quinta-feira, 16 de outubro de 2008




Shalom!
Em época de primavera, que tal um Papo com uma fotógrafa de flores?
1, 2, 3 e Click!
Nadine Joory!

PIT - Olá Nadine! Bem vinda ao Papo em Comunidade!
NJ -
Obrigada Patricia.

PIT - Como começou o seu interesse pela fotografia?
NJ -
Meu interesse começou na adolescência, quando fazia balé... Na época fotografei o Baryshnikov fazendo um ensaio aberto e ia para o Municipal fotografar. Também tirava fotos no Jardim Botânico e das pessoas ao meu redor.

PIT - Você direcionou as suas fotos para as flores. Como se deu esta escolha?
NJ -
Essa escolha se deu quando eu fui morar em Montréal (Canadá) e trabalhei numa floricultura. Daí para fotografá-las foi um pulo!

PIT - Você já registrou mais de três mil imagens de flores. Qual a flor mais te impressionou?
NJ -
Adoro fotografar as Peônias (que não tem no Brasil infelizmente) e as Dahlias. Flores com muitas pétalas são um colírio para a lente e os olhos.

PIT - As suas fotos são de flores de vários lugares do mundo. Algum momento te marcou mais? Você tem alguma história curiosa para contar?
NJ -
Quando fui ao parque de Keukenhoff na Holanda para fotografar as tulipas. É algo absolutamente deslumbrante!
E quando uma menina de 5 anos achou estranho eu fotografar flores, ela me olhou curiosa e me perguntou o que aconteceria se a flor não dissesse "smile!"
(para aparecer sorrindo na foto ). Eu caí na gargalhada.

PIT - Você está em busca da imagem ou da flor perfeita?
NJ -
Na verdade, todas as flores são perfeitas. Fazer dela uma imagem perfeita, é que é bem mais difícil.

PIT - Você já publicou algum catálogo com as flores?
NJ -
Publiquei calendários durantes alguns anos, mas nenhum catálogo.

PIT - Além das fotos você produz objetos com as imagens. Que tipos de objetos são?
NJ -
São porta copos, caixas, imãs, cadernos, marcadores de livros, latas de CD...

PIT - Você acredita que o seu trabalho é uma forma de imortalizar as flores?
NJ -
Eu acho que a imagem traz uma alegria, uma harmonia... Então de certa forma ela transmite o mesmo sentimento que a flor em si (tirando somente o prazer do olfato).

PIT - Qual a sua flor preferida?
NJ -
Adoro as tulipas! Lá fora a variedade é muito grande.

PIT - É verdade que cada flor tem um significado?
NJ -
Dizem que as cores das flores tem um significado, mas eu não presto muita atenção a isso. A intenção é que dá o significado...

PIT - Atualmente onde podemos ver suas fotos?
NJ -
Tenho o meu site http://www.nadinejoory.com.br/ e até o dia 25 de Outubro na exposição “A procura de flora” na Galeria Ateliê FMourão. Fica na Rua Saturnino de Brito 67, no Jardim Botânico. De segunda a sexta das 10hs as 19hs e sábado das 10hs as 17hs.

PIT - Nadine, muito obrigada por sua entrevista e deixe aqui o seu recado!
NJ -
Obrigada a você Patricia! Espero que vocês gostem do trabalho e da exposição. Aproveitem e acessem o site http://www.nadinejoory.com.br/ e mandem um cartão de flor virtual a uma pessoa especial!





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quinta-feira, 9 de outubro de 2008





Shalom!
Você já ouviu falar em Trochembrod?
Na próxima semana chega ao Brasil Avrom Bendavid-Val, que pesquisa sobre esta cidade judaica que foi exterminada pelos nazistas.
O Papo em Comunidade teve a honra de entrevistá-lo, em primeira mão!
Aproveitem!

PIT - Avrom um prazer entrevistá-lo no Papo em Comunidade!
ABV -
Querida Patricia, o prazer é meu.

PIT - Para começar, conte um pouco sobre você...
ABV -
Meu avô, o rebe Moshe David Beider, era o rabino chefe e uma espécie de prefeito de Trochenbrod durante a Segunda Grande Guerra. Meu pai nasceu lá e emigrou para a Palestina (Israel), como um halutz , um pioneiro, em 1932 . Lá, ele mudou o sobrenome para Bendavid (filho de David) para homenagear seu pai, conheceu minha mãe e os dois se mudaram para os Estados Unidos em 1939. Eu nasci em Washington, DC. Trabalhei com o desenvolvimento econômico e como especialista em administração ambiental nos países em desenvolvimento. Aposentei-me ano passado e passei a dedicar tempo integral para escrever um livro sobre Trochenbrod, mas, enquanto fazia a pesquisa para o livro, fui me envolvendo com a procura dos nomes das pessoas de Trochenbrod e seus descendentes (a quem chamo de Trochenbroders) nas Américas do Norte e do Sul. Foi crescendo a idéia de fazer um grande encontro mundial dos Trochenbroders da diáspora, previsto para o ano que vem, em agosto, no local onde existiu a cidade. Estou trabalhando também no projeto de um documentário e depois o livro.

PIT – Falando em Trochenbrod conte-nos um pouco desta cidade e por que você decidiu pesquisá-la?
ABV -
Trochenbrod era uma pequena cidade estabelecida numa área inóspita que se tornou um centro comercial com cerca de 5000 almas. O nome Trochenbrod foi dado pelos judeus, porém, o nome que constava nos mapas Ucranianos e Poloneses era Sofiyuvka. Localizada na província de Volyn, a 40 km de Lutsk. Em agosto e setembro de 1942 TODOS os moradores de Trochenbrod foram assassinados pelos nazistas, mas, antes, tiveram de cavar suas próprias covas. Nada da cidade sobrou. Após a guerra, os soviéticos fizeram fazendas coletivas de trabalho forçado (kolhoz) naquela área. Nunca falei muito com meu pai sobre a cidade dele. Após sua morte, comecei a pensar em Trochenbrod: Será que realmente existiu uma cidade com esse nome tão gozado? Onde ficava? Sabia que não sobrara nada da cidade... seria verdade? Mas onde ficava? Que tamanho tinha? Como funcionava comercialmente? E socialmente? Enfim, muitas questões vinham à minha mente. Como sempre viajei muito profissionalmente. Estive no leste Europeu (meados de 1990) e arrisquei tentar achar o lugar. Comecei a pesquisar e foi num centro de pesquisas Mórmon , em 1997, que obtive meios para poder viajar para lá. Muitas coisas mudaram desde então, mas encontrei história viva. A segunda grande guerra foi um marco divisor profundo e muitas pessoas idosas ainda se lembravam de Trochenbrod. Eu mesmo vi muitos sinais da vida judaica que um dia existiu por lá e, pela primeira vez na minha vida pude entender totalmente e pude também sentir a enormidade do fato de ter existido uma sociedade judia, vibrante, cheia de vida naquela área e que foi totalmente erradicada do mundo. Quando comecei a entender e saber mais sobre o que foi Trochenbrod, sabendo mais detalhes sobre sua história, vendo coisas, falando com pessoas, fui ficando fascinado pelo tema, o que me obriga até hoje a querer saber mais e mais.

PIT - Você esteve em Trochenbrod algumas vezes. O que você sentiu? Como está o lugar hoje em dia?
ABV -
Já estive lá por 8 vezes. Até já fiz amigos por lá: alguns são filhos ou netos de pessoas dos vilarejos vizinhos que ajudaram os nazistas a assassinar os Trochenbroders. Mas nosso encontro foi cordial e tenho tido um acolhimento muito caloroso sempre que vou. Eles também querem saber mais sobre a história da cidade que existiu ali. Eu procuro pensar no presente e no futuro, pois acho mais importante reconciliar e honrar a memória do passado junto com o povo do local, ao invés de cultivar motivos para o ódio. Procuro focar na vida, na comunidade, na energia, no serviço da região, na bondade do povo, na vitalidade que havia em Trochenbrod, mais do que na sua destruição. Ouvi muitas histórias sobre a vida em Trochenbrod. Hoje, como se pode ver nas fotos, você identifica Trochenbrod pela alameda de árvores e arbustos que marcam onde existiu a Grande rua da cidade. Há um monumento em homenagem às vítimas que foi erguido pelos israelenses em 1992.

PIT - O que você conseguiu com as pesquisas até agora?
ABV -
Aprendi muito, nem dá para falar aqui. Mas, vou resumir, contando um dos achados mais fascinantes sobre Trochenbrod, e eu só fiquei sabendo mais há um ano ou dois. Tenho muitas histórias fascinantes que guardarei para contar no nosso encontro na ARI dia 16 de outubro.

PIT - Durante este tempo pesquisando algum fato te surpreendeu mais? Alguma curiosidade que você possa revelar?
ABV -
Trochenbrod foi "unique" em toda história judaica, pois foi a única cidade (sem contar com Israel) repito, a única cidade totalmente judia. Foi criada por judeus em meados de 1800 e viveu sob os governos tanto da Polônia quanto da Rússia. Falavam Iddish e Hebraico moderno. Começou como uma cidade agrícola, mas cresceu e diversificou suas atividades. Produzia bens de consumo para as cidades vizinhas (Kolki, Lutsk, Rovno). Era diferente da maioria das outras comunidades judias da Europa. Era como se fosse uma cidade de Israel, mas no Leste europeu. Por ser totalmente judia, depois de seus habitantes terem sido mortos, nada sobrou da cidade, ninguém se interessou por reconstruí-la, não havia motivo, e todos os traços foram eliminados.

PIT - O filme “Everything is Iluminated” tem Trochenbrod como pano de fundo. O que você achou do filme? Você teve contato com o autor?
ABV -
A mãe do autor do filme e eu trabalhamos juntos nesse projeto Trochenbrod. Estou ajudando na pesquisa que ela faz para descobrir como o pai dela sobreviveu ao Holocausto. O autor, Jonathan Safran Foer participou do encontro de Trochenbroders em Washington, em abril desse ano. O livro usa uma variação do nome Trochenbrod e foi filmado em Volyn. Mas Jonathan é o primeiro a dizer que o filme é totalmente ficção, que nem o livro nem o filme contêm material verdadeiro sobre Trochenbrod e nunca pretenderam isso. Um efeito surpreendente é que o livro e o filme fizeram com que muita gente passasse a se interessar e a querer saber mais sobre Trochenbrod e suas famílias. Ficamos felizes com esse resultado.

PIT - Você vem ao Brasil. Quais as sua expectativas?
ABV -
Chego dia 14 de outubro no Rio de Janeiro para me encontrar com Trochenbroders e familiares. Um dos objetivos é o de promover o encontro de Trochenbroders, onde vou poder apresentar alguns slides sobre a História de Trochenbrod ; as pessoas poderão trazer e mostrar documentos, objetos , fotos e trocar histórias sobre a cidade; vamos também discutir o encontro lá em Trochenbrod , em agosto de 2009. Pretendemos fazer uma grande conexão entre Trochenbroders do mundo todo (Américas, Israel, Europa). Pretendo fazer entrevistas com os que vieram para o Brasil. Estou à disposição para outras apresentações, visitas, para entrevistas ou simplesmente para trocar informações entre descendentes e emigrantes de lá. Minha mais recente amiga e parente distante, Eliana Zuckermann, está me ajudando nessa tarefa e agendando tudo para mim.

PIT - Qual o seu maior sonho?
ABV
- Sonho número 1: Ter um maravilhoso encontro de Trochenbroders na ARI, dia 16 de outubro.
Sonho 2:.Ter um encontro maravilhoso entre Trochenbroders do Brasil, Israel e Estados Unidos em 2009.
Sonho 3: produzir o filme, um tocante e agradável tributo a Trochenbrod e seu povo, que o filme ajude a colocar Trochenbrod no lugar que merece na História Judaica.
Sonho 4: Lançar um livro que, complementado pelo filme, seja mais profundo no sentido de ampliar os conhecimentos sobre a vida e as pessoas daquela cidade. Que sirva de referência para as próximas gerações. Isso deve me manter ocupado por muitos anos e anseio pela realização desses sonhos. Tem sido extremamente gratificante ouvir o que as pessoas têm para contar: o entusiasmo e a vibração confirmam apenas o quanto Trochenbrod deve ter sido pulsante enquanto cidade. Era como se fosse uma grande família, uma vez que todos eram judeus.

PIT - Avrom, muito obrigada por sua entrevista e deixe aqui o seu recado!
AVB -
Obrigado por seu interesse. Como você pode ver, para mim, a história de Trochenbrod é muito forte, e eu agradeço a oportunidade de poder compartilhar. Se seus leitores tiverem quaisquer dúvidas sobre o evento, ou quiserem fazer perguntas, peço que entrem em contato com Eliana Zuckermann no Rio (21) 8111-7787 ou no email: winkyz@terra.com.br. Mais uma vez, Patricia, obrigado por seu interesse e por essa oportunidade de compartilhar com seus leitores a história de Trochenbrod. Espero todos no dia 16 de outubro, quinta-feira, na ARI, às 20 horas.



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quinta-feira, 2 de outubro de 2008




Shalom!
Todo mundo gosta de ler as colunas sociais, ficar por dentro do que acontece.
Que tal um Papo com uma colunista da comunidade?
Com vocês: Glorinha Cohen!


PIT - Olá Glorinha! Como começou seu trabalho como jornalista?
GC -
Comecei minha carreira jornalística em Jundiaí, no interior de São Paulo, quando tinha apenas 16 anos e para enfrentar um desafio. É que, sendo eu uma adolescente tímida e de família humilde, quando fui preencher a ficha para o cargo de colunista social do mais importante jornal da cidade, a secretária do diretor me olhou de cima a baixo, como se dissesse: você? Colunista Social? Mas, a atitude era justificada. Afinal, quem era eu para pretender substituir um dos colunistas mais influentes da época, e ainda por cima, filho de família ilustre da cidade? Hoje agradeço àquela secretária, pois foi exatamente aquele seu olhar incrédulo e sarcástico que me fez insistir no desafio e acabei conseguindo o cargo. Desde então, quanto maior o obstáculo, mais insisto em transpô-lo, seja ele qual for. Quatro anos depois vim morar em São Paulo para fazer faculdade de jornalismo e também acabei me formando em Direito. Trabalhei como Diretora no Fórum Central de São Paulo e lá me aposentei neste cargo, tendo também exercido a advocacia por uns tempos. Mas, minha paixão mesmo sempre foi o jornalismo e, paralelamente ao Fórum, nunca deixei de escrever, pois adoro gente. Consequentemente, adoro escrever sobre as pessoas, de espalhar alegria. Afinal, o melhor da vida é mesmo alegrar as pessoas, de ajudá-las com palavras ou com frases filosóficas e espiritualistas, se não puder ajudá-las de outra forma. Esta é uma das finalidades do meu trabalho e pode ter certeza que muitas vezes consigo isto.

PIT – E como iniciou a sua história como colunista social da comunidade judaica?
GC -
Comecei em 1981 incentivada pelo saudoso amigo Jacob Timerman Z’L, e ao mesmo tempo em que fora convidada para ser diretora da Hebraica de São Paulo, cargo que tive o prazer de exercer por mais de 25 anos. Quem me deu a primeira chance como colunista foi meu querido amigo Oscar Nimitz, na extinta Resenha Judaica. Hoje ele é diretor do jornal A Tribuna Judaica, no qual, aliás, eu cheguei a editar um suplemento especial muito interessante. Atualmente assino uma página na Revista Shalom e apresento dois blocos no Programa Le Haim, que vai ao ar semanalmente pela TV Aberta de São Paulo. Além do meu site, é claro.

PIT - Falando em site, em que momento você decidiu fazer uma revista eletrônica? Você acha que a internet alcança mais as pessoas?
GC -
Decidi há apenas três anos. A verdade é que eu sempre quis abordar, além da parte social que é o meu forte, temas como medicina, psicologia, saúde e outros, através dos quais as pessoas pudessem encarar de forma mais otimista e objetiva seus problemas diários. E isto, pelos e-mails que tenho recebido, está dando certo graças aos meus colaboradores, que são de altíssimo nível e acreditam no meu trabalho. Ademais, através do http://www.glorinhacohen.com.br/ estes mesmos profissionais têm a oportunidade de mostrar seu trabalho e divulgá-lo, além do bem que estão propagando, o que é mais importante que qualquer outra coisa. Afinal, temos tantos valores dentro e fora de nossa comunidade e, infelizmente, nem sempre eles têm oportunidade de mostrar seu talento na grande mídia. Evidente que, nos jornais para os quais escrevia, seria impossível publicar tantas matérias assim. Por outro lado, como a internet não tem fronteiras, ela também é uma forma de manter nossa coletividade bem informada sobre quase tudo que de mais importante acontece no país inteiro, e uni-la como um todo.

PIT - Você já passou por alguma situação embaraçosa ou engraçada nestes tempos de colunista?
GC -
Não deixa de ser engraçada a abordagem que os sefaradis, às vezes, ainda fazem para reclamar que eu só escrevo sobre os askenazis, e estes também reclamam a mesma coisa. Aí é que a gente nota que há certa discriminação dentro da nossa própria coletividade, o que não é legal. No mais, sabendo compreender a sutileza da vaidade humana, a profissão só me traz alegrias.

PIT - Você escreveu dois livros de poesia "Tempos de Amor e... Solidão" e "Universo Vazio". Pretende escrever mais?
GC -
São poemas do tempo de colégio e faculdade, quando as paixões começam a florescer e a gente tem mais inspiração para extravasá-las. Aliás, a renda com o lançamento do livro “Universo Vazio” foi totalmente revertida para a Wizo-SP e teve o apoio da Fundação Safra, à qual até hoje sou grata.

PIT - Você pretende escrever mais livros?
GC -
Estou pensando em escrever um livro de memórias focado nas personalidades mais interessantes que conheci – e ainda estou conhecendo. Mas, isto ainda levará tempo.

PIT - O que você gostaria ainda de realizar?
GC -
Viajar mais, conhecer melhor o mundo.

PIT - Muito obrigada por sua entrevista e deixe aqui o seu recado!!
GC -
Patricia, eu é que lhe agradeço pela oportunidade. E para não perder o hábito, deixo como recado esta frase que é atribuída a Albert Einstein e uma das minhas preferidas: “Se um dia você tiver que escolher entre o mundo e o amor, lembre-se: se escolher o mundo ficará sem o amor, mas, se escolher o amor, com ele conquistará o mundo”. Shaná Tová!



















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quinta-feira, 25 de setembro de 2008


Shalom!
A música faz parte da vida e está em todos os lugares, inclusive nas orações.
O Papo de hoje é com um chazan, o cantor litúrgico no judaísmo.
Soltando a voz: André Nudelman!


PIT - Olá André! Muito bom tê-lo aqui!
AN -
Obrigado pelo convite!

PIT – Como começou o seu interesse pela música e pelo canto?
AN -
Na verdade as coisas foram acontecendo, nada muito planejado. Eu diria que tudo começou quando eu ainda era pequeno, e comecei a estudar piano na casa da minha avó materna. Além disso, a minha mãe, que sempre gostou de música, me proporcionou desde cedo uma vivência bastante musical.
Mas só fui descobrir e me interessar pelo canto depois, lá pela época do meu Bar Mitzva, quando fui tomando gosto pela Chazanut e também pela música vocal como um todo.

PIT – Falando nisto, quando você decidiu ser chazan?
AN -
Após a cerimônia do Bar Mitzva, (na ARI- Associação Religiosa Israelita), fui convidado pelo meu professor, o Chazan David Alhadeff, para continuar com os estudos e começar a participar dos serviços religiosos, especialmente nos Iamim Noraim, em que passei a fazer as leituras da torá e também oficiar partes dos serviços religiosos. Assumi também parte dos Shabatot no Lar da União, o lar de idosos vinculado à ARI e pelo qual tenho imenso carinho. Após cinco anos de estudo com o David, que ainda continuariam por mais cinco anos, fui contratado como seu assistente. Foi também neste momento que comecei a estudar música mais a sério, já na faculdade. E, paralelamente à minha atividade na sinagoga, dediquei-me à minha carreira como cantor. Entrei para uma companhia de ópera, e desenvolvia as duas funções. Mas chegou um momento em cada uma das duas carreiras passou a demandar atenção e tempo totais, e acabei tendo que optar. E vocês já sabem qual foi a minha escolha!

PIT - Qual a importância e o papel do chazan no serviço religioso?
AN -
Penso que cabe ao chazan, assim como às demais lideranças religiosas, ajudar as pessoas a conhecerem melhor e se conectarem com a sua tradição, sempre da forma mais ampla, aberta e sincera. A figura do intermediário entre o homem e o divino, representada antigamente pelo sacerdote, foi banida do judaísmo; cada um tem o direito e a obrigação de interpretar os nossos textos, símbolos e ensinamentos para formar, a partir de sua própria experiência criativa, a sua maneira de se relacionar com a comunidade e com o transcendente. Assim, a função educativa do chazan é das mais importantes. Já durante os serviços religiosos somos responsáveis por dar vida aos nossos textos e fazer com que eles cheguem mais profunda e significativamente à congregação.

PIT - Qual a ligação das orações e a música? Por que algumas delas são cantadas?
AN -
É interessante que a música sempre esteve presente nas experiências religiosas, e isso pode ser notado em quase todas as culturas. No nosso caso, desde que existe o ritual existe a música. Por ser uma expressão muito livre e autêntica do ser humano, sempre foi um elemento central da vivência ritualística judaica, e houve momentos em que veio a ser tão ou mais importante que o texto, como no caso do chassidismo. Podemos encontrar indicações de melodias e modos musicais para toda - sem exceção - a nossa liturgia. Claro que cada comunidade, a cada tempo, foi criando a sua maneira de cantar e rezar, e, de fato, a variedade de estilos, formas, instrumentação e até idiomas que surgiram é de uma riqueza impressionante.

PIT - Por ser um cantor litúrgico, você lida com vários momentos de emoção: brit-milá, bar/bat mitzvá, casamentos, funerais. Existe alguma celebração que te emocione mais?
AN -
É difícil dizer, todos os momentos são partes do ciclo da vida, e procuro estar em cada um deles o mais inteiro possível. Claro que todos gostamos mais das ocasiões alegres, mas as outras não tão alegres também fazem parte. Algo que posso dizer é que gosto muito do processo do bar mitzvá, especialmente pelo tempo de contato e estudo com os jovens que eu preparo.

PIT - Falando ainda em emoção, qual a sua brachá (oração) preferida? Por quê?
AN -
Poxa, depende do momento... Às vezes acontece de um determinado trecho me saltar aos olhos de uma forma diferente, depende também de como eu estou, do contexto... Não sei se tenho alguma brachá assim, preferida.

PIT - Você tem uma preparação vocal especial? Você já passou por alguma situação em que a voz falhou?
AN -
Tenho que manter minha voz em dia, então preciso estudar sempre. E sim, já aconteceu algumas vezes, ter que cantar e estar totalmente rouco... É terrível! Mas tenho que reconhecer que é um risco que faz parte, pois nós não somos máquinas... e o meu instrumento mora em mim, é vivo!

PIT - O que você diria para um jovem que quer ser chazan?
AN -
Eu diria: Me procure, vamos conversar pessoalmente!

PIT - O que você gostaria ainda de realizar?
AN -
Tantas coisas... Sou novo ainda, né? (risos)

PIT - Muito obrigada por sua entrevista e deixe seu recado!
AN -
Obrigado a você! Um grande abraço e um super shaná tová para todos!!











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quinta-feira, 18 de setembro de 2008


Shalom!
As pessoas estão sempre em busca do parceiro ideal, da cara metade. Mas nem sempre se acerta. No desejo de entender e incrementar os relacionamentos, alguns casais buscam a terapia de casal.
No Papo de hoje a terapeuta Zeila Sliozbergas!


PIT - Olá Zeila! Bem vinda ao Papo em Comunidade!
ZS -
Olá Patricia!

PIT - Para começar nosso papo, conte sobre você, sua formação...
ZS -
Sou natural de São Paulo, vim para o Rio de Janeiro, após meu casamento com um carioca, em 1975. Me formei na PUC- Rio em Psicologia. Tenho dois filhos cariocas e um neto americano. Iniciei minha formação na Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, onde estive por oito anos, lá trabalhei em enfermarias e ambulatórios no Serviço de Psicossomática chefiada pelo psicanalista Abram Eksterman e sua equipe. Recebi o título de Especialista em Psicologia Médica pela Faculdade de Medicina Sousa Marques. Em 1999 ingressei na Especialização em Geriatria e Gerontologia na Universidade Federal Fluminense e pude desenvolver um trabalho com os idosos e familiares. Trabalhei em um grupo de pessoas portadoras da Doença de Alzheimer e seus familiares, uma experiência preciosa. Terminado o curso, ainda permaneci por um ano neste grupo, me desligando em 2001.

PIT - Você se especializou em terapia de família e casal. O que te levou a este caminho?
ZS -
A partir de então, por coincidência ou não, recebia em consultório particular casais e famílias. Tentando entender como trabalhar como psicanalista nestes novos contextos de casais e famílias busquei na PUC-Rio, uma especialização em Terapia de Família e Casal, cuja proposta é um diálogo entre a teoria sistêmica e a psicanálise, trabalho desenvolvido pela Dra. Teresinha Fères Carneiro, uma experiência fascinante. O tema família para mim é muito precioso, refere à herança de meus antepassados e da transmissão entre gerações, conscientes e inconscientes. Todos os dois movimentos, para o passado e para o futuro são fundamentais para nossa constituição como seres sócio-emocionais, imersos numa cultura. Pensar nossa família imersa nesta nova sociedade e cultura é nosso grande desafio.

PIT - Como você vê os relacionamentos de hoje?
ZS -
Este é um tema muito complexo. Primeiro precisamos definir o que seja um relacionamento. Temos desde relações de namoros virtuais, casamentos formais, morar junto, ficar com o mesmo parceiro, etc. As propostas de relacionamento se ampliaram, relativas a década de 80 e de 90. Em nossa sociedade brasileira, estamos também experimentando outras possibilidades de relacionamentos chamados de "estáveis". Cada faixa etária vive um fenômeno de sua geração. Sem dúvida que todos desejam algo que lhes gratifiquem. A geração mais jovem até os 30 anos ou mais, deseja constituir família com alguém, em que possam confiar, dividir, crescer e realizar projetos. Os novos casamentos de pessoas acima dos 30 desejam encontrar parceiros mais adequados para continuar realizando seus desejos de ter filhos, estabilizar profissionalmente e economicamente. E os acima dos 50 anos desejam ter um companheiro para compartilhar suas vidas pessoais, não tanto sociais nem economicamente. O desejo de todas as gerações parece ser encontrar o companheiro afinado. O problema são os mal entendidos. A dificuldade de perceber que o sujeito, não é exatamente aquele, de que se espera algo. Conseguir identificar seus próprios desejos, perceber o outro como ele, pode ser uma tarefa árdua. As demandas de nossa sociedade nos impõem desejos que muitas vezes não nos pertence, resultados imediatos, projeções no outro de nossas expectativas, ignorando o que o outro quer e sente.

PIT - Você acredita que morar junto antes do casamento ajuda no relacionamento?
ZS -
Esta experiência é muito singular, cada casal irá encontrar uma maneira de encontrar o seu ponto ótimo para decidir a hora de definir uma relação estável. Sem dúvida, que, quanto maior o conhecimento de como cada parceiro é, pensa, se comporta, maior é a intimidade do casal, o que promove maior segurança para prosseguir no crescimento da relação. Intimidade é uma conquista, seria a possibilidade de mostrar para o outro suas qualidade e defeitos, fundados nos sentimentos amorosos.

PIT - Falando ainda sobre isto, mesmo morando junto as pessoas ainda pensam em oficializar a relação?
ZS -
Tenho observado na clínica, que o morar junto, traz o desejo de casamento (relação estável), podendo ser oficializado através de rituais sociais, religiosos, ou através do nascimento de um filho, que caracteriza a formação de uma família.

PIT - Você atende jovens casais. O que os leva a fazer uma terapia de casal? Qual a maior queixa nos atuais relacionamentos?
ZS -
Jovens casais desejam realizar seus sonhos, querem que tudo dê certo, não querem repetir os erros vistos em suas famílias e amigos. Me encanto com o empenho destes jovens esclarecidos, bombardeados por informações, mudanças, buscando encontrar equilíbrio em suas vidas, lutando juntos para fundar o casal e futura família. Basicamente o que os leva a terapia, é o temor de não terem sido capazes de escolher um parceiro, que componha com eles, e serem rejeitados ao se mostrarem como são. Toda relação é construída pela confirmação de que somos aceitos e amados como somos. Estes casais estão aprendendo a se conhecerem como pessoas, através do outro, ao se conhecerem podem se articular dentro da relação. Pela ansiedade, se atropelam não se percebendo e atribuindo suas dificuldades a incompreensão do companheiro. A maior queixa que percebo na clínica, é a incapacidade de ver o companheiro como uma pessoa diferenciada, que traz costumes, princípios, histórias de vida próprias o que exige um esforço na compreensão desta diferença, não como um impasse, mas como uma composição. Ao compor com as diferenças, abre-se um novo caminho a futura geração, promovemos uma nova síntese de toda esta experiência.

PIT - Você deve ter historias curiosas... Pode nos contar alguma?
ZS -
Um casal me procurou alguns meses antes do casamento, percebendo que tinham diferenças relativas a maneira como cada um desejava realizar este casamento. No entender da noiva deveria ocorrer com todos os rituais, religiosos e festivos, no entender do noivo, o casamento civil bastava. A festa de casamento era naquele momento um tema de impasse, havia também a questão religiosa das diferentes crenças das famílias. O que me fez pensar sobre a preocupação deste jovem casal de como lidar com estes primeiros impasses da relação a dois. Foram encaminhados por um parente, que também procurara ajuda antes de oficializar o casamento. Comentei que inaugurava em minha clínica uma nova proposta: uma terapia que visava a "preparação para o casamento". Algo com um sentido profilático, tipo, “precisamos nos preparar” para "sabermos se daremos certo". Situação que me fez refletir sobre o receio de errar, o medo do sofrer. Não entendendo uma experiência de vida como uma construção, mas com algo mais imediato onde se tem que acertar ou errar.

PIT - Qual a sua sugestão para os pais que tem filhos que estão namorando ou que querem se juntar?
ZS -
Este é outro tema complexo. Pais com filhos jovens devem estar atentos, na medida do possível. Devem acompanhar os movimentos de seus filhos, atenção é sinônimo de cuidado e amor. Ao receberem os parceiros de seus filhos, tornam-se mais próximos destes novos elementos da família, o que permite diálogo. O que se tem observado em nome da privacidade dos filhos, é uma certa "compreensão" e distanciamento. Nem todos os pais acham natural, que seus filhos exerçam sua vida sexual dentro de casa. Poder se posicionar quanto aos seus conceitos morais, éticos, religiosos permite uma relação franca e adulta de ambas as partes. Sobre o morar junto, aponta para o desejo de mudança de status, de filho dependente, para aquele que deseja criar sua própria casa, sua própria família. Para isto, será preciso estar preparado emocionalmente, financeiramente. Estando o jovem casal pronto para bancar este novo empreendimento, os pais devem dar seu voto de confiança. Dizem que se criam os filhos para o mundo, um dia eles crescem e irão formar novas famílias, é o destino da humanidade.

PIT - Zeila, muito obrigada por sua entrevista e deixe aqui o seu recado!
ZS -
Nós como pais ou como avós, ficamos perplexos diante das mudanças de costumes deste mundo contemporâneo. Sabemos que dentro da família sempre ocorreram conflitos, divergência de opiniões, ressentimentos. Em cada família existe um sistema de crenças e um elo poderoso, que a une, sentimentos amorosos, de respeito, de consideração.
Os novos entendimentos serão construídos, na medida em que se resgatem estes valores entre pais e filhos.




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quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Shalom!
O Papo de hoje é com um jovem ator que está fazendo o maior sucesso no papel de Renato Russo.
Com vocês.... Bruce Gomlevsky !


PIT - Olá Bruce! Um prazer tê-lo aqui no Papo em Comunidade!
BG -
Olá Patricia!

PIT - Para começar, conte um pouco da sua trajetória...
BG -
Me formei em teatro pela CAL (Centro das Artes de Laranjeiras). Mas tudo começou na escola. Estudei minha vida toda no Colégio Andrews e lá é uma escola com tradição em teatro. Vários nomes famosos estudaram lá, como Miguel Falabella e Marisa Monte, por exemplo.

PIT - Como você se interessou pelas artes cênicas?
BG -
Bom, sempre gostei de artes em geral. Aos nove anos tocava bateria, na verdade meu lado artístico começou com a música. Mas como falei, foi na escola que descobri o teatro, tive aulas com Gustavo Gasparini e aos 15 anos tudo começou efetivamente.

PIT - Você já fez TV , teatro e cinema. O que te dá mais prazer?
BG -
Gosto de tudo! Adoro TV, cinema e teatro. Como espectador, adoro cinema, as maiores interpretações estão no cinema, nos clássicos. O teatro é um lugar onde eu posso criar, produzir. O teatro é a raiz, a base onde se pode exercitar, experimentar. Não entendo um ator que não faz teatro. Vivenciar o “ao vivo” é importante. Mas adoro fazer os três!

PIT - “Renato Russo” é um sucesso de público e crítica. A que você atribui este sucesso: a história, o personagem, sua performance ou tudo junto?
BG -
É uma confluência de fatores. É um tema que gera curiosidade. Todos querem saber sobre Renato Russo. E, modéstia à parte, acertamos na mão: a banda, luz, direção, cenografia, tudo muito afinado. Foram dois anos de pesquisa e imersão que resultaram num trabalho muito sincero, honesto.

PIT - A produção também é sua. O que te levou a montar esta peça e qual o maior desafio em produzir teatro no Brasil?
BG -
É a minha quinta produção, todos acham que comecei agora mas estou na luta há sete anos, nas primeiras produções tive que vender carro, pegar empréstimo... Mas desta vez foi diferente, de cara consegui patrocínio. A idéia surgiu quando minha esposa Julia Carrara me deu o livro “O Trovador Solitário” do Artur Dapieve, sobre a história do Renato Russo e ali me veio a idéia de montar um espetáculo sobre ele. É difícil produzir teatro no Brasil, mas eu gosto, é uma forma de se realizar o próprio trabalho. Eu faço tudo! Teve um projeto que fui a 300 empresas!! Com o “Renato Russo” foi mais fácil, tive sorte!

PIT - Como foi o laboratório da peça? Alguma curiosidade que você possa contar?
BG -
Assisti tudo do Renato: entrevistas, shows, depoimentos, falei com amigos, família, integrantes da banda estive no apartamento dele em Ipanema, que está praticamente como ele deixou, como fã fiquei muito emocionado ver os livros, instrumentos e objetos dele. Fiz aula de canto e fono, foram dois anos de pesquisa. Durante este processo, sonhei muito com o Renato. Um contra-regra disse que viu uma vez, no teatro, um vulto que parecia ser ele. A Carmem Teresa, irmã do Renato, diz que ele tá vendo tudo. Eu costumo pedir “permissão” ao Renato antes das peças, é uma energia muito forte que estamos trabalhando. A gente tenta mostrá-lo com um ser humano multifacetado e não caricaturado.


PIT - Falando na irmã, como foi a reação da família do Renato Russo quando viu o espetáculo?
BG -
Foi ótima!! Fiquei próximo deles, tive uma relação muito boa com o Giuliano, (filho do Renato) ficamos amigos. Ele me disse uma vez, algo que me marcou muito: “Bruce, você não é o meu pai, mas você disse tudo que eu precisava ouvir”. A irmã, Carmem Teresa, assistiu a peça 11 vezes e quando fui a Curitiba, reduto da família Manfredini, todos foram me assistir.

PIT - Você também vai participar de uma montagem do TIC (Teatro Israelita de Comédia). O que você pode nos adiantar?
BG -
É um texto israelense super bonito “Ele caminhava pelos campos”, a história se passa nos anos 40, primórdios dos Kibutzim, quando se tinha uma ideologia bacana, diferente dos dias de hoje. Vai ser apresentado em breve, aguardem!

PIT - O que você gostaria ainda de realizar?
BG -
Ah! Muita coisa! Sou um iniciante, um aprendiz, quero fazer tudo, chegar aos 70 anos de carreira. Tenho vontade de representar vários personagens de Shakespeare, por exemplo. O que me move são os desafios e a paixão em representar. Sou apaixonado por boa dramaturgia independente do gênero.

PIT - Muito obrigada por sua entrevista e deixe aqui o seu recado!
BG -
Obrigado a você Patricia e gostaria de convidar quem ainda não assistiu Renato Russo e para quem já assistiu, ver de novo, no Teatro João Caetano, de sexta a domingo, sexta e sábado as 19:30 e domingo 18:30 com preços populares, até o dia 19 de outubro. Espero vocês lá!




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quinta-feira, 4 de setembro de 2008



Shalom!
Uma grande idéia merece atenção. E poder torná-la realidade é muito gratificante.
Aline Cohen conta sobre a realização da sua grande idéia!
Aproveitem!


PIT - Olá Aline, bem vinda ao Papo em Comunidade!
AC -
Olá Patricia!

PIT - Para começar conte um pouco sobre você, sua formação...
AC -
Sou formada em desenho industrial pela Puc - Rio, e trabalhei durante muitos anos para uma agência de design de produtos e merchandising, a Tátil Design. Hoje, após ter feito alguns cursos relacionados a design de brinquedos, passei a me dedicar exclusivamente à criação e desenvolvimento de brinquedos para crianças com necessidades especiais. A Bandeja Brincante, foi o primeiro brinquedo industrializado e patrocinado por doadores para hospitais públicos, como INCA, Hemorio, Hospital dos Servidores e IPPMG - UFRJ.

PIT – Falando em bandeja brincante, explique para nós, do que se trata?
AC -
A "Bandeja Brincante" é um brinquedo que foi desenvolvido para crianças hospitalizadas, em qualquer situação de espera ou impossibilidade de locomoção. Esta, por se comportar como uma bandeja pode ser usada em cadeiras, leitos e até como suporte para refeições e leitura. Em sua parte superior possui um Kit Lúdico, com uma lousa para desenho livre e um kit de peças imantadas, onde a criança exerce sua criatividade a cada vez que brinca.

PIT - Como surgiu esta idéia?
AC -
A idéia surgiu após uma visita ao projeto social Brincante, cujo sou colaboradora desde 2007. Este acredita que o brincar pode não só atenuar o sofrimento físico e psíquico de crianças hospitalizadas, mas como também pode ajudar na cura das mesmas. Em muito pouco tempo de visita, observei que as crianças que faziam quimioterapia, precisavam ficar de 4 a 6 horas sem poderem se locomover; assim pensei, se elas não podem ir até a brinquedoteca, que a brinquedoteca venha até elas. O objetivo inicial não era criar um novo brinquedo era criar uma nova oportunidade de brincar.

PIT - Qual a sensação de ver um projeto seu “ganhar vida”?
AC -
Não tenho palavras. Realmente esse projeto não é um simples produto que estou produzindo e vendendo, é a realização de um sonho. Durante um ano, desenvolvi o brinquedo conciliando com o meu outro trabalho, na agencia Tátil Design. Quando percebi o quanto este tipo de projeto me sensibilizava comecei a me dedicar exclusivamente para o desenvolvimento de projetos para crianças especiais.

PIT - Você tem outros projetos?
AC -
Tenho, mas ainda estão no papel. Acredito que meu próximo produto será uma adaptação da Bandeja Brincante para adolescentes. Este público, infelizmente, não tem muita atenção dos que buscam fazer algum trabalho social em ambiente hospitalar.


PIT - Qual o seu sonho?
AC -
Ter força e apoio para continuar me dedicando a criar estes brinquedos.

PIT - O que você diria para as pessoas que tem alguma idéia e não tocam para frente?
AC -
Diria que para realizar um sonho precisamos passar por lutas diárias. Quando se tem uma meta, às vezes, aparecem obstáculos que nos fazem pensar em desistir. Confesso que em alguns momentos isso aconteceu comigo. Mas quando somos motivados pelo desejo, essas dificuldades nos ajudam a ter certeza aonde queremos chegar.
Sem dúvida, incentivo qualquer tipo de iniciativa de trabalho onde a maior motivação é o desejo.

PIT - Muito obrigada por sua entrevista e deixe aqui a sua mensagem!
AC -
Gostaria de agradecer imensamente o grupo Simchá da Wizo pela força e incentivo!!! São atitudes como esta que me dão energia para continuar.
Um forte abraço!



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