quinta-feira, 11 de março de 2010

Shalom!
Dizem que filho de peixe, peixinho é...
Eis aqui um exemplo: luz, câmera, ação:
Daniel Barcelos Jaimovich!



PIT - Olá Daniel, bem vindo ao Papo em Comunidade!
DB - Prazer por estar neste Papo! Rs

PIT - Você nasceu e cresceu numa família de atores. Atuar foi um processo natural?
DB - Sim...Frequento estúdios desde pequeno, e a mágica de ver meus pais nesse mundo fascinante influenciou completamente...

PIT - Seu pai Jaime Barcelos Z”L foi o marcante Dr. Ezequiel Prado na novela Gabriela. Você chegou a contracenar com ele em algum trabalho?
DB - Realmente Dr. Ezequiel foi um marco e sendo a primeira novela brasileira a ser exibida em Portugal, ele foi rei do carnaval de Mealhada em 1978. Fui dirigido por ele numa peça do Tchecov e fui seu assistente em 1980 numa excursão por quatro capitais brasileiras no seu curso para atores...pena... não deu tempo.

PIT - Qual personagem mais te marcou?
DB - No teatro: Peer Gynt do Ibsen, é a saga de um herói. Tive o prazer de protagonizar essa bela obra do teatro universal. Na TV está reprisando um grande sucesso, “Alma Gemea” onde vivi o advogado Dr. Ermelino (advogado do Raul – Luigi Barricelli).

PIT - Qual o maior desafio para um ator no Brasil?
DB - Rs... Sobreviver apenas dessa profissão. Trabalho há sempre, mas a remuneração não tem critério em nenhum veículo seja teatro, cinema, TV ou publicidade. Tempo de Carreira? Credibilidade? Respeito? Não são moedas....

PIT - O que te dá mais prazer: TV ou teatro?
DB - O bom trabalho. Até 30 segundos de um comercial de TV pode ser extremamente prazeroso na qualidade.

PIT - Que papel você sonha em fazer?
DB - Um texto bem escrito sempre ajuda...comedia ou drama, sem preconceitos. Sonho com esses grandes textos, inéditos ou não.

PIT - O que você gostaria ainda de realizar?
DB - Projetos sociais educativos, em hospitais como já fiz... Atuações em mais filmes (este ano estarei em “As vidas de Chico Xavier”) e muito, muito mais!

PIT - Você costuma ministrar cursos de atuação? Onde?
DB - Sim...agora a partir de março estarei dando uma oficina para crianças no Clube Guanabara.

PIT - Daniel, obrigada por sua entrevista e deixe aqui o seu recado.
DB - Corram a frente dos sonhos... Pratiquem a ousadia, persistam! A chance de prosperar será maior e amem a vida cada dia!

Jaime Barcelos Z'L em Gabriela

Descubram onde está o Daniel Barcelos











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quinta-feira, 4 de março de 2010

Shalom!
Uma voz surpreendente que conquistou o mundo!
Com vocês, no Papo de hoje, Ithamara Koorax!


PIT - Olá Ithamara, bem vinda ao Papo em Comunidade!
IK - Olá Patricia!

PIT - Cantora consagrada, você recebeu prêmios lá fora, saiu em capas de revistas, foi reverenciada. Como se deu a construção da sua carreira?
IK - A carreira não foi "construída", ela simplesmente foi acontecendo da forma mais natural e espontânea possível. E até demorou a começar, porque só decidi me tornar cantora profissional em 1990, quando me separei. Até então era "dona de casa", embora sempre apaixonada por música. E isso eu devo à minha família, porque minha mãe era cantora lírica e meu pai adorava jazz. Eles vieram da Polônia, fugindo da Segunda Guerra. Tive quatro tios, por parte de pai, que foram assassinados em campo de concentração. Ele foi o único que conseguiu escapar, e aí conheceu a minha mãe em São Paulo, onde se casaram. Depois foram morar em Niterói, onde nasci e comecei, aos quatro anos, os estudos de música. Aos 12 eu já estava formada em piano, teoria e solfejo. Hoje, quando vejo a dimensão internacional que a minha carreira tomou, chego a tomar um susto. Me sinto abençoada porque jamais sonhei que pudesse alcançar uma fama mundial. Isso só me faz continuar estudando cada vez mais, não apenas porque o reconhecimento gera uma "cobrança", mas também porque preciso fazer jus aos que me apoiaram e apostaram em mim.


PIT - O que você ouvia quando criança que a fez despertar o interesse pela música?
IK - Ouvia muita música clássica, principalmente ópera, junto com jazz e MPB. Adorava Elizeth Cardoso, Tom Jobim, João Gilberto, Chico Buarque, Stellinha Egg, Vanja Orico, Elis Regina, Simone, João Donato, Hermeto Pascoal. Na área do jazz eu ouvia muito Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan, Flora Purim, Chet Baker, Miles Davis, além de cantores como Tony Bennett, Frank Sinatra, Barbra Streisand. E ainda era apaixonada por um grupo de rock chamado Blood, Sweat & Tears. Coincidentemente ou não, mais tarde Elizeth Cardoso se tornaria minha madrinha artística, Tom Jobim gravaria comigo e, agora, acabo de lançar um disco em homenagem a João Gilberto. Fora isso, toquei e gravei com muitos ídolos como Hermeto, Donato, Luiz Bonfá, Dave Brubeck, Claus Ogerman, John McLaughlin, Gonzalo Rubalcaba, Marcos Valle, Dom Um Romão, Mario Castro-Neves e Eumir Deodato.

PIT - Sua técnica é única, e sempre elogiada pelos críticos, principalmente pelos agudos. Você é autodidata ou cursou alguma escola?
IK - Além dos estudos de canto, piano e teoria musical durante a infância e a adolescência, até hoje eu continuo fazendo aula de técnica vocal, três vezes por semana. Faço muitos shows, praticamente posso dizer que moro em avião, então eu preciso estar em forma. É como um jogador de futebol ou qualquer outro desportista. Não existe craque se não houver disciplina. E estou sempre fazendo ginástica também, inclusive girotônica e natação.

PIT - O CD “Serenade in Blue” foi a porta de entrada nos EUA. Conte para nós como foi.
IK - Em 1994, eu já tinha ganhado prêmios importantes no Brasil, como o da APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte) e o Prêmio Sharp, que na época era uma espécie de Grammy brasileiro. Havia também gravado músicas para várias trilhas de novelas da TV Globo, lançado um disco aclamado pela crítica e realizado três excursões pelo Japão. Comecei a sentir que o mercado brasileiro estava muito ruim, dominado pelo pagode e pela falsa música sertaneja. As propostas das gravadoras eram péssimas, até axé queriam que eu gravasse. Ao mesmo tempo, começaram as viagens para a Europa, especialmente para Londres, onde travei contato com hip-hop, acid-jazz, drum & bass, e vi que havia um campo muito bom se abrindo para mim. O coroamento veio em 1998, com uma temporada triunfal ao lado do baterista Dom Um Romão no clube Jazz Café, de Londres, e o lançamento do CD "Bossa Nova Meets Drum & Bass". Mas eu permanecia desconhecida nos EUA, nunca havia sido sequer citada pelas revistas de lá. Até que o selo Milestone me ofereceu um contrato e lançamos o "Serenade in Blue" que me abriu as portas do mercado norte-americano em 2000, porque tinha várias músicas cantadas em inglês que tocaram muito nas rádios. Desde então os EUA se tornaram minha base artística.

PIT - Quais são as suas cantoras ou cantores prediletos? (no Brasil e no mundo)
IK - Além dos que eu já citei, ouço muito Shirley Horn, Betty Carter, Diana Krall, Cassandra Wilson, Chaka Khan. Mas aprendo muito ouvindo instrumentistas, principalmente guitarristas e trompetistas, que influenciaram meu fraseado. Sem falar que minha divisão rítmica foi totalmente desenvolvida a partir do que aprendi ouvindo Dom Um Romão, Airto Moreira, Billy Cobham e Steve Gadd.

PIT - Você foi eleita a terceira melhor cantora de jazz no mundo pela revista DownBeat. Como é estar ao lado de Norah Jones, Jane Monheit, entre outras, sendo uma brasileira?
IK - Pelo segundo ano consecutivo, fui eleita a terceira melhor cantora na votação dos leitores da DownBeat em 2008 e 2009, atrás apenas de Diana Krall e Cassandra Wilson, que são imbatíveis. Mas desde o lançamento do "Serenade in Blue", em 2000, eu fico entre as dez melhores não apenas na DownBeat, como também em outras revistas na Europa e na Ásia. Claro que é uma grande honra e eu fico muito feliz. Mas comemoro somente no dia em que recebo a notícia. Depois trato logo de esquecer, porque não posso ficar me preocupando com prêmios. Não faço discos para agradar a crítica. Para mim, o importante é agradar a mim e ao público. Se a crítica gosta, ótimo. O novo CD, "Bim Bom", está sendo elogiadíssimo no exterior, foi destaque até no New York Times! Então é óbvio que isso me alegra. Mas não ocupa os meus pensamentos por muito tempo. Música não é competição, é criação. A Norah Jones e a Jane Monheit, por exemplo, sofreram muita pressão, fizeram discos ruins e perderam público. Em 2009 nem apareceram na lista da DownBeat.

PIT - Falando nisto, como você vê o público brasileiro? Você acredita ser mais internacional do que brasileira?
IK - Amo o público brasileiro e sou muito bem recebida aqui também. Acabei de fazer uma temporada de cinco semanas, em janeiro, no "Bar do Tom", no Rio, com casa lotada. Em abril estarei de volta para shows em Brasília, Curitiba e São Paulo. Porém, eu vejo o Brasil hoje em dia como uma parte do mundo. Fora a questão sentimental, é um país como qualquer outro. Sigo aquela máxima do Milton Nascimento: "o artista tem que ir aonde o povo está". No meu caso, o povo, que é o meu público, está no Brasil e também nos EUA, na Inglaterra, França, Alemanha, Finlândia, Japão, Coréia etc. Na terceira excursão européia que realizei em 2009, estive pela primeira vez em países como Sérvia e Bulgária, e fui tratada como rainha, participei de festivais de jazz fantásticos ao lado de nomes como Joe Lovano, Terence Blanchard, Kurt Elling e Anat Cohen, por sinal uma clarinetista israelense fantástica, sempre premiada na DownBeat, e que foi assistir o meu show em Belgrado. Mas ainda tenho muitos sonhos, claro. Entre eles, cantar em Israel e na Polônia.

PIT - Como é transitar pelo jazz e mpb, mas sendo considerada uma cantora de jazz?
IK - Aprendi com o Hermeto Pascoal que a música não tem fronteiras, ela é universal. Por isso tenho horror a rótulos, embora viva sendo rotulada. Este carimbo de "cantora de jazz" se espalhou pelo mundo, mas começou no Japão, porque achavam meu fraseado muito sofisticado para ser classificado como MPB. Mas eu canto todos os gêneros. Nos repertórios dos meus shows convivem Miles Davis, Michael Jackson, Lulu Santos, João Gilberto, Geraldo Vandré, e não fica aquela salada de cantora eclética, não. Porque todas as músicas são recriadas de acordo com a minha concepção estética, ganham a minha "cara". Os meus fãs não vão aos shows preocupados com o que irão ouvir. Eles sabem que tudo terá o "estilo Ithamara Koorax".

PIT - Você acredita que gravadora ainda é importante para um artista?
IK - Claro! Nem que seja apenas para cuidar da distribuição e promoção do disco.

PIT - Conte para nós um momento inesquecível.
IK - Foram vários... O dia em que fiz meu primeiro show como cantora profissional, em janeiro de 1990, no Rio Jazz Club. As gravações com Elizeth, Tom Jobim, Luiz Bonfá, Ron Carter e Sadao Watanabe. Os shows com Edu Lobo, João Donato e Hermeto Pascoal. Um concerto ao ar livre para quatro mil pessoas no Festival de Jazz de Seul, na Coréia, em 2006, em que fui ovacionada por uns cinco minutos, não me deixaram sair do palco e acabei cantando por quase duas horas. Os concertos com as orquestras sinfônicas Petrobrás e Jazz Sinfônica. Como diz o Roberto Carlos, "são tantas emoções"...(risos)

PIT - Ithamara, obrigada por sua entrevista e deixe aqui o seu recado!
IK - A vida é um eterno aprendizado. Me sinto ainda uma iniciante, com fome de informação musical. E quanto mais eu aprendo, mais vejo que nada sei. E sigo procurando me aprimorar, desenvolver novas habilidades. Tudo isso num mundo sem fronteiras, como uma cidadã do universo com grande respeito por todos os povos. Esse é o grande barato da minha vida. Se quiserem saber mais, acessem meu blog http://www.ithamarakoorax.blogspot.com/







*colaboração Alexandre Aquino


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010


Shalom!
O Papo de hoje é do Casseta!!
Com vocês Roberto Adler, ou melhor, Beto Silva!


PIT - Olá Beto, bem vindo ao Papo em Comunidade! É uma honra tê-lo aqui!
BS - Olá Patricia!


PIT - Como e quando surgiu o Beto Silva?
BS - O Roberto Adler nasceu em 1960, mas o Beto Silva só surgiu na faculdade de engenharia da UFRJ em 1978, quando resolvi lançar junto com o Helio de La Peña e o Marcelo Madureira , um jornalzinho de humor chamado Casseta Popular. Beto Silva foi o pseudônimo que arrumei.


PIT - Por que o nome Beto Silva?
BS - Meu sobrenome Adler sempre foi dificil de falar, as pessoas não acertavam direito, sempre falavam Adiler ou Adeler, então resolvi dar o sobrenome mais simples e ficou Silva.


PIT - Qual o personagem que você mais gosta ou gostou de fazer? Por quê?
BS - Nós fazemos tantos personagens no programa que eu já perdi a conta. Atualmente o que mais gosto é a Acarajette Lovve.


PIT - Como é para um engenheiro ser ator e ainda humorista? Você chegou a fazer algum curso para atuar?
BS - Fui engenheiro por muito pouco tempo. O humorismo virou a minha profissão alguns anos depois de sair da faculdade. Como começamos escrevendo e não atuando, nunca fizemos nenhum curso de interpretação. O que sempre valeu foi a intuição.


PIT - Você escreveu o “Best seller” “Uma Piada pode salvar sua vida”. Alguma piada específica salvou a sua? Exista A Piada salva vidas?
BS - Não foi uma piada especifica que salvou a minha vida, mas milhares delas! Não existe uma piada redentora que vai mudar a vida das pessoas, mas ter uma postura bem humorada da vida certamente faz bem pra alma!


PIT - Em “Julio sumiu” você envereda para o suspense, mas sem perder a piada. Sem humor não tem graça?
BS - Eu trabalho nessa área e simplesmente não sei como escrever algo que não passe pelo humor. "Julio Sumiu" é um romance de suspense, mas é basicamente um livro pra fazer as pessoas rirem!


PIT - Nos tempos da revista Casseta Popular vocês tinham noção que um dia estariam na Globo?
BS - Não! Nunca isso passou pela nossa cabeça! As coisas foram dando certo, foram acontecendo. Até hoje a gente não acredita que tem um programa no horário nobre da rede Globo!


PIT - O que é ser um Casseta?
BS- Não sei definir. A gente costuma dizer que ser um casseta é ter uma visão cassetocentrica do mundo, seja lá o que for isso!


PIT - Como você vê os humorísticos de hoje? Algum te agrada?
BS - Nos EUA tem uma serie de TV que eu adoro, se chama Curb your enthusiasm (no Brasil ela se chama Segura a Onda), do Larry David, que escrevia e produzia o Seinfeld. É o programa de humor que eu mais gosto atualmente. Gosto também de Two and a half man e 30Rock.


PIT - O que podemos esperar na nova temporada do Casseta? Vem coisa nova por aí?
BS - Estamos trabalhando bastante, bolando novos quadros e muitas novidades. Alguns personagens do ano passado como a Ararajette e o Kekeylson devem continuar também. E esse ano é ano de copa e de eleições. Primeira semana de abril estamos de volta. O ano promete!


PIT - Beto, obrigada pela entrevista e deixe aqui o seu recado!
BS - Obrigado também. Quero aproveitar pra fazer um jabá do meu próximo livro que deve sair esse ano. O título é “Cinco contra Um” e é um romance que, é claro, como não poderia deixar de ser, é muito engraçado. Ah tenho blog também: http://tvglobo.casseta.globo.com/beto-silva  e no twitter sou @betosilva.
Um beijo e shalom para todos!



 







domingo, 14 de fevereiro de 2010

Shalom!
Demos uma pequena pausa. Mas depois do Carnaval voltaremos com super entrevistas !
aguardem!
Até mais!




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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010


Shalom,
O gosto e o amor pela música judaica o tornaram um cantor litúrgico e popular.
Com vocês Mair Nigri!


PIT - Olá Mair, bem vindo ao Papo em Comunidade!
MN - Olá, Patrícia. Obrigado por essa oportunidade em falar um pouquinho desse lado que as pessoas normalmente desconhecem: o meu lado musical, artístico e alegre.


PIT - Quando começou seu interesse pela música?
MN - Meu interesse pela música judaico-religiosa começou desde criança quando meu avô me obrigava a decorar as rezas em hebraico, as quais são sempre cantadas. Participei também de movimentos juvenis onde reunia uma grande quantidade de jovens do grupo Macabeus, sempre envolvendo a música. Fui criado em um lar judaico religioso, onde minha mãe, de origem síria, e meu pai, de origem libanesa me incentivavam desde cedo a ser o cantor (Hazan Mirim) no Colégio TTH-Barilan na Tijuca, onde morava e estudava. Mas, a influência maior foi de meu tio Haim Mizrahy que era o principal cantor da Banda Ed Bernard, tendo feito turnês por todo o Brasil e realizado apresentações de grande repercussão até mesmo no Canecão. Após seu falecimento, fiz parte pontualmente da Banda que ele havia criado.


PIT - Atualmente você é o chazan da Shel Guemilut Hassadim. O que te levou a ser um chazan?
MN - Desde 2002, após o falecimento de minha querida mãe Ester (Z’L), iniciei meu processo de teshuvá (retorno ao judaísmo), reconstruí minha vida. Passei a atuar profissionalmente como cantor oficiante religioso (Hazan) em Sinagogas, tendo iniciado nas Sinagogas do CIB e CCI, e trabalhado posteriormente, nas Sinagogas Templo União Israel, Beiruthense e Manguen David. Atualmente, sou cantor na Sinagoga Shel Guimilut Hassidim em Botafogo, onde me identifiquei com o ritmo e a música marroquina, a calorosa acolhida da Diretoria, do Rabino Benzaquem, de meu amigo e hazan David Anidjar e de todo os frequentadores (kahal) da nossa comunidade.


PIT - A voz é seu instrumento de trabalho. Você tem algum preparo especial?
MN - Faço exercícios vocais e preciso dormir um pouco mais do que as minhas cinco horas diárias de sono, devido as minhas inúmeras atividades. Falar muito pouco ou quase nada horas antes de apresentar-me. Tenho que me abster de determinados alimentos, como por exemplo: laticínios, cafeína, alguns alimentos ácidos, etc. Principalmente, tenho que me concentrar e estar em um ambiente alegre e feliz.


PIT - Você costuma fazer shows?Que tipo de música você costuma cantar?
MN - O gosto e o amor pela música judaica me levou a formar a partir de 2008, uma banda de música judaica e comecei a me apresentar em bar-mitzvá, brit-milá, casamentos, festas de Purim em clubes judaicos e, ainda, em sociedades beneficentes da comunidade judaica. Desde então, também realizei algumas apresentações abertas para o público em geral em hotéis e espaços culturais. Costumo cantar os ritmos judaicos: chassídico, sefaradi e ladino.


PIT - Falando em show, no dia 31 você vai se apresentar no show Israel Convida, o que você pode nos contar sobre esta apresentação? O que o público pode esperar?
MN - A ideia do Show “Israel Convida” surgiu pela proximidade com meus professores de canto Wladimir Cabanas, e sua Mestra, Teresa Fagundes, com quem mantenho aulas frequentes. Esses grandes talentos e espetaculares vozes do Teatro Municipal, apreciadores da música judaica, me propuseram trazer ao público o melhor da música pop internacional aliadas ao tradicional, e ao mesmo tempo, atual repertório de nossa música judaica. Pensei que estava faltando, uma referência na música iídiche para completar o grupo, pois a minha formação é bastante árabe (sefaradi), foi quando tive a ideia de convidar a amiga Clarita Paskin que havia me visto cantar em uma de minhas apresentações na Sociedade Beneficente Froien Farain. A Clarita trouxe o músico e diretor musical, Ivan Botticelli, que trará uma novidade para esse show: a Orquestra Virtual, e quem for verá, ouvirá e apreciará. Não podíamos deixar de agradecer a presença do amigo Gilberto Marmorosch que, com seu brilhantismo e alegria, fará a apresentação do nosso evento.


PIT - Você já fez participações em novelas. Você também é ator?
MN - Comecei a me interessar pela interpretação quando ia levar meu filho mais velho às aulas de teatro dirigidas pela renomada diretora da Rede Globo, Cininha de Paula. Tudo começou ali. Passei a frequentar as aulas junto com meu filho até obter o meu registro de ator. Atuei como consultor para assuntos judaicos em trabalhos, como a novela “Belíssima”, no programa Linha Direta “Caso Wladimir Herzog” e na Mini-série “Um Só Coração”. Atuei em algumas novelas como “A Favorita”, interpretando o papel de segurança pessoal da protagonista, Cláudia Raia. Na novela “Beleza Pura”, interpretei o papel de um engenheiro de helicópteros com os protagonistas Edson Celulari e Carolina Ferraz. A propósito, também participei na construção de parte do conteúdo do site desta novela. Também ministrei aulas particulares de judaísmo com o objetivo de preparar o ator Vitor Morosini, que iria desempenhar o papel de um menino judeu. Já atuando como rabino, interpretei um professor e no papel de Chazan (cantor de rito religioso), celebrei a cerimônia religiosa e cantei na festa do Bar-Mitzvá do personagem, quando este atingiu a maioridade religiosa judaica.


PIT - Você pensa em gravar um CD e/ou DVD?
MN - O projeto inicial do Show “Israel Convida” está programado para acontecer todo mês. A estrutura técnica de imagem e som desse evento está preparada tecnicamente para gravarmos os CDs e DVDs, como vocês poderão conferir no dia 31 de Janeiro.


PIT - Mair, obrigada por sua entrevista e deixe aqui o seu recado!
MN - O projeto “Israel Convida” visa mais do que beneficiar uma simples hora de entretenimento, mas também reunir a platéia de música judaica e pop internacional da cidade do Rio de Janeiro. Venham assistir “Israel Convida”! Mais informações pelo telefone 2235-6696.








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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Shalom!

O Papo de hoje é com um cientista apaixonado pela história judaica e responsável pelo Memorial Judaico de Vassouras: Luiz Benyosef!



PIT - Olá Luiz, bem vindo ao Papo em Comunidade!
LB - Olá! Patricia, muito obrigado pelo convite para participar do "Papo em Comunidade".


PIT - Para começar conte um pouco sobre você...
LB - Sou físico de formação e depois fiz mestrado e doutorado em instrumentação geofísica. Entretanto sou apaixonado pela área de humanas, especialmente história e sociologia. O estudo das migrações judaicas mundo afora me deixam fascinado. Parte do meu doutorado realizei na Dinamarca e na Rússia (na fase inicial pós-perestroika) e naquele país, em especial, tive uma oportunidade ímpar de acompanhar e vivenciar o trabalho de reorganização das diferentes comunidades judaicas. Como descendente de marroquinos também tenho grande admiração pelos estudos das comunidades sefaraditas e de seus dialetos (Hakitia e Ladino).


PIT - Você é o presidente do Memorial judaico de Vassouras. No que consiste o memorial?
LB - O Memorial Judaico é um jardim/monumento de significado especial, é um reconhecimento para o gentil povo brasileiro que soube acolher, sem grandes restrições, os imigrantes que aqui chegaram e tornaram-se irmanados constituindo-se parte importante da nação brasileira. Naquele local, pertencente a uma instituição profundamente católica, estão sepultados dois judeus falecidos na cidade em meados do século XIX. O Memorial, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), é também um dos últimos trabalhos do saudoso paisagista Roberto Burle Marx.


PIT - Como surgiu a ideia do Memorial de Vassouras?
LB - Em 1989 liguei para a casa dos historiadores Egon e Frieda Wolff Z’L, que até então não os conhecia pessoalmente, para perguntar informações sobre a imigração marroquina para o Brasil. Conversei longamente com Egon algumas vezes e em uma delas, ele percebendo que a ligação estava muito ruim perguntou se eu estava no Rio. Quando disse que falava de Vassouras, onde dirigia o Observatório Magnético, ele ficou empolgado e fez um breve relato sobre a história de dois judeus que foram enterrados no jardim da antiga Santa Casa de Vassouras e que desde o início do século XX funcionava como asilo para os velhinhos mais pobres da região e ainda pertencia a mesma irmandade. No dia seguinte visitei o local e deparei com a única pedra tumular existente debaixo de um chiqueiro. As fezes dos porcos escorriam sobre ela. Liguei para o então Presidente da Irmandade da Santa Casa ainda proprietária do terreno: Prof. Azuil Lasneaux, que desconhecendo a gravidade simbólica da situação pediu aos funcionários que imediatamente retirassem os porcos do local e demolissem o chiqueiro. Egon e eu discutimos maneiras de destacar o local, uma vez que a retirada dos corpos seria praticamente impossível devido a falta da localização exata e pelo longo tempo transcorrido. O primeiro sepultamento – de Benjamin Benatar - aconteceu em 1859 e o segundo – de Morluf Levy - em 1878. Infelizmente Egon faleceu pouco tempo depois e o trabalho foi reiniciado com Frieda Wolff que convidou dois outros idealistas como nós, para se juntar a nós: José Kogut e Alberto Salama. O paisagista Roberto Burle Marx que era meu amigo particular se prontificou para fazer o projeto que contou ainda com o apoio de outro amigo, o reitor da Universidade de Vassouras: General Severino Sombra, e do Prefeito Severino Dias, amigo de Frieda Wolff. O Cemitério Comunal do Caju custeou a reconstrução da matzeiva do primeiro a ser sepultado e que estava desaparecida. Dessa maneira em setembro de 1992 inauguramos o Memorial Judaico de Vassouras que se destaca como um dos pontos turísticos da cidade.


PIT - Sobre o casal Wolff, qual a importância deles para a história judaica brasileira?
LB - O trabalho do casal Wolff é de extrema importância nas pesquisas sobre a imigração judaica no Brasil e a formação de nossas primeiras comunidades. Com dedicação criteriosa, eles foram os pioneiros a trabalhar sistematicamente com fontes primárias. Pesquisaram em cartórios, bibliotecas, centros de imigração e juntaram milhares de documentos, fotografias e registros diversos, dentro e fora do país. Também visitaram dezenas de cemitérios onde havia vestígios de sepulturas israelitas, especialmente nos protestantes. Enfim, construiram um acervo histórico precioso, um verdadeiro tesouro documental. Este trabalho incansável possibilitou que publicassem e apresentassem centenas de trabalhos em jornais, revistas e em conferências. Publicaram ainda 46 (quarenta e seis) livros nesta temática.


PIT - O que você pode contar sobre a comunidade judaica em Vassouras?
LB - Apesar da cidade praticamente desde seus tempos de formação possuir judeus, nunca houve número suficiente para a formação de uma comunidade organizada.

PIT - O Memorial costuma promover e/ou participar de eventos?
LB - Sim, temos uma sociedade que auxilia na preservação, manutenção e divulgação do Memorial Judaico e da presença judaica no país. Periodicamente, realizamos trabalhos e exposições com esta temática, já o fizemos na UNIRIO, UFRJ, UFF, Universidade e Casa da Cultura de Vassouras. Temos uma diretoria atuante e nossas atividades podem ser vistas no site www.memorialjudaico.org.br. Em dezembro do ano passado, 2009, organizamos um evento alusivo ao Dia Internacional dos Direitos Humanos. Este trabalho foi realizado em conjunto com a comunidade afro-descendente, e quero destacar nele a participação expressiva da Jurema Batista e do Cel. Luiz Carlos Barreto, conselheiros do CEDINE/Conselho Estadual dos Direitos do Negro. Foi uma noite memorável no auditório da Universidade de Vassouras. Contamos com a presença da Câmara dos Vereadores de Vassouras – cujo presidente distribuiu moções para personalidades, israelitas e afro-descendentes, que realizaram trabalhos importantes - da OAB, da Universidade Severino Sombra, Instituto São Fernando e das duas associações afro-descendentes da cidade. Vassouras, além do Memorial Judaico, também abriga o Memorial Manoel Congo, como tributo a um escravo que por chefiar uma rebelião foi preso, torturado e enforcado em 1839. No local foi construído, em 1996, este Memorial que fica a 300 metros do Judaico. A cidade de Vassouras tem então dois memoriais que referenciam povos que historicamente sofreram discriminação.

PIT - O que você gostaria ainda de realizar?
LB - Gostaria de viver até os 120 anos fazendo as mesmas coisas que já faço, tanto profissionalmente como cientista, quanto como um idealista apaixonado por nossa história comum. Acredito que o conhecimento, valorização, conscientização e a divulgação do nosso passado é um dos grandes legados que podemos - e devemos - deixar para as gerações que vão nos suceder.

PIT - Luiz, obrigada por sua entrevista e deixe aqui o seu recado!
LB - Quero agradecer, novamente, pelo convite e destacar seu trabalho de juntar, organizar e divulgar acontecimentos, ideias, experiências... Parabéns!






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quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Shalom,

O Papo de hoje é com uma jovem jornalista que está por trás da produção do programa Comunidade na TV!
Ilana Wertman é com você!


PIT - Olá Ilana, bem vinda ao Papo em Comunidade!
IW - Olá Patricia!!


PIT - Pra começar conte um pouquinho sobre você...
IW - Eu nasci no Rio, mas morei grande parte da minha infância e adolescência em Teresópolis. Em 1999 vim para o Rio de Janeiro e estudei parte do ensino médio no Liessin de Botafogo. Eu sempre quis ser jornalista, desde pequena. Nunca na minha vida optei por outra carreira, como muitas crianças fazem. Sempre tive a certeza do que queria e que seria uma grande profissional. Meu primeiro emprego foi no Froien Farain com a Léa Lozinsky, que na época era presidente da instituição. Lá convivi com várias realidades, com várias histórias. Foi uma experiência muito importante, que levarei para o resto da vida. Depois trabalhei com assessoria de imprensa em uma empresa na Lagoa, que sem duvida nenhuma, foi uma ótima experiência, pois tive a oportunidade de participar de eventos importantes como Fashion Week, eventos da CBF, Premio Contigo de Televisão e varios outros. Foi um ótimo aprendizado.


PIT - Você é produtora do Comunidade na TV. Como começou este trabalho?
IW - Meu primeiro contato com o Comunidade na TV foi em 2003 quando apareceu uma oportunidade de estágio na área de comunicação da FIERJ, na gestão do ex-presidente e atual Cônsul Honorário de Israel Osias Wurman. Fiquei, nesta época, mais ou menos uns cinco meses, e em 2006 a Federação Israelita precisou de uma produtora, então voltei, assumindo a produção do programa.


PIT - Como é fazer um programa de TV voltado para a comunidade judaica?
IW - É muito bom. Um desafio a cada semana. O Comunidade na TV é de extrema importância não só para a comunidade judaica, mas para a comunidade maior. O prazer de fazer o Comunidade na TV é não ter "descanso". Para você ter uma ideia: Na segunda feira sempre me reúno com a presidente da FIERJ para tratarmos a pauta da semana. Em seguida começo a redigir todo o programa, na quarta pela manha gravamos, na quinta editamos e na sexta a fita vai para a emissora... No domingo, assim que acaba o Comunidade na TV às 13h já começamos a pensar no próximo... e por ai vai...


PIT - Você também já atacou de apresentadora do programa. Como foi a experiência de ir para frente das câmeras?
IW - Foi muito difícil, principalmente por que sou um poço de timidez. Nos trabalhos de faculdade sempre me colocavam para ser a apresentadora ou a repórter e eu sempre tentava fugir, mas fazia o trabalho apresentando ou realizando as matérias. Quando a Janice, que apresentava o programa, saiu , a FIERJ necessitava de alguém urgente, para assumir o lugar dela. Como também adoro desafios, quem diria, me coloquei a disposição para apresentar o Comunidade na TV. Foi uma experiência importante que acrescentou muito neste meu "começo" de carreira, me ensinou muito, me deu uma maturidade e guardo com muito carinho os meses em que fiquei a frente do Comunidade na TV.


PIT - Qual o maior desafio em se produzir um programa?
IW - É passar qualidade e boas matérias toda semana. É mostrar que Israel não é só guerra, é um grande celeiro da ciência, da arte, da cultura, da medicina e por ai vai. O Comunidade na TV serve para divulgar as instituições judaicas e por mais que pensem que é fácil, é muito difícil. Eu e a Lea teríamos o maior prazer em dar espaço, em um mesmo programa, para todas as entidades judaicas, mas com apenas meia hora temos que fazer escolhas bastante difíceis.


PIT - Você já passou por algum momento engraçado ou inusitado que possa nos contar?
IW - Já sim. Minha primeira entrevista para o Comunidade na TV foi durante o show do Bnei Akiva pelos 80 anos do movimento. Eles trouxeram a banda da Tzavá. Bom, eu fui fazer a reportagem com o comandante e com os soldados e para minha surpresa fui pedida em casamento. Queriam me levar para Israel. Durante a entrevista, a equipe do Comunidade na TV foi convidada para ir ao camarim. La eles cantaram para mim e tentaram a todo custo me levar para Israel. Eu disse que não podia, pois eu era noiva. Mas até o ultimo minuto do show eles tentaram. Foi muito engraçado.


PIT - O programa passou por algumas renovações. Podemos esperar mais novidades em 2010?
IW - Sem duvida nenhuma. O programa está muito mais dinâmico. Trabalhando muito para trazer as novidades de Israel, estamos preparando uma série de reportagens especiais. No ano passado implementamos o Portal de Voz que é um sucesso. Um canal onde os fãs do Comunidade na Tv podem deixar opiniões, dar sugestões e comentar o programa. Além disso, a FIERJ voltou com o site super atualizado. Mas as surpresas não param por ai não. 2010 só está começando...


PIT- Ilana, obrigada por sua entrevista e deixe aqui o seu recado!
IW - Patrícia eu que agradeço o convite de participar do Papo em Comunidade. Quero pedir a todos que continuem acompanhando e fazendo o Comunidade na TV conosco. A participação da Comunidade Judaica, dos jovens, das instituições é muito importante. Procurem a FIERJ, participem da vida comunitária. Eu comecei minha vida profissional, como eu disse, trabalhando em uma instituição judaica, e com certeza me proporcionou uma base sólida para enfrentar os desafios de todo dia. Agradeço demais o carinho das pessoas comigo, com a FIERJ e com o programa que não é feito só por mim não: é mérito da diretoria executiva da Federação, do repórter Fernando Reski, do Ricardo Chã e Luis nossos câmera e assistente, do Uri estagiário e do Caíque nosso editor. Um ótimo 2010 para todos e não deixe de assistir ao Comunidade na TV todos os domingos às 12h30 no canal 09 ou 22 CNT com reprise às 18h30 no canal 14 da NET.//


Assista aqui Ilana Wertman apresentando o Comunidade na TV e entrevistando a banda da Tzavá


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