quinta-feira, 26 de junho de 2008




Shalom
Com fôlego de nadadora olímpica ela cuida dos filhos, do seu clube preferido e ainda faz política...
Com a palavra a vereadora Patricia Amorim!

PIT - Olá vereadora é uma honra tê-la aqui!
PA -
Obrigada pela oportunidade e quando precisar estou à disposição!

PIT - Várias vezes campeã e recordista sul-americana de natação. Seu início no esporte foi bem cedo, quando você decidiu ser uma atleta profissional?
PA -
Na verdade aconteceu naturalmente. A partir da prática da natação fui tendo um desempenho de destaque e a cada resultado focava no próximo objetivo. Fui crescendo e cada vez mais buscava alcançar e vencer meus objetivos. Assim fui até os Jogos Olímpicos de Seul, em 1988.

PIT - Nos anos 90 você parou de nadar. Como foi deixar a natação?
PA -
Muito difícil, aliás, é até hoje. O que eu mais amava fazer era nadar, era onde eu tinha mais sucesso. Mas a vida continua e hoje busco vitórias coletivas, diferente da natação que é esporte individual.

PIT - Das piscinas do Flamengo a Câmara de Vereadores. O que te levou a política?
PA -
Sou uma vereadora temática, trabalho pelo esporte e seu desenvolvimento pleno. Como ex atleta olímpica percebi que não era possível ser omissa com relação à ausência de uma política esportiva para a cidade. Também não era possível cruzar os braços perante a desvalorização do profissional de educação física e sua difícil realidade de trabalho nas escolas públicas. Minha candidatura surgiu a partir da necessidade do esporte carioca ter um representante legítimo. Muitos se utilizam do esporte para fazer política, eu me utilizo da política para desenvolver o esporte.

PIT - Qual o projeto de lei que mais se orgulha de ter realizado?
PA -
Apresentei um projeto de lei que dispõe sobre a gestão das Vilas Olímpicas Municipais. O projeto prevê que todas as atividades sejam ministradas por profissionais de Educação Física pertencente ao quadro efetivo do município. A exigência de concurso para os profissionais que atuam nos centros esportivos municipais visa a qualidade da gestão e a continuidade das atividades. O recente relatório do Tribunal de Contas do Município recomendou que o profissional de educação física que atua nas Vilas seja concursado. Também é importante lembrar que com a realização dos Jogos Pan-americanos, o esporte passou a ser mais valorizado. Este é o momento adequado para a implantação de uma política esportiva efetiva no Rio de Janeiro.

PIT - Como você vê o esporte no Brasil e em especial no Rio de Janeiro?
PA -
Desde o meu primeiro mandato pauto minhas ações nas demandas esportivas apresentadas pelo município do Rio de Janeiro, sejam elas do esporte de alto rendimento, do esporte escolar ou do esporte social. Neste sentido, algumas conquistas já prosperaram. Foi o caso da realização dos Jogos Pan-americanos, no Rio. Sem dúvida, o evento colaborou para aprofundar as discussões sobre o tema, dentro da Câmara Municipal. Também não tenho dúvida com relação ao poder que o esporte tem como importante ferramenta de inclusão social e de formação da cidadania. Até bem pouco tempo, o Brasil participava timidamente do complexo de interesses abrangido pelos esportes e os valores envolvidos não eram tão significativos. Mais recentemente, a atividade esportiva entrou numa fase de crescimento. Deixamos de ser meros expectadores e assumimos a posição de vencedores: campeões mundiais e campeões olímpicos em destacados esportes individuais e coletivos. Ainda que desordenadamente, estamos descobrindo e revelando novos talentos todos os dias. A criação do Ministério do Esporte representa o reconhecimento de sua importância e abre novas perspectivas. A Lei de Incentivos Fiscais para o esporte já é uma realidade e os investimentos no setor se intensificaram. Há espaço para crescer.

PIT - Você acredita que o esporte é a solução para muitos problemas sociais?
PA -
Temos que reconhecer que a realidade social do País, e em especial da nossa cidade, é inquietante. Somos reféns de uma sociedade desigual e violenta. O esporte, por suas características especiais, mais do que todos, pode e deve ser usado na cruzada pela inserção social. Ele é universal por envolver todas as classes sociais. Atrai investimentos e é democrático. O esporte não seleciona pela riqueza e sim pela habilidade. Projetos esportivos que vinculam o esporte social ao esporte de rendimento, que agregam valores como disciplina, vitória e derrota, respeito às regras e acima de tudo cidadania, representam uma política esportiva eficiente. Precisamos de uma política esportiva comprometida com a formação de novas gerações de atletas. É preciso coragem e ousadia para investir em longo prazo no esporte de base, na formação de novos praticantes e potenciais atletas. A inclusão esportiva que hoje priorizamos só será eficaz se formos capazes de proporcionar aos nossos talentos a possibilidades de desenvolvimento, crescimento e sustentabilidade.

PIT - Vereadora, vice de esportes olímpicos do Flamengo e mãe de 4 filhos. Como você consegue conciliar todos os afazeres? Podemos dizer que é fôlego de nadadora?
PA -
Sem dúvida, fôlego de nadadora olímpica! É muito complicado conciliar tudo isso, mas a cada dia passo a acreditar mais que é possível. Conciliar tudo é a primeira condição para que dê certo. Além disso, a minha equipe é como uma família, e se consigo ter sucesso, devo a todas as pessoas que acreditam, assim como eu, na força do trabalho sério.

PIT - A próxima meta é se eleger presidente do Clube de Regatas do Flamengo. Por que esta decisão? Se eleita, qual a sua principal meta no clube?
PA -
Primeiramente porque acredito na força do Flamengo como instituição e também por ser capaz. Hoje estou preparada para contribuir com o crescimento e o desenvolvimento do maior clube do mundo. Considero que atualmente o clube está abaixo da expectativa do sócio e do torcedor. Defendo o caminho da modernidade, aliado a força da tradição. Esse caminho pode fazer do Flamengo uma potência esportiva em todas as modalidades praticadas. Através da história que construí, do trabalho que desenvolvo e do amor e dedicação que tenho ao Flamengo, me considero uma das personalidades do clube (criada e formada na gávea) que pode unir os grupos existentes em prol do avanço.

PIT - Qual o seu maior sonho?
PA -
Meu sonho é poder continuar contribuindo com o desenvolvimento do esporte nacional, com a diminuição das desigualdades e com o meu Flamengo!

PIT - Muito obrigada por sua entrevista e deixe aqui o seu recado!
PA -
Este ano vamos ter eleições municipais. Não vamos ser indiferentes na escolha de nossos representantes. O grande diferencial será a responsabilidade social na hora de escolher um candidato. Busquem conhecer melhor os candidatos, sua história, e escolham aquele que estiver em sintonia com suas convicções. Todos os que são eleitos, o são através do voto, e isso quer dizer que você pode e deve escolher. Portanto procure não errar! Em outubro espero contar com o voto de confiança daqueles que, como eu, acreditam que a transformação social começa dentro de cada um de nós.
Um grande beijo!

ANUNCIE AQUI NO COMUNIPAPO

http://www.comunipapo.com.br/anuncie

quinta-feira, 19 de junho de 2008


Shalom!

Nada melhor do que festa! Mas já pensou no trabalho que dá para se organizar uma e em tudo o que pode acontecer?

Que tal um cerimonialista?

Com vocês... Roberto Cohen!

PIT - Olá Roberto! Muito legal tê-lo aqui no Papo em Comunidade!
Dentista de formação. Quando surgiu o Roberto Cohen cerimonialista?
RC
- Há 22 anos atrás, uma amiga precisava de apoio para a preparação de seu casamento. Esta sim, era uma amiga... Pois somente uma amiga depositaria em alguém nada experiente um dia tão especial como o de seu casamento. Aliás, até hoje somos grandes amigos e já fiz até a festa de 15 anos da filha dela! Daquela festa, onde tudo correu muito bem, brotaram novas propostas, mas isso só não bastou para me seduzir e fazer com que eu largasse o consultório. Foram necessários dez anos de trabalhos em paralelo até que um dia uma cliente de festas, entrou enganada em meu consultório... Era hora de parar!


PIT - Milhares de festas de todos os tipos. Alguma delas te marcou mais? Por quê?
RC -
Toda festa nos marca de uma forma ou de outra. Por sua grandiosidade ou por sua simplicidade funcional. Por sua originalidade ou por sua animação. Pela cultura diferente ou pela forma que fomos tratados pela família durante o percurso... Mas posso lembrar em especial das primeiras festas que fiz fora da coletividade, quando eu tremia muito por estar em um campo novo. Ou das recepções de grandes famílias quatrocentonas como os Matarazzo, Monteiro de Carvalho e Orleans e Bragança.


PIT - Você tem que estar constantemente “antenado” com as tendências e usar muito da criatividade. Qual a maior “piração” que você já executou em um evento?
RC -
Um banho de espuma que inundou a Villa Riso... Fogos na Praia de Copacabana ao estilo Reveillon... Escrever o nome da noiva em raio Laser no Pão de Açúcar...E outras que não posso contar (risos)!


PIT - Falando em “viagens”, algum(a) cliente já te pediu algo impossível de se fazer mas que você conseguiu realizar? Ou que você tenha vetado por não ter a ver com o contexto da festa?
RC -
Já me foi solicitado um Tigre Vivo no Copacabana Palace. Conseguimos, mas o Hotel vetou por achar inseguro... Vocês concordam?

PIT - O que faz uma festa ser sucesso ou fracasso?
RC –
SUCESSO: Manobristas, Boa Comida, Ar condicionado, Bebida Gelada, Comida quente, Boa música e banheiros limpos...
FRACASSO: Basta um destes itens não funcionar...


PIT - Durante estes anos você deve ter passado por muitas situações. Alguma história engraçada que possa contar?
RC -
Sim: Um noivo religioso e seus companheiros foram dançar no fundo do poço do elevador... Até descobrirmos onde estavam...
Um balde de Hering, feito e entregue pela própria dona da Festa, foi trocado por suas próprias secretárias por engano por um pote de salada de batata...
Desmaios no altar... Inúmeros!
A descoberta de uma mulher bêbada embaixo de uma mesa ao final de uma festa...
Enfim... Apenas alguns casos dos inúmeros ocorridos até hoje.


PIT - Você também é um blogueiro. Como é colocar o seu trabalho na internet e interagir com as pessoas virtualmente? Por que você decidiu pelo blog?
RC -
O Blog não foi idéia minha. Estava realizando o casamento de Priscila Azeredo, uma modelo brasileira com um armador grego, onde Diogo Boni era padrinho. Ele me assistiu trabalhando e me convidou a participar. Para dizer a verdade, ao chegar em casa, perguntei a minha filha Yael, "o que e blog?" (risos).
Gostaria de poder me dedicar mais a ele, pois sei que as pessoas adoram, mas no pico do trabalho e difícil...


PIT - O que você gostaria ainda de realizar?
RC
- Muita gente não acredita que eu REALMENTE me sinto realizado... Gostaria de poder ter um pouco mais de tempo para mim e de ter a certeza de que levarei minha filha ao altar... Gostaria de poder voltar a ver as pessoas no Rio de Janeiro andando despreocupadas...


PIT - Roberto, super obrigada por sua entrevista e deixe aqui o seu recado!
RC -
Muitos me perguntaram como tive a coragem de largar uma profissão tão convencional como a Odontologia e virar Cerimonialista...
Minha resposta : "NÃO IMPORTA O QUE FAÇA, FAÇA BEM E BEM FEITO! ISTO LHE TORNARÁ UM REALIZADOR E LHE TRARÁ PLENITUDE ! "

FORTE ABRAÇO!


* Para conhecer o blog do Roberto Cohen acesse: http://bloglog.globo.com/robertocohen/


ANUNCIE AQUI NO COMUNIPAPO
http://www.comunipapo.com.br/anuncie

quinta-feira, 12 de junho de 2008






Shalom!

Tive o prazer de conversar com Shirley Kohl e Adriana Zebulum, diretora e vice da Escola Eliezer Max, que me contaram sobre o trabalho da escola.

Reproduzo aqui a entrevista que pode ser lida também na Revista Menorá deste mês.

PIT - O que é qualidade de ensino para o Eliezer Max?
SK/AZ - Ensino de qualidade para o Eliezer Max é ter um projeto consistente e de conteúdo em relação a todos os aspectos que compõem o currículo escolar. Somos uma escola inteira, os alunos entram aqui pequenos, por volta de um, dois anos e caminham conosco até a entrada na universidade com 17, 18 anos. É uma grande responsabilidade para nós contribuir para que este aluno de fato se desenvolva em todas as esferas de sua vida, seja do ponto de vista cognitivo, que é da maior importância, do ponto de vista afetivo, emocional, social e moral. Estamos sempre nos aprimorando, oferecendo oportunidades de capacitação e atualização permanente a um corpo docente estudioso e muito identificado com o projeto do Eliezer Max. Todos os alunos visam a entrada na universidade e temos uma excelente história de aprovação nos vestibulares e no ENEM.


PIT -
Como o Eliezer Max se posiciona como escola judaica?
SK/AZ - Nosso judaísmo é um judaísmo plural que respeita as diferentes formas de ser judeu. Não somos uma escola religiosa ortodoxa, mas somos uma escola muito comprometida com aquilo que o judaísmo traz de mais essencial no sentido de formar um judeu, que possa carregar para a vida a sua judaicidade, que passa, necessariamente, pela responsabilidade social, pela rejeição a qualquer forma de discriminação, pelo respeito às diferenças: um judeu consciente de suas origens, que vivencia suas tradições, que está comprometido com sua comunidade, especificamente, mas também com a comunidade maior e que reconhece o Estado de Israel como um importante centro de vida judaica, pois de lá emana uma referência fundamental de pertencimento ao povo judeu.
Outro aspecto que marca a escola, em relação ao nosso judaísmo, é que não praticamos o judaísmo de exclusão ou de negação do outro. Praticamos um judaísmo que reivindica a sua diferença, a sua existência, mas que acredita que para existir também tem que respeitar o outro, tem que saber coexistir.


PIT - A Marcha da Vida está incorporada definitivamente como projeto adotado pela escola?
SK/AZ - Sim, hoje a Marcha da Vida faz parte do projeto pedagógico de nossa escola e a cada ano esperamos estar repetindo o feito de 2008, com participação consciente e entusiasmada de nossos alunos da segunda série do Ensino Médio. Consideramos a Marcha da Vida um projeto que vai fortalecer, ainda mais a identidade judaica de nossos alunos, seu sentimento de pertencimento ao povo judeu e seu compromisso com o passado, o presente e o futuro formando jovens que saibam se posicionar como segurança e embasamento histórico contra qualquer forma de violência, intolerância, discriminação.


PIT – Falando em marcha da vida, como a escola encarou o incidente na Polônia?
SK/AZ –
Este episódio pegou todo mundo de surpresa: a escola, os pais e os jovens. Apesar do susto os três jovens envolvidos no incidente se saíram muito bem. Podemos nos orgulhar da postura de nossos alunos e da compreensão dos responsáveis: “Ao longo dos anos conquistamos uma relação de parceria e confiança com a nossa comunidade de pais” diz, Adriana. E Shirley conclui: “Avisamos imediatamente os pais dos alunos envolvidos e tranqüilizamos os responsáveis dos outros 45 participantes da viagem. Este grupo foi muito especial, conseguiu tirar deste incidente uma lição de maturidade para suas vidas, não só os três envolvidos, mas o grupo como um todo, demonstrando capacidade de continuar a viagem pra Israel e aproveitar tudo que o programa Marcha da Vida tem a oferecer”.


PIT - Quais os grandes desafios da escola?
SK/AZ - Não abrir mão de ser uma escola que oferece projetos inteligentes em que o aluno desenvolve sua personalidade, sua capacidade de ter iniciativa, trabalhar em equipe, se apresentar em público, ser empreendedor e ainda ter ensino de alta qualidade, mantendo a nossa escola entre as melhores do Rio, com excelente aprovação nos vestibulares. Para isso, nossos profissionais usufruem de uma estrutura privilegiada com laboratórios, bibliotecas, auditórios, espaços e equipamentos modernos e de alta tecnologia.


PIT - Qual a marca da escola Eliezer Max?
SK/AZ - As relações democráticas entre pais, alunos, professores, enfim, entre todos aqueles que fazem parte da comunidade Eliezer Max. Temos uma história de formação de profissionais de destaque e de lideranças dentro e foram de nossa comunidade.
A comunidade Eliezer Max tem uma relação de amor e compromisso com o passado, o presente e o futuro de nossa escola.


ANUNCIE AQUI NO COMUNIPAPO
http://www.comunipapo.com.br/anuncie

quinta-feira, 5 de junho de 2008


Shalom!

O entrevistado de hoje diz em, sua mais recente composição, “Todo Mundo”, que “quem transforma um ambiente pela arte se estende”.

Tem dúvida disto? Então, conheça o multiartista Rodrigo Sha!


PIT - Olá Rodrigo! Muito legal você aqui no Papo em Comunidade!
RS
- Obrigado pelo convite!

PIT - Como começou o seu interesse pela música?
RS -
O meu interesse pela música começou desde criança, adorava escutar rádio. Comecei a ter aula de violão com seis anos de idade, mas depois de algumas aulas o meu professor sumiu! Então o violão virou mais um brinquedo do que instrumento. Com 12 anos meus amigos da escola começaram a tocar e aquilo me motivou muito a estudar música, a partir daí comecei a estudar sax e música em geral.

PIT - Compositor, cantor, multiinstrumentista. Você é “tudo ao mesmo tempo agora”? Como você se define?
RS -
Me defino como um músico que adora explorar várias sonoridades e gosta da música na sua essência; que é som!! Por isso vários instrumentos… a composição é onde vem a minha sonoridade completa, onde deixo registrada a minha assinatura como artista…cantar é a devoção final !!

PIT - O que você mais gosta: cantar, escrever ou tocar?
RS
- Eu não vejo essas ações tão fragmentadas, pra mim é tudo uma coisa só, uma me leva a outra… No momento tenho feito tudo no equilíbrio: cantar, escrever e tocar.

PIT - No seu mais recente CD “Todo Mundo” você se mostra mais como cantor e compositor. Como foi a concepção deste trabalho? Conte um pouco sobre ele...
RS
- Eu acho que o CD “Todo Mundo” é uma extensão do meu universo. Sempre transitei em vários projetos contemporâneos como; Bossacucanova, Brazilian Lounge , Live PA com DJs como Marcelinho Da Lua, Nado Leal, Plínio Profeta, Afro –Rio entre outros projetos ; e por outro lado sou um cidadão do mundo, adoro viajar a trabalho e a lazer, é onde eu me reciclo e me inspiro na vida… Sendo assim, é um CD que tem uma mensagem além da música; ele transmite através das letras: positividade, otimismo, transformação, espiritualidade, vida urbana, amor e por aí vai… e sua sonoridade é contemporânea, uso a textura eletrônica em vários momentos, misturando com ritmos brasileiros, entre outros, e suas melodias são totalmente universais. É um CD World Music !

PIT - Por que o título “Todo Mundo”? É um CD para todos?
RS
- Com certeza é para todos!! Eu preciso muito compartilhar a música com as pessoas! O título vem da mensagem do CD, que é : Todo mundo tem a “vê” ! A minha filosofia é de agregar, de somar, sem rótulos, regras ou julgamentos rasos… o mundo está num momento em que uma transformação de consciência é mais do que necessária; viva as diferenças!! Elas são belíssimas! Todas as culturas, religiões, seres vivos; todos têm sua função, espaço e missão nesse mundo!

PIT - Como é ser um artista pop que transita por todos os estilos?
RS
- É maravilhoso! Liberdade é tudo!!

PIT - Você também faz parte dos Roncadores um projeto onde saxofones estão em primeiro plano. Vocês costumam se apresentar ou fazem só participações especiais?
RS
- Os Roncadores é um projeto que a gente curte muito fazer, pois nós três (eu, George Israel e Gustavo Contreras) além de tocarmos sax, somos uma família que se curte e adora fazer essa performance. No momento só apresentações especiais.

PIT - Falando em projetos, algum novo que possa adiantar aqui?
RS
- O que posso adiantar é o CD promo de remixes que vai sair agora. São três remixes do CD “Todo Mundo”; um produzido pelo Marcelinho Da Lua , outro pelo Nado Leal e Fábio Santana e outro pelo produtor e DJ Americano Erick Paredes. Vem também com uma versão voz e violão de “Só da vontade de viver”. Aguardem!

PIT - O que ainda falta fazer?
RS
- Muuuuuuuuuuuuuita coisa !!!!!!!!

PIT - Super obrigada por sua entrevista e deixe aqui seu recado!
RS
- “Não existe passado nem futuro, simplesmente o agora”!


PS - para conhecer mais sobre o entrevistado acesse:

www.myspace.com/rodrigosha ou www.rodrigosha.com



ANUNCIE AQUI NO COMUNIPAPO

quinta-feira, 29 de maio de 2008


Shalom!

O Papo de hoje é com alguém que não vive sem escrever e seus textos já lhe renderam vários prêmios.

Com vocês a escritora Miriam Halfim!

PIT - Advogada, pesquisadora e escritora. Como podemos definir Miriam Halfim?
MH -
Já estive professora; voltei a ser, para jovens carentes. Acabo de colocar um filho de porteiro na UERJ através de esforço dele e aulas particulares (minhas) gratuitas. Vi, com emoção, o jovem aprender a concatenar idéias numa redação, a compreender e criticar textos que lia, a abrir os olhos para a Educação e um futuro melhor. Até quando lido com gente estou pesquisando. Pesquiso sempre. O mestrado em Literatura Inglesa aprimorou a curiosidade infindável que sinto pela cultura em geral e por gente. A leitura sem fim acabou escorrendo por entre os poros. Escrever transformou-se numa necessidade espiritual. Não vivo sem escrever todos os dias, mesmo que uma linha de algum texto em andamento.


PIT - Quando surgiu este interesse em escrever?
MH -
Desde bem pequena, meu avô materno lia histórias para mim, geralmente de cunho judaicas, que era o que ele conhecia e amava. Crescendo, abri o leque de opções e li tudo que me caía às mãos, até me especializar na literatura inglesa, uma paixão na universidade. Sem esquecer as outras literaturas, que continuo ávida por livros. Ensinava meus alunos a lerem 50 páginas por dia. Faço igual. Mesmo assim, é certo que não se consegue ler 10% do que vale a pena, em toda uma vida.


PIT - "Senhora de Engenho, Entre a Cruz e a Torá", ganhou o primeiro lugar do Prêmio Literário da cidade do Recife, em 2004. Conte para nós como surgiu a idéia deste livro e qual foi sua reação com este prêmio? Por que você decidiu escrevê-lo como texto teatral?
MH -
O teatro está no sangue. Morei e acompanhei a carreira de minha tia Berta Loran, uma mulher incansável, ativa e bem humorada aos 82 anos. Escrevo teatro, mas também contos. E transformo teatro em romance ou conto, e vice-versa, um exercício que aprendi com um ex-professor. Fiquei feliz com o prêmio do Recife, aliás, o quarto que recebi de Pernambuco. Os outros 3 foram segundo e terceiro lugares. Vale dizer que Pernambuco é o berço dos marranos no Brasil. Branca Dias e sua família viveram mesmo no Recife, em meados do século XVI. A colônia era a mais importante do país e até a saída dos holandeses floresceu com vigor. Como o estado possui um belo arquivo histórico, e uma crônica encantadora, busquei lá inspiração para alguns textos. Senhora de Engenho fluiu como teatro e deu certo. Como Ana de Ferro, Bento Teixeira e Empinando Papagaio (este é sobre meninos de rua, o único que não se liga a Pernambuco, mas ao país como um todo).


PIT - Você tem vários textos teatrais. Você acha que o texto representado é mais difundido e melhor compreendido entre as pessoas?
MH -
Tenho mais de 30 textos teatrais. Oito premiados (primeiro lugar e/ou outras classificações) e quatro encenados. Um texto teatral deve fazer rir ou chorar, aprendi com João Bethencourt. Um texto que deixa o espectador sair do teatro como entrou não vale a pena. O problema é que o teatro depende de valores maiores que um romance editado. Por outro lado, o teatro atualiza a experiência da folha de papel. Você vê a cena, assiste ao conflito, e num espaço curto de tempo, se comparado ao tempo de leitura. O que não afasta o valor de um bom livro. Ler um bom livro é essencial. Assistir a um bom teatro é igualmente importante. É a sofisticação da cultura.


PIT - Suas temáticas geralmente abordam situações judaicas. Por que esta escolha, você acha que este é um “terreno fértil”?
MH -
Eu escrevo sobre costumes em geral. Tenho várias peças de temas judaicos (é meu terreno, no qual piso diariamente), alguns textos sobre lésbicas e gays, outros sobre prostituição, sobre velhice, infância, sobre negros, sobre qualquer coisa que me atraia a atenção. Meu mestre de drama dizia que eu escrevia com compaixão pela miséria humana. Observo pessoas e as idéias vêm. Só se escreve sobre o que se conhece muito bem, ou sobre o que se pesquisa profundamente. É como trabalho.


PIT - Entre os seus textos, qual deles te deu maior prazer ou orgulho de escrever? Existe um preferido?
MH -
Cada texto é um novo prazer. Por certo, a premiação de um deles traz orgulho. É como se minhas palavras ecoassem nos corações dos jurados. Não há textos preferidos, mas existem os que não "estão" definitivos. E é certo, os que são pinçados por seu valor nos dão alegria. Mauro Rasi, outro grande dramaturgo, ex-cliente e leitor de texto meu, decretou que eu seria póstuma. A idéia não é confortável, pois é melhor ver um pouco do resultado de seu trabalho em vida.


PIT - Você é sócia-titular do Pen Club. Como funciona esta associação?
MH -
O Pen Clube tem associados que são convidados e votados para fazerem parte de seu quadro. Trabalha pela liberdade de pensamento, pela valorização da Cultura, e tem em seus quadros membros da ABL e pessoas que se destacaram nas Letras e nas Artes em geral. Em janeiro de 2007, a professora Bella Jozef me telefonou dizendo que estava na hora e havia sugerido meu nome ao Pen Clube. Pediu meu currículo e exemplar de livros que eu publicara. Alguns meses após ela me ligou dizendo que meu nome havia sido aceito e eu tomei posse aos 28 de maio daquele ano. O Pen Club tem uma programação muito interessante e sempre de alto nível cultural. É um patrimônio a ser cultivado.


PIT - O que podemos esperar de novidade?
MH -
Estou fazendo pesquisas há um ano, mas aprendi com meu falecido mestre João Bethencourt a não falar sobre uma peça antes de terminar a primeira versão, pelo menos. E pretendo montar uma peça muito em breve. E como o que o homem realmente deseja, nada impede de acontecer, é só esperar.


PIT - Muito obrigada por suas palavras e deixe aqui seu recado!
MH -
O orgulho de pertencer ao povo judeu vem da certeza de fazer parte de uma nação ligada ao Humanismo, à Educação, ao respeito pelo outro. Por isso, mesmo que algum judeu me desiluda, o Judaísmo sempre me encantará. Shalom.


.
ANUNCIE AQUI NO COMUNIPAPO

quinta-feira, 22 de maio de 2008


Shalom!

Um jovem jornalista que saiu de São Paulo para viver em Israel e hoje trabalha como correspondente de vários veículos.

Com a palavra, Gabriel Toueg!

PIT - Olá Gabriel! Muito legal conversar com você aqui no Papo em Comunidade!
GT
- Obrigado e parabéns pelo blog, está bem bacana!


PIT - Para começar.. Apresente-se!
GT
- Apresentar-me? Tarefa difícil falar de si mesmo..! Vamos lá! Sou jornalista, tenho 29 anos e meio (o "meio" é coisa de israelense, aqui a idade se mede de seis em seis meses!) e vivo há quase quatro anos em Israel. Estou em Tel Aviv desde junho do ano passado, e antes morei em Jerusalém por três anos. Meu pai também está em Israel, há menos tempo, com o meu irmão de seis anos (e meio!) Minha mãe e minha irmã (que estuda Medicina em Campinas e termina no fim deste ano) moram no Brasil. Sou apaixonado pelo jornalismo (é mais certo dizer isso do que simplesmente que "sou jornalista"!) e trabalho "na área" há bem mais de dez anos. No Brasil, fiz várias coisas relacionadas - assessoria de imprensa, reportagem, edição... E trabalhei na imprensa judaica - no melhor e no pior da imprensa judaica brasileira... Hoje faço frilas para vários veículos na imprensa brasileira e sou correspondente da Rede Eldorado de rádio. Na imprensa judaica, escrevo para a Dezoito, do Centro da Cultura Judaica. Aqui em Israel trabalho há menos de um mês na empresa que toca os canais Viva, que exibe telenovelas brasileiras e de outros países latino-americanos. Sou o sub-editor de um site bem bacana que vai ser lançado nos próximos meses.

PIT – Falando em imprensa judaica, você foi editor da revista Aleinu. Uma revista jovem voltada para a comunidade judaica, que infelizmente acabou. Você pensa em algum dia voltar a fazê-la ou algum outro tipo de veículo de comunicação?
GT
- Fui não apenas o editor, mas o criador - junto com um amigo, que era meu sócio à época - e o financiador daquela brincadeira de gente grande. Quis fazer algo que não existia e não existe (e, na minha opinião, nunca vai existir!) na comunidade - um veículo sério, mas com um tom informal, voltado para os jovens judeus brasileiros. A idéia inicial não foi minha. Mas eu trabalhei bastante, com várias outras pessoas (quando eu lancei o primeiro e único número impresso, em dezembro de 2000, cerca de cem pessoas colaboravam, em várias cidades do Brasil, em Israel e em várias partes do mundo, escrevendo, desenhando etc). A revista em papel acabou rápido porque eu não tinha fôlego financeiro para dar a ela a continuidade que merecia e porque não achei patrocinadores dentro da comunidade - é difícil conseguir fazer um veículo sério com apoio se você não está disposto a fazer fofoca e contar quem casou com quem, quem fez barmitzvá ou quem nasceu. E essa não era a minha idéia. A revista foi muito bem aceita. Eu costumava dizer que ela recebeu muito verbo e pouca verba. Como sou um idealista incansável nas coisas em que acredito, continuei com a versão virtual da revista por mais alguns anos, até fazer aliá. Hoje não penso mais em retomar essa idéia - me frustrei muito com a forma como tudo aconteceu mas não mudaria minha disposição de fazer um veículo sério só para conseguir um patrocinador que exigisse propagandas pessoais e fofocas. Prefiro me dedicar hoje a veículos fora da comunidade, que é o que venho fazendo, daqui de Israel, como correspondente, praticamente desde que cheguei.

PIT - De São Paulo para Israel. O que te levou a fazer aliá? O que você diria para quem pensa em morar em Israel?
GT
- Eu diria o que digo sempre: "pense mil vezes antes". Já cheguei a acreditar que todo judeu deveria morar em Israel. Esse pensamento, contudo, mudou depois que eu mesmo me mudei para cá. Israel não serve para todos. O estilo de vida aqui é bem diferente do que levamos no Brasil e é um erro acreditar que a cultura judaica e a cultura israelense são a mesma coisa - não são nem de longe! Viver em Israel significa abrir mão de muitas coisas que podem ser importantes e até essenciais na vida de uma pessoa, como o idioma, a cultura, a comida e principalmente as pessoas. Pode ser, claro, a realização de um sonho, de um ideal. Eu fiz aliá por sionismo acima de tudo. Acho que se não for dessa maneira, melhor não fazer. Já vi muita gente voltando porque não era bem o que imaginava para si ou porque foi ludibriado pelo departamento de aliá da Agência Judaica. Na semana passada eu recebi uma propaganda de um programa deles. No email, aparecia algo como "a sua oportunidade de mudar de vida". Eles vendem Israel como se vendessem um apartamento em um condomínio de luxo! Não pode dar certo...! E o resultado é óbvio: gente frustrada e que volta correndo pro Brasil. Dos 12 brasileiros que vieram comigo, oito já estão de volta... Tenho certeza de que muita gente na Sochnut vai desgostar da minha teoria, mas essa é uma das vantagens de viver em um país absolutamente livre...

PIT - Você trabalha no Arutz Viva, que leva as novelas latino-americanas para Israel. Como é a recepção das novelas brasileiras pelos israelenses? O que você ouve as pessoas comentarem?
GT
- As novelas brasileiras (e, na verdade, quase tudo que é brasileiro!) têm muito boa aceitação aqui. Quando eu morei em um kibutz, antes de fazer aliá, durante seis meses, a diretora do ulpan me perguntava qual era o final da novela brasileira que estava no ar - nem me lembro mais qual era... A cultura latina, de forma geral, provoca certo fascínio entre os israelenses. Temos fama de "calientes" e a fama tem muito a ver com isso. Muitos israelenses aprendem português e espanhol acompanhando as novelas! Ah, vale dizer que muitos israelenses (e muitos árabes em Israel, principalmente!) torcem pelo Brasil nas Copas!


PIT - Além deste trabalho você é correspondente da rede Eldorado. Você já passou por alguma saia justa? Qual a maior dificuldade de um correspondente?
GT
- Saia justa? Não passei por saias justas, mas já tive algumas "aventuras", como durante a Segunda Guerra do Líbano. Eu ainda não trabalhava para a Eldorado formalmente, mas fiz na época alguns boletins para eles. Em uma ocasião, estava em Sha'ar Yishuv, um local muito próximo da fronteira. Estava conversando com jovens de lá, perguntando a eles se não tinham medo etc. Eles, fumando narguila, fazendo piada de toda aquela situação... De repente, o apito característico de quando um projétil está a caminho e um estrondo. Mesmo eles, que se diziam acostumados, ficaram visivelmente assustados e saíram correndo para os abrigos que têm em casa. Em vez de entrar em um abrigo, corri para um lugar alto, liguei para a rádio e entrei ao vivo. Coisas assim, essa adrenalina e a sensação de poder, com apenas um telefone, dar a sensação do que estou vivendo é o que me estimula mais no jornalismo! E a rádio é o único veículo que permite essa velocidade - nem a internet, que alcança mais lugares, é tão rápida, porque um texto precisa ser escrito antes de ser publicado, enquanto o rádio permite o improviso ao vivo. Dificuldades de ser correspondente? Eu diria que é difícil ser correspondente brasileiro e fazer as pessoas entenderem que também o nosso país tropical tem importância no mundo. Duas coisas aí - uma é uma pergunta recorrente que eu ouço de gente que fica sabendo do meu trabalho: "Mas interessa para os brasileiros o que acontece em Israel?" A segunda, uma falta de interesse entre porta-vozes de ajudar a realização do meu trabalho. Já perdi uma entrevista com o Shimon Peres porque a assessoria não julgou importante que o presidente falasse à imprensa brasileira. E uma vez fui chutado de um local onde estava fazendo uma reportagem porque no mesmo dia o assessor de imprensa da Sochnut tinha levado um grupo de jornalistas norte-americanos e não queria ver um sujeito que não tem a mesma importância que eles... Coisas assim!


PIT - Você participou da Marcha da Vida. Como foi a experiência? O que você acha deste projeto?
GT -
Acabei de voltar da Polônia, para cobrir para a revista Dezoito a participação dos jovens brasileiros de escolas judaicas na Marcha da Vida. Infelizmente, porque tenho uma porção de outros compromissos, não pude participar de toda a experiência da Marcha e não estive em lugares simbólicos como Treblinka ou Majdanek. Pretendo voltar. A verdade é que essa viagem deveria ser feita por cada ser humano para entender a dimensão do horror. O que mais me impressionou quando visitei Auschwitz e Birkenau foi a forma industrial e metódica desenvolvida pelos nazistas para matar. A imagem que mais me marcou, acho, foi a de uma sala no que hoje é o museu de Auschwitz onde estão conservados os fios de cabelo cortados dos prisioneiros que chegavam ao local - uma montanha imensa de cabelos, de cores diferentes, com tranças... Fiquei estático diante daquilo e muito comovido. Fiquei, na verdade, impressionado com a forma como os nazistas tiravam dos seres humanos tudo que diferenciava um do outro - dos cabelos aos pertences (sapatos, óculos, malas etc). Acho o projeto de levar jovens de 16, 17 anos para a Polônia admirável. Nenhuma aula, nenhum curso - por mais completo e extenso que seja - pode dar a dimensão que essa visita dá sobre o Holocausto. E na verdade o que vi nesse ano especial do evento - o vigésimo desde a criação - foi como sobrevivemos (como seres humanos, mais que como judeus) ao horror. Foi muito marcante reparar como aqueles jovens muitos deles netos de sobreviventes, voltaram cheios de vida e caminharam para lembrar e mostrar que nem o Holocausto conseguiu acabar com o judaísmo, apesar de ter sim feito um estrago imenso.

PIT - Sobre a situação de Israel, como os jovens israelenses vêem o conflito, a violência? Em sua opinião é mais seguro viver no Brasil ou em Israel?
GT -
Sem dúvida é mais seguro, bem mais seguro, viver em Israel. Quem disser que aqui não existe criminalidade é ingênuo ou mentiroso. Há, sim. Duas pessoas que eu conheço tiveram as casas invadidas e objetos roubados. Eu mesmo já fui roubado em Jerusalém. Mas nada se compara com a sensação que existe no Brasil de que devemos viver atrás de grades ou dentro de carros blindados para parecer que estamos seguros. Uso sempre um exemplo para ilustrar a situação no Brasil. Minha mãe e minha irmã moram em Campinas (que não é grande nem tem a criminalidade de São Paulo) em uma casa grande, em que outras onze estudantes de faculdades também vivem. Quando elas precisam entrar ou sair e está escuro, têm antes que ligar para uma empresa de segurança que envia uma viatura e espera até que tudo esteja trancado. Quem acha isso normal (e a maioria dos brasileiros já se acostumou com situações assim) tem um sério problema. Em Israel isso não existe. Pode ser que exista, sim. Mas hoje eu me sinto muito mais seguro aqui do que no Brasil. Quando estive em 2006 em São Paulo, pela primeira vez depois de fazer aliá, depois de um ano e meio morando em Israel, tive medo de andar na rua, de tomar ônibus. A gente só se dá conta da dimensão dos riscos quando se afasta deles e tem novas referências. Tenho muita saudade do Brasil e gostaria que meus filhos crescessem onde eu mesmo cresci. Mas tenho medo de criar filhos em uma realidade dessas. Com relação aos jovens israelenses, é difícil dizer como eles vêm o conflito e a violência de uma forma geral. Embora os israelenses sejam muito ligados ao que acontece por aqui (e isso é compreensível porque todos vão para o Exército, todos conhecem alguém que morreu em algum atentado...), existe muita gente apática. Essa apatia, no meu ver, é resultado em grande parte da pressão que a situação acaba exercendo sobre as pessoas. O israelense não agüenta mais ouvir sobre conflito, terrorismo, coisas assim. Coloca numa panela um país pequeniníssimo, cercado de inimigos, riscos enormes à existência e tudo isso em um período de tempo curtíssimo. O resultado não pode ser outro. É por isso que Israel é recordista em número de acidentes de trânsito, por exemplo.


PIT - Super obrigada por sua entrevista e deixe seu recado! O espaço é seu!
GT –
Obrigado pela oportunidade. Aproveito para desejar a você feliz aniversário. Quanto ao meu recado, acho que já dei, né?


ANUNCIE AQUI NO COMUNIPAPO

quinta-feira, 15 de maio de 2008


Shalom!

A circuncisão marca a aliança do povo judeu com D-us, mas além da questão religiosa, ela traz muitos benefícios à saúde. Para esclarecer melhor o assunto, o Papo de hoje é com o mohel e urologista Dr. Paulo Gabriel.

PIT - Olá Dr. Paulo bem vindo ao Papo em Comunidade!
PG -
Obrigado Patrícia, é um prazer ser novamente entrevistado por você!


PIT - Você além de urologista é mohel. Qual a função e importância do mohel? É necessário ser médico?
PG
- Mohel é um judeu, perito nas leis e técnicas da circuncisão, ao mesmo tempo, um judeu praticante e cumpridor das leis, não necessariamente um médico. Porém o fato de ser médico e urologista permite ao mohel tranqüilidade para prevenir, identificar e corrigir possíveis complicações relacionadas à circuncisão. O mohel é muito importante, uma vez que ele realiza a mais importante das mitsvot juntas, que é o brit-milah, a iniciação do judeu do sexo masculino, na qualidade de integrante pleno do povo judeu, em obediência ao segundo dos 613 mandamentos da Torah.


PIT - Como surgiu seu interesse por este assunto?
PG -
O interesse pelo brit-milah, a fé, a minha religiosidade a minha freqüência na sinagoga no minian, pela continuidade do povo judeu, associados ao fato de ser cirurgião e urologista me despertaram o desejo de ser mohel.


PIT - No judaísmo a circuncisão chama-se Brit Milá. Qual a diferença do brit e da milá?
PG
- Brit-milah significa aliança da carne ou pacto da circuncisão ou corte.
Brit é a aliança (as rezas,os rituais) milah é o corte propriamente dito.

PIT - Qual o fundamento religioso da circuncisão?
PG
- É o selo da aliança, através do qual reconhecemos Deus e nos comprometemos com sua palavra e seus mandamentos, desta forma nos tornamos sagrados e recebemos suas promessas de vida e fertilidade.
E nos conectamos com a corrente que une virtualmente todos os homens judeus desde Avraham Avinu até nosso filho.


PIT - Quais os benefícios da circuncisão?
PG -
A circuncisão nos oferece muitos benefícios:
a - praticamente elimina a chance do aparecimento do câncer de Pênis,
quando é realizada no recém-nato.
b - crianças circuncidadas têm 20 vezes menos chances de desenvolver
infecção do trato urinário do que as não circuncidadas.
c - ajuda a proteger contra infecções fúngicas, bacterianas ou parasitárias.
d- impede o aparecimento de parafimose e fimose .
e -Homens NÃO circuncidados tem 4 vezes mais chance de tornar-se
soropositivo (HIV) e 2 vezes e meia mais chances de desenvolverem
úlceras genitais do que homens circuncidados .
f - diminui a incidência de câncer de colo de útero em mulheres de
homens circuncidados .
g - diminui a incidência de dano ("estourar") ao preservativo durante a
relação sexual .

PIT - Há alguma idade ideal para se fazer a circuncisão?
PG
- Caso a circuncisão não tenha sido realizada no recém-nato, os casos
devem ser examinados individualmente de acordo com a indicação:
a - religiosa
b - médica


PIT - Existe alguma regra para um adulto que queira fazer este tipo de cirurgia? Quais as indicações clínicas básicas para este tipo de procedimento? Existe alguma contra-indicação?
PG
- As orientações são: para adultos, exames pré-operatórios
indicações: fimose / infeçcões fúngicas de repetição ("candidíase masculina") excesso de prepúcio .
contra-indicação : diabetes descontrolada .


PIT - Você tem algum caso interessante para contar?
PG
- me lembro de uma circuncisão que a mãe e a avó disseram que estavam
muito nervosas com o brit-milah e que iriam dar uma volta no quarteirão enquanto eu fazia o bris. Eu fiz o bris, o curativo e o pai colocou o filho para dormir, fiquei conversando com o pai, e após 40 minutos elas retornam "meio de pileque", todos riram...

PIT - Muito obrigada por suas explicações e deixe aqui seu recado!
PG - Obrigado a você Patrícia. Deixo meus telefones de contato: celular: 9994-4220 e consultório: 3852-5435.





ANUNCIE AQUI NO COMUNIPAPO