quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009



Shalom!
Um ambiente bem decorado é tudo, né?
Ver revistas com ambientes diferentes dá sempre água na boca. Concordam?
Vamos então conversar com quem entende, e muito, do assunto.
Jairo de Sender... Pode entrar, a casa é sua!


PIT - Olá Jairo! Bem vindo ao Papo em Comunidade!
JDS
- Olá Patricia!

PIT - Como começou seu interesse pela arquitetura?
JDS -
Meu interesse pela arquitetura começou desde menino quando resolvi 'decorar' o quarto de meus irmãos e o meu, com apenas 12 anos, palpitando para o decorador contratado pelos meus pais. Ao ir para Israel em 75, pelo tapuz, e chegando em Roma pela primeira vez aos 17 anos, decidi que a paixão pela arquitetura era marcante! De volta ao Rio de Janeiro transferi minha matricula para o Bahiense - pré-vestibular, pois até então achava que seria um cirurgião plástico. Como podes ver sempre ligado à estética.


PIT - Qual o projeto que te deu mais prazer e orgulho em fazer?
JDS
- Sinceramente, a sinagoga Beit Lubavitch da Barra e o colégio Eliezer Max em Laranjeiras pelo carinho e respeito recebido destes.


PIT - Você participa de eventos importantes como Casa Cor, Ilha de Caras... Você mesmo define o que vai ser feito nestes locais ou te passam uma idéia?
JDS
- Cada arquiteto decide o que fazer baseados nas propostas de cada evento, mas a liberdade de expressão na criação é totalmente pessoal e individual vale a fantasia de cada um.


PIT - Como se dão as tendências? Vêm de fora ou são criadas por aqui mesmo?
JDS -
Vêm de fora, mais precisamente da feira de Milão que acontece anualmente em abril e onde me reciclo a cada ano,e que mandam as tendências para o mundo inteiro alem das feiras de cerâmicas que acontecem em bologna, na Itália portanto, aqui no Brasil, fazemos as avaliações do que se encaixa em nosso perfil consumidor.


PIT - Na sua concepção menos é mais?
JDS
- Não posso generalizar, nem sempre... Como gosto de uma grande mistura de tudo, às vezes o menos é pouco. Mas cada caso deve ser isolado e avaliado por si só.


PIT - Qual a marca registrada de Jairo de Sender?
JDS
- Irreverência sempre, mais beleza, praticidade e funcionalidade caminhando juntas ! Sempre!!!!!!

PIT - O que você ainda sonha em fazer?
JDS -
Um grande hotel boutique com minha griffe!

PIT - Jairo, muito obrigada por sua entrevista e deixe aqui o seu recado!
JDS -
Meu recado é: o tempo disse ao tempo para dar tempo ao tempo porque tudo tem seu tempo!
E mais: felizes são aqueles que sonham sonhos e estão dispostos a pagar o preço para torná-los realidade!
Beijo no seu coração Patricia e obrigado pelo carinho e atenção comigo.







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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009





Shalom!
O que seria da vida sem música?
Para vocês um Papo musical!
No palco.. Katia Bronstein!


PIT - Olá Katia, bem vinda ao Papo em Comunidade!
KB
- Olá Patricia!

PIT - Atriz, cantora, compositora, bailarina. Como você gosta de se definir?
KB -
Cantora, compositora e atriz. Tive uma formação de dança, mas usei essa habilidade para trabalhos em teatro musical.

PIT - Quando e como você começou a pensar em ser cantora? Teve alguma influência?
KB -
Minha mãe participava de festas e saraus musicais em torno na bossa nova, desde seu nascimento. Ela chegou a participar do coral de um dos discos de Egberto Gismonti nos anos 70. Música sempre esteve presente na minha casa e desde pequena eu comecei a frequentar aulas de musicalidade. Eu também estudei dança e teatro, e nos anos 80 fiz parte de um grupo de artistas de van-guarda no Rio de Janeiro. Esse grupo, liderado por Perfeito Fortuna (Asdrubal Trouxe o Trombone), criou o Circo Voador, que inicialmente foi montado no Arpoador. Depois de participar de diversos projetos em cinema, teatro e música decidi focar meu trabalho no canto. Nos anos 90,quando comecei a procurar novos parceiros para aprofundar meu conceito musical, tive a sorte de encontrar o saudoso produtor musical Suba, que trabalhou comigo no meu primeiro CD "Katia B". Nossas futuras parcerias tiveram uma ótima repercussão internacional. Hoje eu já tenho 3 discos gravados. Influências muitas, Beatles, Bebel Gilberto, Secos e Molhados, Milton Nascimento, Bjork...

PIT - Seus discos têm uma atmosfera pop/MPB sem soar igual a outras cantoras. Como você conseguiu encontrar este diferencial?
KB
- Acho que eu sempre me senti diferente, e sempre achei que fazia um trabalho diferente dos outros músicos, muito pessoal. Então, deixando aflorar o que eu sou, o trabalho ficou com uma cara muito minha. Não foi nada muito planejado.

PIT - Dentre as suas composições qual a sua preferida? Você tem algum método para compor?
KB -
Eu gosto muito de compor em cima de alguma harmonia. Ficar procurando a letra e a melodia. Mas não tenho nenhuma regra. Já comecei da melodia, da letra, cada música vem de uma forma. Gosto bastante de "Segredo" (Suba/Katia B) e de "Are You Sleeping” (Suba/Bid/Katia B).

PIT - O time de músicos que acompanha Espacial, seu recente trabalho, é uma verdadeira seleção: vai desde Marcos Suzano a Dé Palmeira, passando por Daniel Jobim, Donatinho, Sacha Amback, Jaques Morelenbaum, além de João Barone, Plínio Profeta e Jr. Tolstoi, entre outros. Como foi reunir esse super time para entrar em campo?
KB -
São amigos, parceiros e colaboradores que venho colecionando desde pequena. O Jaques Morelembaum foi o regente de um coral da escola que cantei aos 7 anos, o Daniel foi trazido pelo Chico Neves, que também produziu Espacial. Esses caras são o maior tesouro do meu trabalho.

PIT - O que você tem ouvido ultimamente?
KB -
Satolepsambatown, disco em dupla do Marcos Suzano e Vitor Ramil, uma beleza.

PIT - Você tem um show em homenagem a Madonna. Como surgiu esta idéia?
KB -
Surgiu de uma vontade de brincar mais com o meu lado atriz, sem fazer musical. Como eu sou muito fã das músicas da Madonna, aproveitei pra curtir a possibilidade de cantar as músicas dela misturadas com as minhas num show sem compromisso de ser o show do disco. Foi muito prazeroso e me fez descobrir muitas possibilidades novas.

PIT - O que você gostaria ainda de realizar?
KB -
Novas parcerias e encontros musicais.

PIT - Algum novo projeto que possa nos adiantar?
KB -
Alguns shows previstos para a Europa este ano.

PIT - Katia, muito obrigada por sua entrevista e deixe aqui o seu recado!
KB -
Escutem mais do meu som! http://www.katiab.com.br/
beijos!! KB

Assista aqui o clipe da música "Segredo"


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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009





Shalom!
Dizem que rir é o melhor remédio, certo?
Então, que tal um papo com alguém bem humorado?
Com vocês... Gilberto Marmorosch!


PIT - Olá Gilberto! Muito bom poder conversar com você!
GM -
Querida Patrícia, um prazer muito grande poder bater este papo com você pedindo mais uma vez mil desculpas pelo atraso em função de problemas alheios a minha vontade, mas como diz o ditado: antes tarde do que nunca.

PIT - Quando você decidiu ser ator? Conte como tudo começou...
GM -
Bom, desde pequenininho eu acho que tinha uma queda pela arte. Fazia tanta arte que no 3º ano primário fui convidado pelo diretor do Colégio Sholem Aleichem a me retirar do Colégio, claro que injustamente, mas me lembro que participei de um jogral no Teatro República onde hoje se situa a Tv Cultura do Rio de Janeiro. O tempo foi passando e criei coragem e fui participar de peças de teatro que o Clube Israelita Brasileiro (CIB) montava para participar de Festivais de Teatro Amador. Participei também do grupo TEJO (teatro da PUC) quando estudava Engenharia por lá. Até que um dia vi um anuncio para participar do grande musical ¨Um Violinista no Telhado¨ cujos testes iam se realizar no Teatro Copacabana. Resumindo, depois de 3 dias de testes fui contratado como profissional para trabalhar na peça. Estreei então como ator profissional em 1971 no Teatro João Caetano e estou até hoje mostrando o meu trabalho como ator, no teatro, cinema e televisão.

PIT - Você tem vários trabalhos em TV e pode ser visto em comerciais. O que te deixa mais realizado como ator?
GM -
De fato, nesses trinta e poucos anos de vida artística fiz várias novelas na televisão, casos especiais, minisséries, programas humorísticos bem como ultimamente dois comerciais que fizeram grande sucesso e me tornaram um pouco conhecido pelo público em geral pois a TV penetra na casa de todo mundo. São justamente esses trabalhos ao longo desses anos todos que me realizam como ator. Precisamos ter sempre espaços para mostrar nossos trabalhos. Pode parecer fácil para muitos, mas na realidade a batalha é muito grande e ainda temos que ficar sempre procurando mais frentes para continuarmos.

PIT - Falando em comerciais... Como foi contracenar com a Juliana Paes? O biquíni realmente não combinava com a sandália? No outro anuncio, você ficou mesmo sem roupa?
GM -
Patrícia querida fui muito tempo e sou até hoje muito invejado por ter contracenado com a Juliana Paes no comercial das sandálias havaianas. Diariamente me param na rua e em todos os lugares que me reconhecem, perguntam como ela é, se ela realmente é bonita e principalmente se a parte de baixo do biquíni combina com as sandálias. Eu gosto muito desse diálogo com o público e digo a todos que ela realmente é muito bonita, principalmente muito simpática e merecedora de toda nossa admiração e digo também que dei a oportunidade a todos de verificarem que a parte de baixo do biquíni realmente combinava com as sandálias depois que ela tirou a canga. Foi muito bom poder em 30 segundos mostrar um comercial com muito humor que é o que eu realmente gosto de fazer. Quanto ao comercial da Losango também foi muito prazeroso de fazer, pois fiquei contratado com exclusividade, inclusive não podendo participar de nenhum programa , novelas, etc na TV e que durante um ano e três meses divulgamos a financeira criando quadros engraçados da família chamada Veloso.
Num desses quadros, eu perco uma aposta com meu genro e volto da padaria teoricamente pelado. Claro que tinha uma minúscula sunga que dava a nítida impressão que estava pelado. Mesmo assim, fui convidado para ser capa da revista PLAYBOI e também do GLOBO RURAL (risos).

PIT - Durante estes anos você passou por alguma situação embaraçosa ou engraçada que possa contar?
GM -
Claro que nesses trinta e poucos anos de vida artística passei por várias situações embaraçosas e muito engraçadas principalmente no teatro onde você tem o contato direto com o público e as improvisações erros e esquecimento de texto nos deixam em situações muito difíceis, mas é justamente nessa hora que podemos mostrar nosso talento nos livrando dessas situações. Foram várias situações engraçadas, mas que se contasse por aqui não haveria espaço suficiente. Não faltará oportunidade, numa palestra ou bate papo que volta e meia sou convidado para participar, de contar esses momentos hilários.

PIT - Você é uma pessoa bem humorada. O que te tira o bom humor?
GM -
Eu gosto muito do humor. Vivo sempre relacionando um assunto com alguma piada. Adoro ouvir e contar piadas perco um amigo, mas não perco a piada. É o meu jeito de ser e depois de uma certa idade não se pode mais modificar ninguém. Estou quase chegando aos cinqüenta e quinze anos (sim, porque sessenta nunca farei) e estou louco para tirar a minha carteira de idoso para fazer um Tour gratuito pelos bairros da cidade de Metrô e também poder andar de ônibus de graça. Vou entrar num ponto e soltar no próximo, só pra gastar o dinheiro do governo do Estado, afinal paguei durante esses anos todos os meus impostos, agora quero usufruir. Mas voltando a pergunta, o que me tira o bom humor é a incompreensão de algumas pessoas, justamente por não entenderem que somos também humanos, que passamos por grandes problemas e dificuldades e que nem sempre estamos dispostos a fazer graça.

PIT - O que você tem de novidade que possa nos adiantar?
GM -
Estamos no começo do ano, vamos começar a ensaiar uma comédia para o teatro. Temos muitos planos para realizar com o TIC (Teatro Israelita de Comédia) e contamos com a ajuda de toda a comunidade para mantermos o TIC no lugar que ele sempre deve estar e com recursos para divulgar a nossa cultura para dentro e para fora da nossa comunidade.

PIT - Qual o desejo de Gilberto Marmorosch? O que ainda falta fazer?
GM -
Sinceramente, desejo que haja muita compreensão, saúde e muita paz entre os povos do mundo inteiro que eu possa ser lembrado para muitos trabalhos no teatro, no cinema na televisão inclusive no rádio (que também gosto muito de fazer) para que eu possa pagar minhas obrigações mensais e continuar com muita saúde e poder transmitir muita alegria em tempos de muita turbulência que ora enfrentamos.

PIT - Muito obrigada por sua entrevista e deixe aqui o seu recado!
GM -
Muito obrigado a você Patricia Ingo Tendrich pelo espaço e oportunidade de conversar com todos vocês e deixar o meu recado: Lute sempre pelo seu espaço. Procure sempre fazer o que gosta. Nunca desista, pois mais cedo ou mais tarde o seu dia chegará e você será muito feliz. Mil beijos a todos!

Assista Gilberto Marmorosch no comercial das Havaianas





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quinta-feira, 29 de janeiro de 2009





Shalom!
O Papo de hoje é com uma assistente social e terapeuta de grupo.
Diretamente de Israel: Deborah Erlich!

PIT - Olá Deborah, bem vinda ao Papo em Comunidade!
DE -
Olá Patricia!

PIT - Para começar conte um pouco sobre você, sua formação...
DE -
Moro em Tel Aviv. Fui do Movimento Hashomer Hatzair e emigrei para Israel em 1992 com uma pausa de três anos entre Índia e Brasil. Sou formada em Assistência Social pela Universidade de Tel Aviv e em Terapia de Grupo pela Universidade Bar-Ilan.

PIT - Como é o seu trabalho em Israel?
DE -
Eu trabalho numa organização chamada Enosh que facilita a reabilitação de pessoas com problemas psicológico-psiquiátricos. Esta organização é ligada ao Ministério da Saúde de Israel e oferece vários serviços. O meu trabalho consiste em dar acompanhamento terapêutico semanal, terapia de grupo e também servir de intermediaria na interação do paciente com o seu local de trabalho, sua família e o seu meio social.

PIT - Você lida com jovens que serviram o exército. Quais os maiores problemas que eles apresentam?
DE -
O exército de Israel constitui um elemento crucial de inserção na sociedade israelense e é formado em sua grande maioria por jovens entre dezoito e vinte e dois anos que são recrutados para o serviço obrigatório. A maioria dos jovens recrutados é consciente do fato que terão que passar por novos desafios, por situações difíceis e perigosas, enfrentar verdadeiras provas físicas e psicológicas e talvez testemunhar a morte e ferimentos graves de seus amigos próximos durante alguma situação de conflito. Na verdade pode-se dizer que quase todos os cidadãos israelenses, homens e mulheres passaram pela experiência do exército de alguma forma. Eu trato de pessoas de todas as idades, sendo que a maioria deles tem recordações boas ou não tão boas da experiência no exército. Alguns pacientes receberam isenção do serviço obrigatório por já apresentarem problemas psiquiátricos, outros tiveram que terminar o serviço antes do fim e outros detectaram os problemas após o serviço no exército. O exército, sendo um fator causador de grande stress na vida destes jovens, pode ser um "disparador" de problemas psicológicos e ou psiquiátricos, mas isso também depende da predisposição de cada indivíduo. Muitas vezes, aqueles que não serviram o exército pelos motivos citados acima se sentem excluídos e discriminados, dada a grande importância do exército na sociedade israelense.

PIT - Passamos agora por um período de conflito em Israel. O que uma guerra pode ocasionar nas pessoas envolvidas?
DE -
No caso de Israel, todos estão envolvidos, desde os soldados no front, passando por suas famílias e amigos preocupados, os moradores das cidades de Sderot, Ashkelon, Beer –Sheva e redondezas que tem que lidar diariamente com a ameaça e o ataque dos mísseis sobre suas cabeças, e ate nós aqui em Tel Aviv que apesar de sermos denominados pelo resto de Israel como "a bolha", (modo irônico de dizer que estamos isolados), também sentimos o medo, a ameaça e mal-estar constante.
Numa guerra ou conflito os soldados estão sujeitos a entrar em estado de choque com a possibilidade de desenvolver a "síndrome pós traumática". Há dois anos atrás o número de soldados reconhecidos em Israel que desenvolveram a síndrome era de quase 3.000, hoje imagino que o número tenha aumentado. Entre os muitos residentes do sul de Israel, além daqueles que perderam familiares e amigos ou tiveram suas casas atingidas, existem aqueles que desenvolvem a síndrome de pânico (pós-ataque) pelo fato de estarem em constante stress.

PIT - No Rio você trabalhava na ONG Roda Viva, como foi trabalhar com as crianças do Borel? Que tipo de trabalho você realizava lá?
DE -
Foi uma experiência muito interessante. Tive a oportunidade de conhecer a realidade da favela de perto (e não através de filmes), o dia a dia das crianças e adultos que vivem lá. Eu atuava em várias áreas na ONG. Uma delas era diretamente com a população do Borel no centro comunitário que a ONG fundou no morro. Trabalhei também nas parcerias e projetos da Ong com instituições no exterior como, por exemplo, a Boston University.

PIT - Qual o seu sonho?
DE -
Muitos! Eu sonho com tranquilidade em Israel e um futuro melhor para nós e nossos vizinhos em Gaza

PIT - Deborah muito obrigada por sua entrevista e deixe aqui o seu recado!
DE -
Agradeço a você Patrícia pelo interesse! Recomendo um filme israelense que recentemente ganhou o Globo de Ouro nos EUA: "Walz with Bashir" de Ari Folman.




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quinta-feira, 22 de janeiro de 2009



Shalom!


Acabamos de viver um período conturbado em Israel. E mexendo nos arquivos encontrei uma entrevista que fiz ano passado e quero compartilhar com vocês:



O general aposentado Danny Rothschild, foi um dos principais comandantes do Exército de Israel. Em 1991, ele trocou a chefia do serviço secreto por um alto cargo nas negociações com os palestinos. Nesse ano, participou da Conferência de Madri que foi o marco inicial das conversações entre Israel e os países Árabes, onde estavam presentes delegações de Israel, Síria, Líbano, Egito e uma comissão conjunta jordano-palestina, assim como, observadores de outras nações e organizações, o que resultou no tratado de paz com a Jordânia. Em 1993 o general também participou da Conferência de Oslo onde foi feito um acordo entre Yitzhak Rabin e Yasser Arafat de reconhecimento do Estado de Israel e autonomia da Cisjordânia e Gaza. O currículo e os contatos mantidos nas agências de inteligência de vários países fazem de Danny Rothschild, hoje, empresário no ramo de segurança.


PIT - Como começou o seu trabalho com as Forças de defesa de Israel?
DR - Servi o exército como todo jovem israelense. Participei de varias guerras, como as do Iom Kipur em 1973 e Líbano. Fui assistente do chefe de estado, comandei a força israelense no Líbano, entre outras coisas.

PIT - O senhor foi coordenador das atividades do governo nos territórios. Como foi este trabalho?
DR - Tudo começou em 1991 quando participei da conferencia de Madri, onde estavam reunidos palestinos, jordanianos e sírios, foi a primeira vez que começou a se conversar sobre paz e chegou-se ao acordo de paz com a Jordânia. A reunião foi estranha, mas muito excitante. Foi aí que os vizinhos reconheceram Israel como Estado. Depois foi a vez da conferencia de Oslo em 1993 onde Rabin e Arafat conversaram sobre o acordo de paz.

PIT - Qual a diferença entra as negociações atuais e as estas a que o senhor se referiu?
DR - As lideranças nos dois lados ficaram muito enfraquecidas. Certa vez, eu estava no Cairo negociando com os palestinos. O então chanceler Nabil Shaat me mostrou um documento sobre um projeto de estrutura para um futuro governo palestino. Ele pediu que eu desse uma lida. O texto falava da repartição de Poderes, do equilíbrio das forças etc, com exceção do último parágrafo, que garantia a Yasser Arafat o direito de veto sobre qualquer decisão. Falei do texto com Yitzhak Rabin e ele me disse: "estão certos os palestinos, a paz só se negocia com líderes fortes". Apesar de eleito, Mahmoud Abbas é um ditador. Mas ele não tem poder para tomar grandes decisões. Arafat era um líder forte que não quis a paz. Abbas é um líder fraco que quer a paz. Em Israel também é muito difícil tomar decisões sem uma ampla maioria no governo. Junta-se a isto o fator Hamas, e temos a situação atual.


PIT - Qual o momento mais difícil de sua vida?
DR - Para mim o pior momento da minha vida foi o final da Guerra do Yom Kipur em 1973, no Egito, quando fui ferido.


PIT - Qual o grande problema no Oriente Médio?
DR - O problema está nos radicais islâmicos, nos extremistas e fundamentalistas, que não aceitam o Estado de Israel. Eles fazem terror através de sabotagem.


PIT - O senhor acredita na paz no oriente médio?
DR - Sim eu acredito na paz! Esta é a maior segurança para o Estado de Israel. Israel passa por momentos difíceis, mas não devemos ser pessimistas já passamos por coisas piores no passado e agora tenho certeza que vamos superar os problemas. “Só aqueles que sofreram com a guerra sonham com a paz”!

PIT - O senhor tem um sonho?
DR - Sim, tenho! Sonho todas as noites! (risos) Meu sonho é pegar meu carro e ir tranquilamente para Damasco (Síria) e comer humus! Antigamente o meu sonho era comer húmus no Cairo (Egito) e eu realizei! Por que não sonhar em comer húmus em Damasco?





Patricia Ingo Tendrich entrevista Danny Rotshchild






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quinta-feira, 15 de janeiro de 2009



Shalom!
Ele é multiinstrumentista, compositor e cantor. Autor de vários sucessos que marcaram a vida de muita gente.
No Papo de hoje.... George Israel!

PIT - Olá George é uma alegria tê-lo aqui no Papo em Comunidade!
GI -
Legal Patricia!

PIT - Como começou seu interesse pela música?
GI -
Um marco foi o filme Help! dos Beatles, eu tinha seis anos e no fim da sessão estava abduzido.Comprei o LP no mesmo dia e dai em diante minha conexão com a musica ficou visceral. Os interesses foram se desdobrando; a musica é um mundo sem fim...

PIT - O que vem primeiro: o compositor, o musico ou cantor?
GI -
Compositor, músico, depois cantor. Você acertou em cheio. Me sinto muito bem tocando, adoro a adrenalina e a entrega. Não consigo ficar muito tempo sem subir num palco, mas não sou virtuoso. O que eu fiz de melhor foram as músicas. Também gosto de arranjar e produzir; transformar ideias em sons. E gosto muito de fazê-lo com outras pessoas.

PIT - Como surgiu o Kid Abelha? Como é participar tanto tempo de uma banda de sucesso?
GI -
Entre varias bandas que eu tinha quando comecei a tocar sax no principio dos anos 80, uma delas virou o Kid Abelha. Sempre foi uma banda autoral, pop e bem original. Mas eu não tinha a pretensão nem ideia de que poderíamos ter uma carreira profissional tão longa. Tenho a felicidade de me orgulhar de tudo (ou quase tudo rsrsr) que fizemos ao longo desses 26 anos. E o nosso grande patrimônio é ter várias músicas nossas, presentes na vida de muita gente. Mas os planos continuam, parece que ainda não estamos satisfeitos e precisamos continuar criando coisas novas.

PIT - Você também tem o seu trabalho solo, primeiro foi “Quatro Letras” e há pouco lançou “Distorções do Meu Jardim”. O que te levou a fazer estes CDs solo?
GI -
O primeiro foi como um sonho, um tabu , uma curiosidade grande do que eu conseguiria realizar sozinho. Partiu de uma canção que fiz para o bar mitzvah do meu filho mais velho . Percebi que só eu poderia gravá-la e outras foram vindo. O segundo CD já veio como um caminho, uma outra possibilidade sendo criada dentro do meu oficio. Já fiz mais de 70 shows e estou adorando apesar das dificuldades de um recomeço.

PIT - Em “Distorções do Meu Jardim” você compôs “Curados sob o sol de Copacabana” uma homenagem a seus avós que escaparam do nazismo. Como foi fazer esta musica? O que você acha da musica como um canal de conscientização?
GI - Depois de assistir uma palestra do Sr Aleksander Laks um dos últimos sobreviventes dos campos. Precisei fazê-la para meus filhos e é também uma homenagem aos meus avós que conseguiram fugir da Polônia e chegar ao Brasil. "Para que o futuro não repita o passado". O livro “Filhos do Holocausto” de Jorge Mautner também me inspirou.

PIT - Não bastasse o Kid, o Cd solo, você ainda tem bandas paralelas como Os Britos e Os Roncadores. Conte mais sobre estes trabalhos...
GI -
Os Britos tem mais de 10 anos e a ideia inicial era tocar em lugares pequenos no Rio e encontrar e promover jams com os amigos. Acabamos fazendo um DVD que registrou nossas viagens a Londres e Liverpool com direito a shows no Cavern Club. Foi como ir à Disneylândia do rock, uma das coisas mais bacanas que já fiz. Os Roncadores é um trio de saxes + percussão e um encontro de amigos (e primos) saxofonistas, um espaço pra criar e ter o prazer de fazer parte de um naipe de sopros. Adoro nossas performances...

PIT - George Israel é incansável?
GI -
Quem mandou trabalhar com o que gosta? (-: Deu nisso...

PIT - O que você gostaria ainda de realizar?
GI -
Um DVD com participações de pessoas que tive a sorte de cruzar por aí...mestres e parceiros. Gravar mais CDs: solo ou com a banda. Uma trilha de cinema ou de um espetáculo também me interessaria. Quero produzir um documentário - show chamado o violão e seus brasileiros. Destacando a simbiose dos compositores que compõe ao violão, que praticamente virou parceiro de varias canções.

PIT - Algum projeto em vista que possa adiantar aqui?
GI -
Até tem um relacionado com a música “Curados ao sol de Copacabana”. Me foi proposto recentemente, mas é uma ideia bem complexa e que vai exigir um tempo para desenvolver.

PIT - Super obrigada por este papo e deixe aqui o seu recado!
GI -
Valeu Patricia, obrigado pelo espaço... Convido todos a ver o clipe de “Curados ao sol de Copacabana” quem quiser comentar o clipe e/ou receber outras infos do meu trabalho solo ggisrael@gmail.com
Abraços para todos!








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quinta-feira, 8 de janeiro de 2009



Shalom!
Representante da comunidade judaica na câmara municipal do Rio de Janeiro, ela foi reeleita e segue sua luta na política carioca.
Com a palavra a Vereadora Teresa Bergher!


PIT - Olá Teresa! Uma honra entrevistá-la aqui no Papo em Comunidade
TB -
Querida Patrícia, obrigada pela honra e carinho.

PIT - Para começar, conte como começou sua carreira política...
TB -
As coisas na vida da gente vão acontecendo espontaneamente. A minha entrada na política também obedeceu a esse processo. Primeiro colaborando com o meu marido em suas ações políticas dentro e fora da Comunidade Judaica, depois quando fui convidada a participar da administração pública municipal. Por último e talvez mais definitivo, quando o então vereador Gerson Bergher entendeu que não queria mais concorrer ao pleito municipal e resolveu com nosso grupo político, que Teresa Bergher preenchia os requisitos necessários para dar continuidade ao seu trabalho na Câmara Municipal.

PIT - Falando em Gerson Bergher... Ele sempre esteve ao seu lado.
Ele tem sido um grande professor? A vida de vocês é 24h política?
TB -
O Gerson Bergher, meu mentor político, sempre esteve e está ao meu lado e eu também ao lado dele. A nossa cumplicidade é de quase trinta anos, tanto na vida política quanto na afetiva. É um excelente mestre, embora seja independente e tenha uma personalidade forte, não deixo de consultá-lo em minhas decisões mais importantes. Quanto à questão de, a nossa vida ser política 24 horas, claro que não. Sabemos separar e distribuir o tempo, embora em alguns momentos a política invada as nossas vidas sem que percebamos.

PIT - Há pouco tempo a vereadora teve o projeto que determina o ensino do holocausto nas escolas públicas municipais vetado. Mas devido a sua persistência e capacidade o projeto foi aprovado. Como se sente quando algo deste porte acontece?
TB -
Foi muito gratificante para mim, aprovar o Projeto de Lei que determina o ensino de noções do que foi o Holocausto Nazista nas escolas. Agora vamos trabalhar para colocá-lo em prática em toda a rede de ensino pública municipal. É muito importante levar este conhecimento as nossas crianças, objetivando para que outros Holocaustos jamais possam acontecer.

PIT - Qual o projeto de lei que mais se orgulha de ter realizado?
TB -
Todos os projetos nos trazem orgulho e nos deixam felizes quando concretizados. No entanto, o primeiro projeto de Lei de minha autoria que até hoje não consegui aprovar, é aquele que cria o Código de Ética e Decoro Parlamentar na Câmara Municipal. Tenho certeza que a minha obstinação na aprovação deste Projeto em breve se tornará realidade. É uma necessidade urgente para a Câmara Municipal.

PIT - Qual foi a maior dificuldade que enfrentou nestes tempos de política?
TB -
Aprovar o Projeto de Lei que cria o Código de Ética. O descaso e a relutância dos meus colegas vereadores em fugirem da aprovação desta Lei, mostra quanto os valores na política necessitam ser repensados. A outra dificuldade é quando no dia-a-dia nos depararmos com anti-semitas, provocadores, disseminadores do ódio, que procuram atingir o povo judeu. A estes, nós enfrentamos com argumentos, com determinação e coragem. Não nos assustam. Sempre recebem a resposta que merecem.

PIT - Como é ser mulher na política? Como é o dia a dia da vereadora?
TB -
Ser mulher na política, entendo, que não é muito diferente do homem na política, salvo a discriminação camuflada. É trabalhar com seriedade, defender os interesses da Cidade do Rio de Janeiro, principalmente fiscalizar o executivo. Não permitir ou deixar de responder a qualquer tipo de ofensa às nossas tradições, religião e cultura lutar contra qualquer tipo de preconceito ou discriminação, não esquecer nunca que fomos eleitos para servir e não para nos servir. O dia-a-dia da Vereadora, às vezes é um pouco complicado, há que saber conciliar o tempo de esposa, dona de casa, filha; mas dou conta do recado, até o supermercado não deixo que ninguém faça por mim.

PIT - Como é ser uma representante da comunidade judaica na Câmara dos Vereadores? Qual o maior desafio?
TB -
É uma honra ser a representante da Comunidade Judaica na Câmara Municipal. São alguns milhares de judeus que acreditavam em mim e agora, nas últimas eleições me reconduziram ao cargo que ocupo. O maior desafio é estar sempre presente, atento, porque do nada, surge o anti-semitismo, latente, em uma parte da sociedade, e até uma ação do Governo de Israel na luta pela sua preservação, que nada tem a ver com a política do município do Rio de Janeiro, é usada como razão para nos atingir.

PIT - Qual o seu maior desejo? Existe algum projeto que a vereadora sonha em fazer?
TB -
O meu maior desejo é chegar nas comunidades carentes onde atuo e não assistir mais a tanta miséria, crianças passando fome, fora da escola, muitas vezes sendo aliciadas pelo tráfico, idosos abandonados, pessoas morrendo nas filas dos hospitais, cidade suja, violenta, seus habitantes com medo, vendo ser violado o seu direito sagrado de ir e vir. Ah, o meu maior sonho! É ver esta Cidade tão linda, mas com tanta desigualdade social, ser mais justa e esta justiça só virá se houver compromisso de seus administradores com o cidadão, e não com obras faraônicas ou interesses políticos e pessoais que desprezam o real interesse do Cidadão.

PIT - Hoje estamos numa situação de calamidade onde o Rio de Janeiro se vê refém de vários problemas nas áreas de saúde, transporte, educação, favelização, entre outros. Na visão da vereadora como se pode amenizar a situação atual da cidade como um todo?
TB -
Entendo que a situação de calamidade e abandono em que se encontra a Cidade do Rio de Janeiro, depende de vontade política e de amor à Cidade. Estabelecer prioridades, choque de ordem, união de forças, e dessas forças tem que participar também a sociedade civil organizada e não apenas as três esferas do Poder Público. Buscar parcerias com organismos internacionais e isto é possível. Por último investir no grande potencial turístico que tem a nossa Cidade, que é a mais bela do mundo.

PIT - Vereadora Teresa Bergher, muito obrigada por sua entrevista e deixe aqui o seu recado!
TB -
Agradeço imensamente a oportunidade do Papo em Comunidade, reafirmo as portas-abertas do meu gabinete à comunidade. O meu recado é de muita fé e que jamais deixemos de acreditar e ter a esperança em dias melhores. Obrigada.







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