sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Shalom!
O que a ciência e o meio ambiente tem a ver com arte?
Sandra Felzen mostre-nos, por favor!



PIT - Olá Sandra, bem vinda ao Papo em Comunidade!
SF - Oi Patricia, que bom participar do Papo em Comunidade!

PIT - Você é química com mestrado em ciências ambientais. Onde entrou a arte nesta história?
SF - Após me formar em Química, pela Universidade Hebraica de Jerusalém, retornei ao Rio de Janeiro. Eram os anos 70 e a questão ambiental estava começando a mobilizar as pessoas. Fui trabalhar na FEEMA (Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente - hoje se chama INEA) e foram anos muito intensos e de muito aprendizado. Em 1982, tive oportunidade de, a princípio, passar 1 ano em Nova York. Pedi uma licença não remunerada no trabalho e lá fui eu! Como não daria tempo de fazer um mestrado, resolvi estudar outros assuntos que sempre me interessaram, entre eles as artes plásticas. Tive a sorte de ter excelentes professores, entre eles, Avron Soyer, que me estimulou muito a seguir nessa minha nova descoberta. Além das aulas, eu estava imersa em um ambiente de muita arte, exposições, palestras e museus maravilhosos. Acabei ficando 5 anos em NY, estudando e pintando durante esse período todo. Depois de 3 anos, tempo máximo da licença, pedi demissão da FEEMA, mas mesmo assim terminei um mestrado em Ciências Ambientais no Polytechnic Institute of New York. Mas eu já estava tão envolvida com a pintura que meu orientador me deixou escrever "The Artist and His Studio: an environmental psychology approach" como trabalho de fim de curso. Em 1986 voltei para o Rio e decidi me dedicar inteiramente às artes plásticas.


PIT - O que você gosta de retratar nos seus quadros? O que te inspira?
SF - Provavelmente por meu envolvimento com a ciência e o meio ambiente, minha temática principal retrata a verticalidade dos troncos das árvores, cruzando um fundo de camadas horizontais de terra. Trabalho na fronteira entre o naturalismo e a abstração. Citando a crítica nova iorquina Graciela Kartofel, são trabalhos de análise e síntese sobre a árvore, a natureza, a terra, o primitivo, a vida.


PIT - Quais são suas influências?
SF - No início de meus estudos, acho que fui influenciada pelos pintores austríacos do início do século passado, como Klimt, Schiele, Kokoshka e artistas expressionistas como Edward Munch. Meu professor enfatizava muito a necessidade de ter um trabalho forte e expressivo. Em Nova York, tive oportunidade de conviver com as pinturas desses artistas.


PIT - Que tipo de material você costuma utilizar?
SF - As pinturas normalmente se iniciam com uma colagem ou costura de materiais sobre a tela, que a seguir é trabalhada com óleo e pastéis a óleo em um meio de cera fria, para criar uma grande variedade de texturas e cores.


PIT - Como é o seu dia a dia de trabalho?
SF - Tenho um ateliê que adoro na Rua Peri, no Jardim Botânico. Passo o dia lá, pintando, pensando, pesquisando, preparando alguma exposição ou trabalhando no Photoshop minhas gravuras digitais, que são impressões digitais de imagens baseadas em minhas pinturas. Esse ano também fiz um calendário judaico, publicado nos Estados Unidos pela Pomegranate.


PIT - Você já expos em vários lugares. Qual sua exposição inesquecível e por quê?
SF - Este ano, durante os meses de agosto e setembro, participei de uma grande exposição no Centro Cultural Correios. Expus 18 obras, resultado de mais de quatro anos de trabalho. A mostra, intitulada o “O Olhar do Outro”, foi fruto de uma parceria iniciada em 2005 com o artista plástico João Muller, ocasião em que ambos retornamos da Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Florença, na Itália. De volta ao Brasil, resolvemos romper o isolamento individual, inerente ao trabalho do artista, e iniciamos um diálogo crítico entre nossas obras. Essa troca foi muito rica para nós dois.


PIT - Como você vê a arte no Brasil?
SF - Apesar de ser muito difícil ser artista plástico no Brasil, novas portas estão se abrindo. No Rio de Janeiro, vários novos Centros Culturais estão sendo inaugurados, além dos excelentes que já existem. Falta o convívio de perto com o trabalho de artistas importantes da História da Arte, mas acredito que o Brasil será cada vez mais um grande pólo cultural e essas deficiências tenderão a diminuir.


PIT - Qual a sua dica para aqueles que querem se iniciar nas artes plásticas?
SF - Há que ter muita perseverança. A maturidade na arte vem com muitos anos de dedicação. É muito importante entrar em contato com sua própria expressão e linguagem. É essencial se aprender a ver, para poder ser expressivo. Desenho de observação é um início que fundamenta nosso aprendizado.

PIT - Sandra, obrigada por sua entrevista e deixe aqui o seu recado!
SF - Obrigada a você, Patricia. Gostaria de convidar a todos para uma visita ao meu ateliê, localizado na Rua Peri 125/202 no Jardim Botânico, Rio de Janeiro. É só telefonar antes para (021) 99711730. Vocês podem também visitar meu site: www.sandrafelzen.com.br. O calendário que mencionei acima está à venda, entre outros lugares, no Midrash Centro Cultural, no Leblon.






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2 comentários:

Alx disse...

gostei! muito boa.

rádio no Brasil disse...

Alô, Patrícia
Gostaria de sugerir uma entrevista para você, mas prefiro mandar um email diretamente para te explicar... Sou jornalista há muitos anos e, atualmente, dou aula na Comunicação na PUC, faço assessoria para o Midrash e estou ajudando a divulgar um filme sobre um diplomata que salvou muitas vidas na Segunda Guerra. Atenciosamente
Rose Esquenazi
rose.esquenazi@gmail.com
21-2557-2523