da Inquisição



O Papo em Comunidade chega a 100ª entrevista!! Obrigada a todos os entrevistados, leitores e colaboradores que ajudam na existência deste blog! Espero contar sempre com vocês!





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segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Shalom!
Já ouviu falar em Na’amat Pioneiras?
O Papo de hoje é com Helena Nigri, a vice presidente desta entidade!


PIT - Olá Helena, bem vinda ao Papo em Comunidade!
HN - Oi Patrícia, primeiramente, obrigada pelo convite para participar do seu blog.


PIT - Para começar conte um pouquinho sobre você...
HN - Meu nome é Helena Nigri, tenho 54 anos , sou casada e tenho uma filha de 18 anos. Fiz curso técnico de piano na Escola de Música da UFRJ, sou formada em Engenharia Química e em Licenciatura em Química pela UFRJ. Atualmente sou empresária de uma loja de móveis modulados em Copacabana.


PIT - Quando começou seu trabalho na Na’amat Pioneiras?
HN - Entrei para Na´amat pioneiras em 1979, quando ainda era solteira. Comecei coordenando um coral de voluntárias. Fui presidente de grupo e diretora de integração. Hoje sou coordenadora do Coral Na´ amat Pioneiras Clara Sztyszberg , vice presidente e presidente em exercício porque nossa presidente Sulamita Marshevsky encontra se afastada por motivo de saúde. Na´amat faz parte da minha vida.


PIT - O que é Na’amat Pioneiras?
HN - Na´amat Pioneiras é uma Organização Feminina Judaica Sionista Cultural e Beneficente. Atuamos em 11 países, entre eles, Estados Unidos e Israel. Aqui no Brasil estamos presentes em 13 estados. Temos como principais objetivos elevar o status da mulher, transmitir as tradições e éticas judaicas e promover o intercâmbio cultural e social entre Na´amat Israel e Na´amat Brasil.


PIT - Qual a importância da Na’amat para a comunidade judaica e a comunidade maior?
HN - Na´amat se preocupa com a divulgação das Culturas Nacional e Judaica. Para isso, promove cursos de teatro e canto coral, comemora as festas judaicas, faz parte da Federação israelita do Estado do Rio de Janeiro e contribui para minimizar as carências sociais das comunidades judaicas e maior, promovendo eventos como bazar, shows,excursões,seminários e congressos.


PIT - Para você, o que significa o trabalho voluntário?
HN - Ser voluntária é dar um pouco do seu tempo para aqueles que precisam, fazendo assim uma Tzedacá - Justiça Social. Nesse trabalho temos a oportunidade de encontrar muitas amigas Chaverot e sentir que fazemos parte de uma sociedade íntegra e envolvente.


PIT - O que você diria para as mulheres judias que ainda não fazem parte da Naamat?
HN - Venham fazer parte da família Na´amat , seja uma voluntária e se engaje nas causas sociais e culturais.


PIT - Quais os projetos para 2010?
HN - Entre os projetos destacamos o fortalecimento dos grupos já existentes, a criação de novos grupos de jovens e a parceria com outras entidades para que nossa Organização possa crescer cada vez mais.


PIT – Helena, muito obrigada por sua entrevista e deixe aqui seu recado!
HN - Obrigada pela oportunidade. Às mulheres que estiverem interessadas em fazer parte da nossa instituição entre em contato com Sônia, pelo telefone 25530983 ou pelo email naamatrj@yahoo.com.br.
Gostaria também de convidá-los para a apresentação do Coral Na’amat Pioneiras, no projeto musica no museu, dia 10, quinta-feira, às 12:30 no Paço Imperial, na Praça XV, será a Festa das Luzes no Paço. Cantaremos músicas de Chanucá, ladino, íidish, brasileiras e hebraicas. Prestigiem!












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segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Shalom!

Nunca é tarde para arregaçar as mangas e revitalizar a história da comunidade judaica brasileira.
No Papo de hoje, o Presidente da Hebraica Rio, Luiz Mairovitch!

PIT - Olá Luiz, bem vindo ao Papo em Comunidade!
LM- Olá Patricia!

PIT - Para começar conte um pouco sobre você...
LM - Sou Luiz Mairovitch, pai de Luiza, dez e Tobias, quatro anos, morador de Ipanema, sempre estudei no colégio Eliezer Max, de onde guardo recordação de uma das melhores fases de minha vida, onde fiz os melhores amigos .

PIT- Atualmente você está na presidência da Hebraica. O que te levou a este posto?
LM - De volta ao clube convidado por um conselheiro para comemoração do seu aniversário, que se daria após uma reunião do conselho, participei de parte desta, quando me interessei e comecei a fazer várias perguntas, e a dar ideias, numa tentativa de colaborar para tentar reverter uma situação na época muito preocupante. A partir daquele dia, comecei a compartilhar das mesmas preocupações com relação a decadente situação em que o clube se encontrava e me candidatei a conselheiro, e após um período, fui instituído presidente do conselho, passando posteriormente a presidente do executivo.

PIT- A Hebraica é clube de tradição e esteve algum tempo deixado de lado. O que pode ter acarretado neste abandono?
LM - Realmente, era notória a situação de abandono em que o clube se encontrava, ficamos cerca de dez anos parados no tempo, com protestos diversos, uma situação de difícil compreensão.

PIT- Agora vemos a Hebraica ser revitalizada. O que falta ainda para o clube voltar as atividades com força total?
LM - Hoje, depois de ultrapassados muitos obstáculos, acredito que, achamos à direção correta e nos colocamos no caminho certo.
O clube vem passando por varias reformas, (banheiros, salas ,quadras), quando comecei a presidir o clube, tínhamos cerca de 300 sócios atletas, hoje já passamos de 1500 (mil e quinhentos).
Nosso objetivo agora é, a troca de nossos elevadores, e a reforma da entrada do clube, e claro, a construção da academia Aborytech, que já se encontra em fase final de projeto para que possamos iniciar a construção, essa também foi uma grande conquista.

PIT- Qual a importância de um clube como a Hebraica para a comunidade carioca?
LM - Quem vem ao clube se surpreende com as reformas. Hoje o clube é outro. Nosso clube é o maior e mais bem localizado clube na Zona Sul, sem falar que, é um clube que realmente pertence à comunidade judaica, não abrimos o nosso clube .
Temos tido cerca de trinta pedidos semanais de novos sócios nos últimos oito meses, isso é sinônimo de sucesso ,mas, volto a dizer: O clube é da comunidade judaica, me entristece, quando vejo a Macabi fazer eventos da AABB e Shimon Peres no Copacabana Palace, é quando me questiono acerca dos valores que cercam esses lideres, realizadores desses eventos. Se colaboram em realizar tais eventos, por que tendem a não se importar com o principal valor do judaísmo que é a UNIÃO e COLETIVIDADE? Pela Hebraica passaram, Ben Gurion , Golda Meir, Juscelino Kubishek, Roberto Carlos, o próprio Shimon Peres, hoje estamos preparados para receber novamente nossa comunidade, vamos valorizar nossos preceitos, o que é nosso.Já voltamos a fazer casamento e Bar e Bat Mitzvá, já é um grande passo.

PIT - Recentemente aconteceu o festival de dança. Quais os projetos para 2010?
LM - Nosso festival, o maior e mais antigo evento da comunidade Judaica da América Latina, acontece a 39 anos consecutivos, este ano se superou, obtivemos sucesso e repercussão surpreendente, foi assistido por 9500 (nove mil e quinhentas) pessoas e no domingo, mais de 6000 (seis mil) internautas puderam assistir o festival pelo nosso site ao vivo. Ano que vem, estamos pensando em colocar um mega painel de LED no fundo do palco, uma das tecnologias mais avançadas, temos que trabalhar muito, uma vez que, o custo é muito alto, mas sem dúvida ficará um luxo, nossa comunidade, nossos dançarinos e colaboradores são merecedores deste sucesso. Também estaremos aguardando os grupos de Israel, que sem dúvida acrescentou e muito para o sucesso que obtivemos este ano. Também estamos idealizando uma parceria, com uma grande construtora para subirmos mais dois andares de estacionamento, pois, temos que sair na frente. Nosso estacionamento hoje se encontra atingindo sua capacidade máxima todos os dias o dia inteiro, com esta parceria, nossa receita irá aumentar bastante.

PIT - O que você gostaria ainda de realizar?
LM - Agora é dar tempo ao tempo, esperar para vermos a inauguração da Academia AboryTech.

PIT - Luiz, obrigada por sua entrevista e deixe aqui o seu recado!
LM - Aí vai meu recado, vai para todos que acreditam em uma comunidade forte, independentemente de ser sócio de um clube da moda, apóie um clube da sua comunidade. A hebraica está mais viva do que nunca. Um clube para ser forte depende de todos. Aqui você é respeitado e admirado, aqui você não é mais um, é conhecido pela sua família, sua origem suas raízes, seja sócio ou um voluntário, suas idéias podem ajudar e muito. Convido a todos a visitar o nosso site http://www.hebraicario.com e a virem ver como está ficando nosso clube.







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sábado, 21 de novembro de 2009


Shalom,

Quem conhece Israel se encanta, e quem não conhece não sabe o que está perdendo!
E cada um tem sua própria experiência...
Sabrina Abreu conte- nos e mostre- nos o seu Israel!


PIT - Olá Sabrina, bem vinda ao Papo em Comunidade!
SA - Muito legal poder contar um pouco das minhas experiências para você, Patrícia.


PIT - Você acaba de lançar o livro “Meu Israel”. Como surgiu a ideia do livro?
SA- Sou jornalista e, durante os onze meses que passei em Israel, entre 2007 e 2008, colaborei com diferentes revistas brasileiras. Ao mesmo tempo, tentei manter um blog (do qual desisti, porque sempre faltava tempo) e consegui atualizar sempre meu diário, escrito no papel mesmo, como tenho o hábito de fazer desde os meus 8 anos de idade. A mistura do meu amor pela escrita com as histórias que vivi e pessoas maravilhosas que conheci em Israel deram origem à ideia do livro. Ela foi amadurecendo ao longo de um ano inteiro, até que tive a oportunidade de apresentá-la à Editora Leitura, que topou o projeto do jeitinho que eu sonhei (com direito ao apêndice com entrevistas no final, para dar um toque bem jornalístico).


PIT - Por que o titulo “Meu Israel”?
SA - Olha, Israel é um país que suscita muitas paixões, pelo fato de ser berço do Judaísmo, a religião primordial na qual as outras duas religiões monoteístas se basearam: o Cristianismo e o Islamismo. Além disso, há a questão política e histórica, de conquistas e dominações naquela região, ao longo de milênios, que faz com que ela sempre esteja viva na mente de tantas pessoas. Por conta disso, ao escrever anteriormente sobre Israel (na monografia do meu curso de Jornalismo e no trabalho de conclusão de curso da minha pós-graduação, entre outras pesquisas), sempre tomei cuidado para apoiar cada linha com dados históricos, com material jornalístico, depoimentos de especialistas, de modo a tornar o trabalho o mais relevante possível. Já no livro – apesar de também ter prestado atenção na pesquisa -, tomei a liberdade de falar do meu Israel, aquele em que vi, que conheci, sobre o qual estudei, um lugar onde fui feliz e tenho amigos, do qual sinto saudades. Acho que mirando na minha experiência pessoal o relato da viagem acabou se tornando até mais próximo dos leitores – mesmo daqueles que nunca visitaram esse país.


PIT - O que te levou a morar em Israel?
SA - Na verdade, acho que demorou para eu tomar essa decisão. Sempre tive vontade. Mas, ao longo da faculdade de jornalismo (de 1999 a 2004), fui entendendo que o quanto Israel aparecia na mídia era proporcionalmente inverso ao quanto as pessoas eram informadas sobre o país. Mesmo sem ter ido até lá, sempre soube – por influência, especialmente do meu pai – as fronteiras, as principais guerras nas quais o país foi envolvido, os diferentes impérios que tomaram o país sucessivamente. Eu sabia também diferenciar os termos “judeu”, “israelense”, “árabe”, “muçulmano”, mas percebi que nem todo mundo poderia diferenciá-los. Então, surgiu a vontade de estudar mais, para poder informar melhor. Acho que o dia em que decidi, de verdade, morar lá, foi com isso em mente. Mas, além disso, havia tantas outras motivações envolvidas. E bem que eu tinha sido informada por vários amigos que morar num kibutz é uma diversão incomparável [risos]...


PIT - Você vive em Belo Horizonte. Você encontrou em alguma cidade israelense semelhança com a capital mineira?
SA- Pode parecer estranho, já que Belo Horizonte é uma capital com pouco mais de cem anos e Jerusalém é uma cidade milenar, mas vejo, sim, algo em comum entre as duas. A gente costuma brincar que “BH é um ovo”, porque lá, todos se encontram sem combinar, na rua, no shopping. E, ao mesmo tempo, as famílias se conhecem, todo mundo tem um amigo em comum – ou até um primo em comum. Em Jerusalém, acontece do mesmo jeito. Acho que essa proximidade entre essas pessoas, essa facilidade de constatar o laço entre elas deve ter alguma coisa a ver com os montes e montanhas de BH e de Jerusalém [risos]!


PIT - Você teve contato com brasileiros por lá? Como eles vêem e/ou vivenciam o país?
SA- Sim, tive. Como Israel é um país com tantas possibilidades – e os brasileiros são tantos e tão diferentes, dependendo da vivência que têm no Brasil ou fora dele – fica difícil responder, de um jeito geral, como meus amigos ou conhecidos vivenciam Israel. Mas posso dizer que encontrei e entrevistei brasileiros que eram voluntários em diferentes kibutzim, outros que fizeram aliyah, ou que estavam lá por causa do próprio trabalho (caso de Alberto Gaspar, correspondente da TV Globo, que faz um comentário na orelha do meu livro) ou por conta do trabalho do cônjuge, como minha amiga Simone Karlsen, casada com um dinamarquês que tem um cargo na EU. Enfim, de todos, um depoimento que me marcou foi o do Fábio Júnior (ex-jogador do Cruzeiro, que também jogou no Hapoel Tel Aviv). Eu o entrevistei para um programa da Sportv. Ele disse que os israelenses eram parecidos com os brasileiros, porque são informais, quando convidam alguém para ir à suas casas, porque gostam de fazer piada, de comemorar, de dançar, de comer, são barulhentos, enfim, por tudo isso, ele se sentia acolhido lá. Acho que muitos outros brasileiros sentiam o mesmo.


PIT - O que você sentiu do conflito entre árabes e israelenses e da violência em geral?
SA- Prefiro começar a responder pela “violência em geral”, porque, em geral, ela não é muito presente [risos]. Morei em Jerusalém durante sete meses (e outros quatro no kibutz Bar-Am, no Norte). Na cidade, muitas vezes, tirava dinheiro no terminal 24h (que lá, de fato, funciona 24h) de madrugada, depois ia a pé para casa, com o dinheiro no bolso, sem medo. Por outro lado, sempre que entrava num restaurante ou loja, tinha que abrir minha bolsa para ser conferida (procedimento padrão adotado contra o terrorismo). Então, no meu dia a dia, o conflito se manifestava nesses detalhes e, também, em conversas com amigos que contavam como era a vida deles à época da Segunda Intifada (levante palestino de 2000 a 2002). Sendo jornalista e trabalhando como freelancer por lá, sempre tive curiosidade de pesquisar e entender mais sobre o conflito, me embrenhar por todo tipo de cidade e pelas diferentes áreas das cidades. Mas meu convívio se deu, na maior parte do tempo, com judeus israelenses – embora também tenha feito bons amigos árabes israelenses e palestinos. Quando ia visitar a Cisjordânia, sentia dos meus amigos judeus um tipo de ressalva, do tipo “não vale a pena ir até lá, porque é perigoso”. Mas entendo que pensem assim, já que, de fato, não são bem-vindos por lá. Por outro lado, conheci moradores da Cisjordânia que disseram claramente ter ódio dos judeus israelenses e até ouvi um menino dizer que queria ser mártir! Tudo isso me fez concluir que a situação é complexa demais para eu me arriscar a fazer quaisquer análises. Mas de uma coisa tenho certeza: a maioria das pessoas com quem conversei querem a paz, querem ficar numa boa. Isso vale para judeus e árabes que moram no território israelense. Além do mais, o conflito parece muito maior quando visto pela televisão. No cotidiano, as pessoas têm suas vidas, compromissos, feriados religiosos, preocupações outras. A vida por lá é muito mais “normal” do que se imagina.


PIT - Neste tempo o que mais te chamou atenção no país?
SA- As pessoas que formam a sociedade israelense chamam minha atenção mais que quaisquer paisagens ou sítios históricos (por mais interessantes que esses sejam também). No livro, falo disso: lá, todo mundo tem alguma história incrível, veio de muito longe, ou se casou com alguém que veio de muito longe, ultrapassou algum obstáculo dificílimo, aprendeu a viver a vida enfrentando, pelo menos, uma guerra a cada geração! É por isso que resolvi incluir em “Meu Israel” o apêndice “O Israel de Cada Um”, no qual mostro como treze pessoas (como a primeira mulher ordenada rabina em Israel, um adolescente sudanês refugiado de guerra, uma judia da comunidade do Rio que fez aliyah, um muçulmano morador de Jerusalém Oriental e uma sobrevivente do Holocausto, entre outros) se relacionam com aquele país.


PIT - O que você diria para quem não conhece Israel?
SA - Conheça Israel. Vá até lá. Se você gosta de história, não deixe de conhecer. Se gosta de diversidade, é um destino obrigatório, se tem curiosidade religiosa, idem, se gosta mesmo é de curtir o sol e uma boa balada, a mesma coisa. É um lugar que vale a pena.


PIT - Alguma coisa te deixou saudade?
SA- Dos meus amigos, de estar em Jerusalém num momento e, uma hora depois, aparecer em Tel Aviv. De rezar no Muro das Lamentações, de ir à Galileia de vez em quando, de fumar narguilê com o pessoal do kibutz.


PIT - Sabrina, obrigada por sua entrevista e deixe aqui o seu recado!
SA - Espero que “Meu Israel” seja uma fonte de informação para desmitificar um lugar que tem, sim, qualidades e defeitos, mas merece ser exposto com suas qualidades e seus defeitos, em vez de permanecer estereotipado. Escrevi sobre ele alternando o tom sério e as tiradas que são quase piadas, porque só assim achei possível ser mais fiel ao país que é jovem e tem uma história milenar, que é envolvido em questões tão sérias, mas não deixa de ter uma sociedade que sabe achar graça de si mesma.







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quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Shalom!
Que tal pensarmos e apreciamos arte com a artista plástica e professora Leila Danziger?
Aproveitem!



PIT - Olá Leila, bem vinda ao Papo em Comunidade!
LD - Olá Patrícia! Muito bom visitar o seu blog!

PIT - Artista plástica e professora do Instituto de Artes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Como começou seu interesse pelas artes?
LD - A partir da adolescência, eu não conseguia me relacionar com nada que não fosse arte e literatura. A sorte é que a arte é interdisciplinar e me levou a olhar o mundo e a me interessar por muitas outras coisas. Como a maioria das pessoas que escolhem estudar artes plásticas na universidade, eu simplesmente gostava de desenhar. Mas essa inclinação vaga só se tornou uma escolha consciente pela arte quando eu literalmente “colidi” com a memória da Segunda Grande Guerra e da Shoá, no período em estudei na França, na década de 80. De alguma forma, foi essa memória, muito bem silenciada na minha família, que me deu mesmo vontade de desenvolver uma produção continuada como artista. De outro modo, acho que teria sido uma designer razoavelmente feliz.


PIT - O que é arte para você?
LD - É aquilo que procura responder à complexidade da experiência humana, o que é algo imenso. Gosto da arte que é sensível e reflexiva ao mesmo tempo. A arte é aquilo que aguça os sentidos, potencializa a nossa percepção, conectando-a ao pensamento e à reflexão. E em relação à arte moderna e contemporânea, ela está mais interessada no processo do que no produto. Embora a arte continue a produzir obras duráveis, o que o artista coloca em ação, sobretudo, é uma certa poética, uma forma de estar no mundo e construir relações e sentidos para a vida. Na verdade, essa me parece mesmo a importância da arte: ativar a potência do ser humano (mas o ser humano responsável e que vive em sociedade). E acredito que a arte (a boa arte) é aquela que procura as brechas e foge ao senso comum e ao mero consumo. Uma pena que as escolas, mesmo nossas melhores escolas, ainda não tenham um projeto mais vigoroso para as artes (porque não cai no vestibular...). Ainda não perceberam a importância de refletir criticamente sobre as imagens, por exemplo, que estão por toda à parte. A arte na escola deveria propiciar o desenvolvimento de um público crítico em relação à cultura e não meramente consumidor, mas não vejo nenhuma preocupação nesse sentido. As práticas simbólicas ainda são muito desvalorizadas ou repetidas de uma forma cheia de clichês.


PIT - Como você pode descrever o seu trabalho artístico?
LD - Acho que tudo o que faço é uma tentativa de modelar o tempo e a memória, pensando-as como matérias concretas de fato.


PIT - Que tipo de material você costuma usar?
LD - Meu material preferido sempre foi o papel, que é como a pele – frágil, sensível, contém parte da história de nosso corpo -, por isso mesmo tão precioso. Esse ano, comecei a fazer pequenos vídeos, mas mesmo neles produzo situações a partir de inscrições feitas sobre papel ou superfícies similares. Já fiz algumas instalações em que utilizo móveis. A forma do livro também é uma referência importante.


PIT - Você tem um trabalho feito com jornais. Conte um pouco sobre ele...
LD - O trabalho com os jornais é também uma reflexão sobre a memória e o esquecimento. Vejo os jornais diários como uma espécie de paisagem ou como a superfície sensível do mundo. O que eu faço é apagar seletivamente os jornais (com um método extrativo, que mantém a integridade da página). Desfaço a linguagem informativa e em seu lugar inscrevo fragmentos de poemas, sobretudo Paul Celan. Parto da necessidade de reverter a instrumentalização da linguagem jornalística, voltada para o consumo e para o esquecimento. O que me pergunto sempre é como seria possível reverter a temporalidade linear dos jornais, inscrevê-los numa temporalidade mais longa, transformá-los em pequenos monumentos? Tive uma bolsa da RioArte para dar início a esse trabalho em 2002 e ele vem se desdobrando. Vou expor uma variação dessa série no MAC de Niterói, em março do ano que vem, em um projeto com curadoria do Luiz Cláudio da Costa, meu colega na UERJ, e apoio da FAPERJ, a instituição de amparo à pesquisa no Rio.


PIT - Como você vê o presente e o futuro da arte no Brasil?
LD - Há muita movimentação no mercado de arte, mas sinto ainda falta de um real amadurecimento, que dê mais visibilidade social ao trabalho do artista (falo do artista visual, principalmente). Acho o mercado ainda muito informal e poucas galerias trabalham bem o artista, acompanhando e propiciando o desenvolvimento da produção.
Por outro lado, há uma presença muito maior da arte nas universidades brasileiras, com cursos de graduação e pós-graduação, que querem formar um artista consciente e reflexivo. Isso é muito bom. Só espero que na universidade, a arte consiga manter a sua singularidade e a capacidade de lidar com processos bem subjetivos.
Na verdade, acho que o maior problema no Brasil continua sendo a falta de bons museus, com acervos que permitam à arte tornar-se realmente um bem público, acessível a todos que tenham interesse. Acho que o maior dilema é que nós temos ainda uma “história da arte imaginária”, para usar uma expressão do crítico Ronaldo Brito, o que não nos permite o embate e o confronto com a produção do passado. E isso nos deixa frágeis, vulneráveis a consensos que se formam com excessiva rapidez. A irresponsabilidade dos governos com a história da arte brasileira ficou bem clara nas últimas semanas. Vivemos uma grande tragédia recentemente, com o incêndio que destruiu parte da obra do Hélio Oiticica. Foi algo semelhante ao incêndio do MAM em 1978.

PIT - Em certos momentos você junta a poesia com as artes plásticas. Você acha que este é um casamento perfeito? Seria uma forma de personificar a poesia ou de dar voz ao trabalho artístico?
LD - Acho que existem muitos casamentos possíveis e ‘perfeitos’ para a arte. Há artistas que dialogam com a biologia ou com a antropologia, por exemplo. Desde que a arte se afastou de um movimento mais marcadamente auto-reflexivo, que aconteceu das primeiras décadas do século XX, ela assumiu a tarefa de se aproximar de várias outras áreas do conhecimento. Eu gosto muito das palavras e a relação entre palavra e imagem sempre me interessou muito. Na verdade, eu até comecei a escrever poesia há uns dois anos e publiquei na Revista Inimigo Rumor, editada pelo Carlito Azevedo, poeta que admiro muito.


PIT - O que te inspira para criar?
LD - Coisas muito pequenas, bem particulares; sempre o avesso do grandioso. Por exemplo: preciso fazer alguma coisa com as agendas em branco que achei nas gavetas de meu pai. Agendas de mais de 50 anos atrás e que nunca foram usadas por ele. Preciso responder a esses objetos, que me solicitam de alguma forma. Como se eles esperassem por mim. É como se eu tivesse alguma responsabilidade sobre eles (e tenho mesmo).


PIT - Quais são suas influências?
LD - Gosto de “conversar” com muitos artistas: Dürer, Watteau, Kirchner, Segall, Goeldi, Reveron, Joseph Cornell, Schwitters, Beuys, Kiefer... Todo artista tem uma família e se inscreve numa genealogia. Eu me sinto do lado da matriz romântica e expressionista da arte.


PIT - Leila, super obrigada por sua entrevista e deixe aqui o seu recado!
LD - Patrícia, muito bom te reencontrar! Queria deixar o convite para uma data que é sempre lembrada na ARI – o dia 9 de novembro de 1938, a chamada Kristallnacht, quando houve um ataque programado a todas as instituições judaicas na Alemanha. Foi mesmo o último alarme do terror irreversível. Vou fazer uma palestra, na verdade uma conversa, sobre o tema da memória da Shoá em Berlim. Como a cidade enfrenta a memória da expulsão e do assassinato de milhões de judeus? Vamos ver isso no campo da arte e da prática dos monumentos. Será às 20h, segunda-feira, dia 9/11, no salão da sinagoga, que para quem eventualmente não sabe, fica na Rua General Severiano 170, Botafogo.
Quero convidar também para uma exposição bem interessante que está acontecendo na Galeria Cândido Portinari, no campus da UERJ, no Maracanã e fica até o dia 27 de novembro. A exposição chama-se Contato e propõe relações entre a arte e a biologia. Eu participo dela com mais 5 artistas, que são professores do Instituto de Artes e do Instituto de Biologia. A curadoria é do Israel Felzenszwalb e da Vera Beatriz Siqueira. É uma iniciativa muito interessante, que deverá ser itinerante.






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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Shalom!!

Ter o primeiro filho não é fácil para as mamães. Ainda mais quando se fala em amamentação. E ir ao cinema com bebê pequeno? Nem pensar, né?
Bianca Balassiano Najm conta, no Papo de hoje, que existe solução para estas questões!


PIT - Olá Bianca, bem vinda ao Papo em Comunidade!
BBN - Olá Patricia!

PIT - Para começar conte um pouquinho sobre você, sua formação...
BBN - Estudei minha vida toda no Eliezer Steinbarg. Ao terminar o 1º grau, surgiu uma grande vontade de fazer um curso para formação de professores, pois o magistério e as crianças sempre me encantaram, e foi quando fiquei sabendo que o curso também era oferecido para a comunidade judaica e era ministrado no Colégio A. Liessin, então fiz o 2º grau e também o Curso de Formação de Professores lá (Infelizmente o curso está extinto!). Depois disso, cursei Psicologia na UFRJ, mas já no último ano de formação comecei a trabalhar com Festivais de cinema e distribuição cinematográfica, portanto não cheguei a exercer a Psicologia profissionalmente, apesar de ter me formado. E também não exerci o cargo de professora, pois o trabalho com cinema me tomava todo o tempo disponível.


PIT - Como surgiu a ideia da consultoria em amamentação?
BBN - A ideia da consultoria em amamentação surgiu da gratidão profunda que senti para com o Banco de Leite do Instituto Fernandes Figueira aqui no Rio. Quando estava grávida, achava que todo bebê nascia sabendo mamar, então não me preocupei muito em buscar informações sobre a amamentação. Logo de início, percebi uma certa dificuldade da minha filha em pegar o seio, apesar de ter nascido a termo. Bati o pé firme e me recusei a comprar leite em pó ou mamadeiras, portanto no 2º dia de vida dela fizemos um inesquecível passeio ao Banco de Leite, onde aprendi muitas informações sobre pega, posicionamento da boca do bebê, ordenha de leite e outros "segredos" para o sucesso da amamentação. Dois dias depois, minha filha já tinha virado uma "profissional" e mamou exclusivamente ao seio durante 6 meses, como recomendado pela Organização mundial de saúde. Com o sucesso obtido na minha amamentação, passei a me interessar muito pelo assunto, participando de listas de discussão sobre o assunto na internet, comprando e lendo extensa bibliografia e fazendo cursos com os melhores profissionais do país. Juntando minha paixão pelo assunto à vontade fazer um trabalho voluntário, nasceu o projeto da Consultoria de amamentação.


PIT - Você acha que falta um melhor preparo de médicos e enfermeiras no trato com as mamães de primeira viagem?
BBN - Tenho certeza. Muitos médicos não tem tempo durante a consulta para pedir à mãe que coloque o bebê para mamar e observar se a pega está correta ou mesmo para ouvir as queixas desta mãe. Muitas enfermeiras acabam tornando-se profissionais de puericultura na marra, pois são as que dispõem de um pouco mais de tempo para ajudar as mães nas maternidades mas, apesar de sua boa vontade, às vezes lhes falta a "arte do aconselhamento". A mãe que está com dificuldades de amamentação não precisa ouvir novamente o quanto o leite materno é importante para o bebê. Ela já sabe disso e se chamou um profissional é porque precisa de ajuda e quer ser ouvida em suas queixas. Portanto, acho que o trabalho do psicólogo na amamentação é muito benéfico, pois podemos aliar nossos "ouvidos treinados" à maneira correta de abordar uma mãe que está passando por um momento de dúvidas e dificuldades.


PIT - Quais são as maiores dúvidas sobre a amamentação?
BBN - Geralmente as maiores dúvidas são sobre horários e padrões de amamentação. Também há muitas dúvidas sobre a pega correta (posicionamento do bebê frente ao corpo da mãe) e ordenha de leite. Sobre isso, o que tenho a dizer é: Mamães esqueçam o relógio! Seu filho precisa do leite materno, em livre demanda. Bebê tem fome de leite e também tem fome de carinho e aconchego. E não sabe contar horas... O maior segredo para se ter muito leite é deixar o bebê sugar o quanto quiser, a hora que quiser, o máximo de tempo possível. Amamentar é estar disponível, às vezes é cansativo, mas muito recompensador. E tudo passa tão rápido...!!!


PIT - Você também está envolvida com o CineMaterna. Como funciona este projeto?
BBN - O CineMaterna é um projeto fantástico de resgate social da mãe no pós-parto. A idealizadora, Irene Nagashima, cinéfila assim como eu, começou a sentir muita falta de suas sessões semanais de cinema, depois que teve seu bebê. Corajosamente, juntou um pequeno grupo de mães com bebês em punho, e resolveram enfrentar a 1ª sessão de um cinema qualquer, aquela que geralmente é mais vazia, às 14h. Primeiro a equipe do cinema tentou impedir, depois viram ali um potencial. Nisso, nasceu a ONG CineMaterna, que hoje já está em 6 cidades do Brasil, e inaugurando uma nova cidade a cada mês. Sou a coordenadora do projeto aqui no Rio de Janeiro e acompanho todas as sessões. Faço também a programação das sessões em todo o país e toda a parte de contato com o público. Os filmes são para entretenimento dos adultos, ou seja, mães, pais, avós, babás, quem quer que esteja cuidando de um bebê e louco de vontade de ir ao cinema. As salas são equipadas especialmente para receber essas fofuras, com ar condicionado mais fraquinho, luz levemente acesa, trocadores com fraldas, pomadas, tapetes de EVA para os maiorzinhos brincarem. E uma equipe maravilhosa de meninas para ajudar as mamães com suas enormes sacolas...


PIT - No que difere das sessões comuns de cinema, e em que cinemas acontece o CineMaterna?
BBN - As sessões CineMaterna tem uma sala especialmente preparada: o ar condicionado é mais fraco, a luz fica levemente acesa, trocadores são colocados estrategicamente à frente da tela, para que os bebês fiquem bem à vontade e as mamães não percam nenhum pedacinho do filme. Além disso, temos uma equipe preparada especialmente para receber estas mães e ajudá-las no que for preciso. No Rio de Janeiro as sessões CineMaterna acontecem semanalmente, às 5as feiras às 14h no Unibanco Arteplex Botafogo. Mensalmente, temos uma sessão aos sábados às 11h, para as mamães que já voltaram ao trabalho e para os papais que estejam também a fim de prestigiar. Em breve teremos sessões também no Cinemark Downtown.

PIT - Existe uma idade mínima e/ou máxima para os bebes irem ao cinema?
BBN - Não existe idade mínima... brincamos que depende da mãe, pois algumas conseguem passar calmamente pela fase angustiante do pós-parto onde nossa rotina resume-se a dar de mamar, botar pra arrotar, trocar fralda e botar pra dormir, já outras querem logo sair de casa e bater perna. Acredito que o bebê mais novo que já recebemos tinha 1 semana de vida e estes geralmente são os melhores, pois dormem e mamam a sessão toda, deixando a mamãe curtir o filme inteirinho. A idade máxima, geralmente dizemos que é 1 ano e meio, pois a partir desta idade os bebês já começam a entender o que aparece na telinha, além de fazer tanta bagunça que não permite às mães assistirem o filme com a calma necessária. Mas é claro que essa orientação varia de criança para criança, existem crianças de 1 ano que já não param quietas e outras de 2 anos que são mais calminhas.


PIT - Na sua opinião que benefícios este tipo de projeto traz?
BBN - O maior benefício de todos é mostrar às mães que existe vida além da extasiante rotina de mamar-trocar fralda-dormir!!! Só quem já foi mãe sabe como é angustiante ficar presa dentro de casa com um bebê. Sentimos saudades de ver a rua, encontrar outras pessoas, bater papo, tomar um café, e... ver um filme! Além de proporcionar um resgate dessa mãe recém-parida, que aos poucos está se acostumando à sua nova condição de responsável por um outro ser e, certamente, sente muita falta de seus momentos de lazer. Após a sessão, sempre nos reunimos no café, para bater papo, trocar idéias e corujar os bebês!


PIT - Você presenciou alguma historia interessante no Cinematerna que possa nos contar?
BBN - Várias! Primeiro porque acompanho o desenvolvimento de vários bebês, pois algumas mães são frequentadoras assíduas desde o início do projeto (abril/2009), então já vi crianças começando a andar, começando a comer, começando a falar... E isso é extremamente gratificante. Outras situações engraçadas são as mães chegando ao cinema, sempre tentando se equilibrar com bebê, sacolas, carrinhos... uma mãe de gêmeos lutando para conseguir comprar uma pipoca, crianças que esperam a gente abrir a porta da sala para sair correndo e fugir, enfim, são situações cômicas e únicas! Além disso, já tivemos comemoração de aniversário de mães e de bebês também na sessão CineMaterna. No blog CineMaterna http://cinematerna.blogspot.com/ temos várias situações inusitadas que já ocorreram aqui no RJ e também em outras sessões pelo país.


PIT - Bianca, obrigada por sua entrevista e deixe aqui o seu recado!
BBN - Gostaria de convidar a todos para conhecer o site do CineMaterna - http://www.cinematerna.org.br/ , onde podem encontrar maiores informações sobre nossas sessões, e as mães podem se cadastrar para votar nos filmes que querem ver e receber emails com a nossa programação. Também estamos no orkut, facebook e no twitter (@cinematerna), onde frequentemente atualizamos as informações da nossa programação, além de promoções.
Aproveito para encaminhar o folder com a divulgação dos meus contatos para o trabalho de consultoria em amamentação, lembrando que o serviço é gratuito e peço a todos que encaminhem para seus contatos, especialmente gestantes e mamães, para que eu possa atingir o maior número possível de pessoas beneficiadas. As consultas geralmente são domiciliares, mas também atendo chamados na própria maternidade. Também estou disponível para consultas com gestantes que eventualmente queiram tirar dúvidas ou saber algumas dicas de amamentação para prepararem-se melhor antes mesmo da chegada do bebê.
Meus contatos: bianca@balassiano.com.br (email e msn) / 8877 9834 (celular) / @biancabala (twitter).






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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Shalom!
O que a ciência e o meio ambiente tem a ver com arte?
Sandra Felzen mostre-nos, por favor!



PIT - Olá Sandra, bem vinda ao Papo em Comunidade!
SF - Oi Patricia, que bom participar do Papo em Comunidade!

PIT - Você é química com mestrado em ciências ambientais. Onde entrou a arte nesta história?
SF - Após me formar em Química, pela Universidade Hebraica de Jerusalém, retornei ao Rio de Janeiro. Eram os anos 70 e a questão ambiental estava começando a mobilizar as pessoas. Fui trabalhar na FEEMA (Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente - hoje se chama INEA) e foram anos muito intensos e de muito aprendizado. Em 1982, tive oportunidade de, a princípio, passar 1 ano em Nova York. Pedi uma licença não remunerada no trabalho e lá fui eu! Como não daria tempo de fazer um mestrado, resolvi estudar outros assuntos que sempre me interessaram, entre eles as artes plásticas. Tive a sorte de ter excelentes professores, entre eles, Avron Soyer, que me estimulou muito a seguir nessa minha nova descoberta. Além das aulas, eu estava imersa em um ambiente de muita arte, exposições, palestras e museus maravilhosos. Acabei ficando 5 anos em NY, estudando e pintando durante esse período todo. Depois de 3 anos, tempo máximo da licença, pedi demissão da FEEMA, mas mesmo assim terminei um mestrado em Ciências Ambientais no Polytechnic Institute of New York. Mas eu já estava tão envolvida com a pintura que meu orientador me deixou escrever "The Artist and His Studio: an environmental psychology approach" como trabalho de fim de curso. Em 1986 voltei para o Rio e decidi me dedicar inteiramente às artes plásticas.


PIT - O que você gosta de retratar nos seus quadros? O que te inspira?
SF - Provavelmente por meu envolvimento com a ciência e o meio ambiente, minha temática principal retrata a verticalidade dos troncos das árvores, cruzando um fundo de camadas horizontais de terra. Trabalho na fronteira entre o naturalismo e a abstração. Citando a crítica nova iorquina Graciela Kartofel, são trabalhos de análise e síntese sobre a árvore, a natureza, a terra, o primitivo, a vida.


PIT - Quais são suas influências?
SF - No início de meus estudos, acho que fui influenciada pelos pintores austríacos do início do século passado, como Klimt, Schiele, Kokoshka e artistas expressionistas como Edward Munch. Meu professor enfatizava muito a necessidade de ter um trabalho forte e expressivo. Em Nova York, tive oportunidade de conviver com as pinturas desses artistas.


PIT - Que tipo de material você costuma utilizar?
SF - As pinturas normalmente se iniciam com uma colagem ou costura de materiais sobre a tela, que a seguir é trabalhada com óleo e pastéis a óleo em um meio de cera fria, para criar uma grande variedade de texturas e cores.


PIT - Como é o seu dia a dia de trabalho?
SF - Tenho um ateliê que adoro na Rua Peri, no Jardim Botânico. Passo o dia lá, pintando, pensando, pesquisando, preparando alguma exposição ou trabalhando no Photoshop minhas gravuras digitais, que são impressões digitais de imagens baseadas em minhas pinturas. Esse ano também fiz um calendário judaico, publicado nos Estados Unidos pela Pomegranate.


PIT - Você já expos em vários lugares. Qual sua exposição inesquecível e por quê?
SF - Este ano, durante os meses de agosto e setembro, participei de uma grande exposição no Centro Cultural Correios. Expus 18 obras, resultado de mais de quatro anos de trabalho. A mostra, intitulada o “O Olhar do Outro”, foi fruto de uma parceria iniciada em 2005 com o artista plástico João Muller, ocasião em que ambos retornamos da Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Florença, na Itália. De volta ao Brasil, resolvemos romper o isolamento individual, inerente ao trabalho do artista, e iniciamos um diálogo crítico entre nossas obras. Essa troca foi muito rica para nós dois.


PIT - Como você vê a arte no Brasil?
SF - Apesar de ser muito difícil ser artista plástico no Brasil, novas portas estão se abrindo. No Rio de Janeiro, vários novos Centros Culturais estão sendo inaugurados, além dos excelentes que já existem. Falta o convívio de perto com o trabalho de artistas importantes da História da Arte, mas acredito que o Brasil será cada vez mais um grande pólo cultural e essas deficiências tenderão a diminuir.


PIT - Qual a sua dica para aqueles que querem se iniciar nas artes plásticas?
SF - Há que ter muita perseverança. A maturidade na arte vem com muitos anos de dedicação. É muito importante entrar em contato com sua própria expressão e linguagem. É essencial se aprender a ver, para poder ser expressivo. Desenho de observação é um início que fundamenta nosso aprendizado.

PIT - Sandra, obrigada por sua entrevista e deixe aqui o seu recado!
SF - Obrigada a você, Patricia. Gostaria de convidar a todos para uma visita ao meu ateliê, localizado na Rua Peri 125/202 no Jardim Botânico, Rio de Janeiro. É só telefonar antes para (021) 99711730. Vocês podem também visitar meu site: www.sandrafelzen.com.br. O calendário que mencionei acima está à venda, entre outros lugares, no Midrash Centro Cultural, no Leblon.






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