quinta-feira, 20 de março de 2008





O Papo em Comunidade de hoje traz um entrevistado diferente. No ano passado tive a honra de entrevistar, a convite do Fundo Comunitário, o jornalista do Jerusalém Post, o árabe israelense Khaled Abu Toameh. Ele é um dos maiores especialistas nos conflitos internos palestinos e um dos poucos no mundo com fontes e trânsito nos territórios ocupados de Israel. Filho de pai árabe-israelense e de mãe palestina, ele se considera um árabe –israelense – muçulmano. Nasceu na Cisjordânia quando o país ainda estava sob o domínio árabe, e quando foi ocupado por Israel ele se tornou também israelense. Iniciou seus estudos em uma escola cristã e depois cursou Relações Internacionais na Universidade Hebraica de Jerusalém, cidade onde reside atualmente.

Compartilho com vocês esta entrevista!

Shalom e Chag Purim Sameach!!


PIT - Como começou seu trabalho como jornalista?

KAT - Desde pequeno quis ser jornalista. Quando terminei o segundo grau consegui um trabalho como repórter. Qualquer um que tenha curiosidade o bastante pode se aventurar no jornalismo. E foi o que eu fiz. Comecei no jornal da OLP (Organização para a Libertação da Palestina), mas como não podia escrever o que realmente acontecia, fui em busca de uma mídia onde eu pudesse ter liberdade de imprensa e exercer o verdadeiro jornalismo, assim cheguei no Jerusalém Post um veículo sério e de credibilidade.


PIT - Como é trabalhar no Jerusalém Post sendo um árabe israelense?

KAT - Normal. Tenho liberdade para escrever. Eles não me censuram. Às vezes fico bravo com meus editores quando pego o jornal pela manhã e eles não mudaram nem uma vírgula! Até os erros gramaticais estão lá. Falo com eles e eles dizem que meu inglês é melhor do que muitos americanos. Quer mais liberdade do que isto?

PIT - Você se diz “um verdadeiro jornalista” o que isto significa?

KAT - Um verdadeiro jornalista é aquele que é imparcial. Que não defende nenhum lado, nenhum ideal. Um verdadeiro repórter é aquele que conta os fatos do jeito que eles são sem ser tendencioso.

PIT - Então você acha que os outros não são verdadeiros jornalistas?

KAT - Não, lógico que não. Porque no mundo em que vivemos, especialmente no mundo árabe, você tem que ser membro do Hamas, da OLP (Organização para a Libertação da Palestina) ou alguma outra organização para ser um jornalista. O conceito é diferente. No mundo árabe o jornalista é uma espécie de advogado que defende seu governo, seu presidente, seu povo, não escreve sobre a corrupção que acontece por lá, não há imparcialidade. É um jeito diferente de fazer jornalismo.

PIT - Você acredita na paz?

KAT - Sim, todos nós queremos a paz. Mas eu não acredito que vá acontecer, não é fácil. Eu não acredito que a verdadeira paz, no sentido de amor, harmonia, aconteça. A única coisa que podemos fazer agora é gerenciar o conflito, assim a gente tenta diminuir a violência, o que é bom. Temos que manter judeus e palestinos separados, eles não querem viver juntos, especialmente depois do que aconteceu há sete anos, isso é bom, não há problema, mantê-los separados gera calma, tranqüilidade e todos precisam disto.

PIT - O que você acha de um Estado palestino?

KAT - Eu acho que é uma boa solução. Mas não acho que seja prático e nem viável, porque os palestinos têm que agir junto, eles não são unidos. Eles não têm uma boa liderança, brigam entre eles e sob estas circunstâncias um estado não pode ser estabelecido. É uma tragédia o que eles fizeram com eles mesmos. O Estado palestino não é um presente de Israel, é algo que se tem que trabalhar duro para alcançar, eles não podem esperar que Israel ou Condoleezza Rice lhes dêem um Estado, eles têm que provar para o mundo que merecem ter um estado, fazer por onde e eles não fazem, eles estão perdendo tempo.

PIT - Os palestinos pensam assim, que merecem um estado? Que tem que lutar para ter um?

KAT - Claro, a história é esta. O problema não é o povo. O povo quer viver em paz, quer uma boa vida, quer um Estado. O problema é a liderança que é corrupta que não se importa. Já era para ter este Estado há muito tempo, mas a OLP pegou o dinheiro da comunidade internacional e perdeu, jogou fora, não deu para as instituições, não fez nada de bom.

PIT - Qual o seu sonho como jornalista?

KAT - Meu sonho é continuar trabalhando como jornalista e ver meus filhos crescerem e viver feliz para sempre. Adoraria ver a paz de verdade, não um acordo aqui outro ali, a situação era melhor antes de começar o processo de paz. Eu quero que meus filhos tenham um futuro tranqüilo, isto para mim é muito importante.

PIT - Você tem medo de algo?

KAT - Sim. Tenho medo da “Jihad” Global, do crescimento do fundamentalismo islâmico. Eu sou um muçulmano moderado, me preocupa o que estas pessoas estão fazendo, eles distorceram a imagem do Islã.

quinta-feira, 13 de março de 2008


Shalom!!

Você já pensou em fazer uma plástica?

O Papo em Comunidade de hoje traz um especialista em Cirurgia Plástica e Medicina Estética.

Dr. Eduardo Sitnoveter!

Aproveitem!


PIT - Olá Dr Eduardo bem-vindo ao Papo Em Comunidade! Para começar, por que você decidiu fazer medicina? Por que a opção pela cirurgia plástica?

ES -Acho que temos que decidir nossas carreiras muito cedo. Temos que contar com o fator sorte, ou seja, acertar o que se gosta de fazer sem saber muito sobre o assunto. Decidi seguir a carreira de médico, por incrível que pareça, porque gostava muito de atividades manuais tipo montar Ravel e outros brinquedos, e não queria usar terno e gravata todos os dias. Pensei então: vou fazer cirurgia aí passo o dia montando coisas (operando) e posso usar tênis todos os dias.

PIT -Você foi aluno do Dr. Ivo Pitanguy. Como foi estar ao lado de uma sumidade da cirurgia plástica internacional e o que você traz de experiência?

ES -Foi a realização de um sonho. No meio da minha residência em cirurgia geral, decidi que iria realizar cirurgia plástica. Gostava de operar, mas estava cansado de ficar retirando órgãos – quando o paciente tinha um câncer, retirávamos parte do órgão, quando tinha calculo na vesícula, retirávamos a vesícula – queria criar algo. Foi aí que optei pela cirurgia plástica. Logo então veio o nome do professor Pitanguy. Considerada talvez a melhor escola mundial de cirurgia plástica, conviver com o Professor seria o máximo. Fiquei recluso durante 2 meses numa casa de campo em Teresópolis me preparando para a prova. E depois de ser aceito pelo Professor, pude conviver acompanhando-o em cirurgias, consultas, apresentações além das conversas que eventualmente tínhamos. Muitos dos ensinamentos que tive com o Prof. Pitanguy, só consegui assimilar anos depois da residência que tive com ele. Aí, no dia a dia atendendo meus pacientes, lembrava das observações e conselhos que ele me dava, mas que não conseguia assimilar na época. Realmente foi uma grande experiência ficar ao lado do Mestre da Cirurgia Plástica e até hoje aprendo e procuro seguir os ensinamentos de sua escola.


PIT - Como você vê a medicina estética no Brasil?

ES - Durante muitos anos pratiquei (e ainda pratico) a medicina estética sem ela ainda existir com o nome que tem hoje. Realizava procedimentos mínimos invasivos que não se enquadrariam em cirurgias, mas que buscava a melhora estética do paciente. Infelizmente ocorreu uma invasão de especialidades e alguns colegas fundaram sociedades de medicina estética e começaram a promover cursos. Não há problema algum em difundir ensinamentos, mas sim quando são voltados a realmente ensinar e qualificar médicos que buscam, almejam e gostam da estética. No entanto, o que observo, é que algumas sociedades de medicina estética procuram angariar alunos (médicos) enviando correspondências tipo: se você não esta satisfeito com seu salário ou com planos de saúde, inscreva-se vire um “Esteta” e ganhe dinheiro.

Bom não há problema algum em ganhar dinheiro, só penso que o “ganhar dinheiro” é uma conseqüência do trabalho bem feito com amor. Observo que com o movimento da medicina estética atual é o oposto, ou seja, profissionais buscam em primeiro lugar o lucro. Com isso temos vários casos de complicações por uso de produtos não aprovados utilizados para baratear custos, cirurgias realizadas por profissionais não qualificados perante o Conselho de Medicina (CFM) e inclusive lipoaspirações realizadas em consultórios sem a presença de um anestesista e sem equipamentos de monitorização necessários. Com isso, aumentam-se as complicações ligadas à Cirurgia Plástica assustando pacientes que na verdade tiveram seus procedimentos realizados por médicos não qualificados pelo CFM e em locais inadequados.

Para se ter uma idéia, este fenômeno não ocorre apenas no Brasil, na França, visando evitar as complicações que estão surgindo, foi baixada uma lei que, se um médico não especialista em Cirurgia Plástica fizer uma intervenção cirúrgica daquela especialidade, será punido com prisão.


PIT - Você é uma pessoa que viaja muito em busca de novidades nesta área. Primeiro foi o fio búlgaro/russo e agora a lipoescultura de Beverly Hills. Alguma novidade que possa adiantar aqui?

ES - Já tive a oportunidade de visitar diversos serviços pelo mundo, mas até agora a técnica que mais me impressionou foi a Lipoescultura de Beverly Hills. Ela é a transformação de algo difícil e arriscado num procedimento simples e seguro.


PIT - Falando em Lipoescultura de Beverly Hills, este procedimento é uma revolução em se tratando de lipoaspiração. Sem cortes, cicatriz.. Conte um pouco como é e como tem sido a recepção entre os brasileiros?

ES - A Lipoescultura de Beverly Hills na verdade é uma variante da lipoaspiração. O nome lipoaspiração refere-se a um termo técnico para se retirar gordura através da aspiração por uma cânula. A partir daí tem-se a técnica dita tradicional com anestesia geral ou peridural e sem infiltração de soluções na gordura, até lipo a laser, ultra som, etc. Estas duas últimas tem a nosso ver o problema da queimadura da pele no local da introdução do laser ou ultra som e após esta etapa tem-se que realizar a aspiração tradicional com cânulas.

Há aproximadamente uma década, preocupado com os casos de óbitos e complicações sérias que ocorriam com a lipoaspiração tradicional, o farmacêutico e dermatologista Jeff Klein inventou a anestesia tumescente onde se inunda as células de gordura com soluções anestésicas, realizando o procedimento sob anestesia local (o que diminui a quase zero as chances de perfuração de órgão) de forma que num trabalho com 15000 pacientes submetidos a lipoaspiração com este tipo de anestesia, não houve nenhum caso de complicação séria.

Na Lipoescultura de Beverly Hills, combinamos vários aspectos e técnicas positivas com esta e outras (tipo de aspirador, aparelho vibratório americano, técnicas de “pega “da gordura, etc), tornando o procedimento mais seguro, rápido e com melhores resultados (quando comparados com os resultados que eu tinha anteriormente com a técnica tradicional).

Com relação à recuperação, podemos dizer que é surpreendente. Aspirações de grandes volumes onde o paciente praticamente não conseguia se mexer devido às dores e inchaços passaram a ser substituídos por uma leve dor muscular como se tivesse realizado muito exercício físico no dia anterior. É surpreendente!


PIT - A lipoaspiração tem muita historia: anestesia, resultados ruins... O que é mito e o que é verdade neste tipo de cirurgia?

ES - Precisamos analisar com muita cautela as complicações com a lipoaspiração. Estatisticamente hoje há muito mais complicações do que no passado, mas por outro lado, há muitos médicos não qualificados que realizam lipoaspiração e outros procedimentos estéticos. Na busca de “dinheiro fácil”, há uma invasão das especialidades de Cirurgia Plástica e Dermatologia por médicos que vêem focando os procedimentos como fonte de lucro. Realizam geralmente um curso “Medicina Estética” que não é aceito como especialidade pelo Conselho Federal de Medicina, e passam a realizar procedimentos que os dermatologistas e Cirurgiões Plásticos levaram anos para se qualificar. Para se ter uma idéia, antes de realizar qualquer residência em Cirurgia Plástica, temos que realizar especialização em Cirurgia Geral. Esta, como o nome diz – Cirurgia Geral - é a base de todas as cirurgias e aí aprendemos os cuidados antes, durante e após o procedimento cirúrgico.

Para diminuir drasticamente as chances de complicações em lipoaspiração, sugerimos que antes de realizar um procedimento, cheque no site do Conselho Federal de Medicina (CFM) a especialidade do profissional.


PIT - Saber que o resultado de uma cirurgia plástica faz o seu paciente ter uma vida melhor deve ser gratificante. Como você se sente?

ES - Tenho a sorte e felicidade de adorar o que faço. Muitas vezes, durante os procedimentos, quando podemos ver como o paciente vai ficar depois do tempo de recuperação (edema-inchaço), sinto uma felicidade e alegria em poder ajudar o próximo. É muito gratificante este lado sutil e místico.

PIT - Em que momento antes de uma cirurgia plástica o médico se faz importante para que o paciente sinta-se seguro do que está fazendo?

ES - Acho que muitas vezes transmitimos uma segurança e confiança ao paciente que transcende os nossos 5 sentidos. É uma energia de confiança que se passa seja através de uma palavra, gesto, como segurar a mão ou apenas um olhar. O professor Pitanguy dizia que tínhamos que “sentir o paciente” – muitos anos se passaram até que pude compreender o que o mestre estava se referindo.


PIT - Com anos de profissão e experiência, o que mais você espera da medicina?

ES - Digo aos meus pacientes que a verdade de hoje será a mentira de amanhã. Ao longo dos anos, décadas e séculos, podemos ver como a medicina evoluiu e continua evoluindo. Acho que no futuro as células tronco dominarão a medicina com curas, rejuvenescimento e outras coisas que não podemos nem imaginar.


PIT - Que conselho você pode dar para o aluno de medicina que deseja se especializar em medicina estética?

ES - Primeiro aprenda bem a medicina geral que é a base. Se desejar e tiver vocação para a área cirúrgica, faça uma boa residência em Cirurgia Geral e depois faça especialização em Cirurgia Plástica. Se a vocação for Clínica, faça residência em Dermatologia e só depois vá para a área de estética. Desta forma terá a base para construir uma boa e sólida carreira.

PIT - Obrigada por sua participação e deixe aqui o seu recado!

ES - Gostaria de agradecer a oportunidade de participar do seu Blog e dar duas sugestões àqueles que pensam em realizar uma Cirurgia Plástica:

1- Não deixem de visitar pelo menos dois profissionais antes de fazer sua plástica.

2- Sempre cheque a especialidade do profissional no site do CFM (http://www.portalmedico.org.br/novoportal/index5.asp)

quinta-feira, 6 de março de 2008


Shalom!!!

As vésperas do Dia Internacional da Mulher, nada melhor que um bate papo com uma representante do sexo feminino e ainda por cima ligada à musica!

Com vocês... DANIELA SPIELMANN!!!!


PIT - Olá Dani! É um prazer conversar contigo!!

DS -O prazer é meu!


PIT - Quando você começou efetivamente a tocar um instrumento? Que motivo a levou a tocar sax?

DS - Com 16 anos em 1986, no colégio, eu adorava musica, já tocava guitarra e piano de brincadeira e o sax pintou porque eu adorava o som!!!


PIT - Profissionalmente, quando foi a sua estréia?

DS -Eu comecei em saraus de bandas de colégio, já eram shows e depois em outras bandas como, Filhos da Pátria, Banda Urbe e Banda Eclipse.


PIT -Você tem vários projetos musicais: Rabo de Lagartixa, Mulheres em Pixinguinha, grupo Zemer... Conte um pouco deles..

DS - O grupo Rabo de Lagartixa começou em 1993, reunindo os músicos, a maioria estudantes da UNI-Rio (Universidade do Rio de Janeiro) com vontade de pesquisar e tocar música Brasileira. Em função do projeto “Mini concertos didáticos” do Museu Villa-Lobos, o grupo começou a se especializar também na prática de concertos para crianças com brincadeiras e referência aos diversos ritmos e estilos brasileiros. O nome do grupo refere-se à vontade de criar uma música que não se submeta à padronização da cultura de massa - podem cortar o rabo da lagartixa, mas ele cresce de novo, e ao ritmo pulsante do grupo - o rabo da lagartixa mesmo quando cortado, continua se mexendo rapidamente. O grupo já se apresentou em vários países e atualmente se prepara para a gravação do segundo CD.

Em Mulheres em Pixinguinha me acompanham Neti Szpilman e Sheila Zagury. Pixinguinha, um grande flautista, também se dedicava a tocar o saxofone, trabalhando em conjuntos e também com o seu grupo “Oito Batutas”. Ao retomar sua música através do sax e do piano, instrumentos pouco usados pelos chorões da época, o trio traz uma visão feminina e sonoridade pouco usual e delicada, com arranjos detalhados e inovadores.

O grupo Zemer foi fundado no final de 1997, a partir de uma pesquisa enfocando varias vertentes da musica judaica, feita por seu diretor musical, arranjador e violonista Mauro Perelmann, em sintonia com o movimento de renascimento da música judaica que acontecia nos EUA, o klezmer revival. Zemer, em hebraico, quer dizer canção, melodia. Uma palavra simples que para nós, sintetiza o vasto repertório musical dos judeus espalhados pelo mundo. A música sempre esteve presente nas comunidades judaicas, tanto nos momentos de oração, introspecção e dor quanto nos momentos de alegria e comemoração. Espalhados pelo mundo, os judeus absorveram influências culturais de várias regiões, desde a Península Ibérica medieval, a Europa Oriental, países árabes como Iêmen e Marrocos até chegar à América e finalmente na nova velha pátria Israel. Nosso repertório tem como eixo principal a música tocada pelos judeus da Europa Oriental em suas festas e comemorações, a música klezmer. Klezmer é a contração das palavras hebraicas kli zemer, (instrumentos de melodia) e designava o músico judeu da Europa Oriental. Hoje em dia, é o termo usado para designar a música oriunda dos judeus ashkenazim, que engloba também as canções ídishes do teatro judaico. Além de klezmer, apresentamos canções do repertório dos judeus sefaradim (que habitaram a Península Ibérica, até o século XV) cantadas em ladino. E por fim, músicas em hebraico, influenciadas pela sonoridade oriental criada em Israel, pelos imigrantes orientais (marroquinos e iemenitas). Eu integro o grupo desde sua formação original.


PIT - Ah, tem também o Altas Horas, da TV Globo. Como você foi parar lá?

DS - Através de um teste e de uma indicação da banda Fincabaute com quem eu gravei um CD.


PIT -A música instrumental vem crescendo cada vez mais. A que se deve isso?

DS - Você acha? Sei lá! As vezes eu acho que o mundo comercial pertence apenas aos cantores...mas talvez outras oportunidades estejam aparecendo.. se a gente pensar por este prisma, talvez as pequenas produções apareçam com esta crise das gravadoras e com crescimento da divulgação pela internet.


PIT - Como você vê o futuro da música e do músico no Brasil?

DS - Aqui é muito difícil... A gente tem que fazer de tudo para sobreviver, tocar em vários projetos e tentar se aprimorar sempre. Eu acho que como tudo no Brasil é ruim, mas é bom!!! Palavras do Tom Jobim!!!


PIT -No seu mais recente trabalho, o CD Brasileirinhas, você faz dupla com a pianista Sheila Zagury. Como surgiu esta idéia?

DS - Bom eu já tocava com a Sheila há dez anos então foi um processo natural a gente queria muito, pintou um convite a gente já sabia o que fazer!!!

PIT -O que você costuma ouvir?

DS - De tudo , de tudo mesmo, clássico, rock, choro, samba , klezmer, musica infantil, pop, soul, mpb tenho que ouvir brega para trabalhos na Globo...


PIT - Já tem projeto de um novo CD ou Show? O que você pode adiantar?

DS - Em maio, nos dia 23 e 24 estarei fazendo uma turnê com o meu grupo Rabo de Lagartixa em Israel, no museu de Tel Aviv e outros shows em Hertzlia e Haifa, fora os de sempre por aqui no Rio todos os domingos no quiosque ARAB da Lagoa.


PIT - Muitos músicos afirmam que o melhor CD é aquele que está por vir. Você também pensa assim?

DS - É, sempre empolga muito um novo projeto.. Eu agora estou terminando meu mestrado e em breve temos surpresas por aí!!!


PIT -Dani, super obrigada por este papo! Deixe aqui o seu recado e até a próxima!

DS - Queria dizer que tenho o maior carinho por você Patrícia e quero estar sempre por perto!!

E que a arte, o bom senso, o bem-estar e a alegria possam nos contaminar sempre para que sigamos felizes!!!

Beijos e obrigada!


quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008


Você ja ouviu falar em Cli Le Shalom? Que tal dar mais atenção ao ambiente que o cerca?

O Papo de hoje é com a consultora ambiental Sandra Strauss.

Shalom!


PIT - Olá Sandra! Um prazer tê-la aqui no Papo em Comunidade!

SS - Olá Patricia, o prazer é todo meu! E gostaria de agradecer a oportunidade de estar nesse espaço, pois faz tempo que admiro você e o seu trabalho!


PIT - Para começar gostaria que você contasse um pouquinho de você, sua formação...

SS - Morei 5 anos em Israel onde fiz a formação em Biotecnologia pela Escola de Engenharia Operacional Nesher (que pertence ao Technion). Trabalho como consultora ambiental, pratico esporte, meditação, estudo, rezo, cuido do filho e do marido.


PIT - Você trabalha com harmonização de ambientes através da Cabala. Em que consiste?

SS - Consiste em uma programação no fluxo vital do ambiente, com cálculos baseados na Árvore da Vida que é um diagrama cabalista.


PIT - Desde quando você faz este tipo de trabalho?

SS - Comecei em 2000 a estudar Feng Shui pela Sociedade Brasileira e Latino-Americana de Feng Shui e pelo Hospital Escola São Francisco de Assis (apoio da UFRJ e CREA). Busquei também a Radiestesia e a Geobiologia (ciência e técnica, multidisciplinar, que visa dar à edificação ao máximo de eficácia em termos de bem estar, saúde e economia, buscando criar ambientes saudáveis e harmoniosos). Mas somente em 2004, após começar a estudar Cabalá, comecei a aplicar todo esse conhecimento.


PIT - Como surgiu seu interesse por esta técnica?

SS - Voltando ao Brasil para o apartamento onde eu moro desde 1999, me deparei com tantos problemas em relação a aquele lugar e a dinâmica que acontecia naquele local. A obra não terminava por todos os motivos, havia uma energia de falência de todos que estavam envolvidos com aquele ambiente e para eu realmente confirmar que havia algo muito complicado meu marido adoeceu. Foi então que eu fui procurar a “Medicina do Habitat”.


PIT - Para que casos são indicados a harmonização? Quais os benefícios?

SS - Para todos que desejam “re-programar” o seu receptor em diversas áreas da vida. A indicação vai para casos como pessoas que sentem: “tem alguma coisa emperrada aqui”, pessoas que levam seus projetos até quase o final, porém, não concretizam, pessoas que adoecem com facilidade ou com doenças crônicas, que se sentem sem energia, crianças ou adultos com falta de concentração, desarmonia em geral. Enfim, os motivos são inumeráveis!


PIT - Em quanto tempo é feito?

SS - Depende do caso, a harmonização pode começar junto ao primeiro layout de uma construção e aí existe todo um acompanhamento, como após um primeiro encontro com uma família que deseja resolver uma questão e aí a aplicação é feita em até 28 dias.


PIT - Você tem alguma historia de sucesso que possa contar?

SS - Várias!!!! O trabalho é lindo e os resultados existem!!! O filho após o término da faculdade não conseguia emprego e estava bastante desinteressado. Passava seus dias no quarto sem perspectivas. A casa acumulava no setor de Biná (Olam HaBriá) onde o fluxo ganha uma energia de criação e saúde, tudo que não se utilizava mais da família inteira, inclusive de pessoas que não moravam mais ali. Existia também um espelho que refletia o setor de Keter onde o fluxo recebe a nutrição. Após a aplicação e a conscientização da dinâmica que acontecia nesse ambiente o filho recebeu duas propostas de trabalho (onde pode fazer sua própria escolha), casou e mudou. Houve uma ótima transformação!


PIT - Qual a diferença entre a Harmonização e o Feng Shui?

SS - O nome dessa técnica de harmonização é Cli Le Shalom. Cli é recipiente e Shalom vem da raiz Leshalem (Pagar) e Leashlim (completar). Somente quando estamos sem dívidas, estamos completos, estamos em paz.

A diferença é que o Feng Shui se baseia no Taoísmo e o Cli Le Shalom na Cabala.


PIT - Existem muitos profissionais nesta área?

SS - Nosso primeiro congresso em São Paulo de consultores de Feng Shui, Radiestesistas e Geobiólogos teve a participação de 100 pessoas, não é muito, mas já forma um bom Minian.


PIT - Você tem alguma dica do que as pessoas podem ou não fazer em seus ambientes?

SS - O acúmulo e o excesso de objetos desnecessários causam obstruções.

Mantenha a casa limpa e fluida.

A espiritualidade nutre a fisicalidade.

Acenda as velas de Shabat e leia o Livro dos Salmos (Tehilim).

Já é um bom começo.


PIT - Muito obrigada por seus esclarecimentos e deixe aqui seu recado!

SS - A habitação e o habitante formam um conjunto indissociável em contínua interatividade.

Nossa casa, nosso local de trabalho, acabam sendo modelados pelos nossos programas mentais, emocionais e culturais.

O ambiente é algo vivo, é possível transformá-lo em um recipiente rico, saudável e luminoso sendo um lugar onde possamos amar, progredir e cresce.

Muito Obrigada!

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008


Você já pensou em o que é ser judeu?

Leia este bate-papo com o Rabino Sergio Margulies e reflita sobre o assunto... Shalom!


Bem vindo ao Papo em Comunidade Rabino Sergio!

PIT - Como e quando surgiu seu interesse em ser rabino?

SM - Tive uma formação e educação marcada pelo envolvimento judaico. Em casa, na escola, no movimento juvenil e depois grupos jovens, sempre ‘respirei’ judaísmo. A casa de meus pais era cercada por livros que cobriam as várias facetas do conhecimento judaico. Logo após o meu bar mitsvá quis continuar a aprender mais. E assim fiz. De modo paralelo também almejei atuar mais na vida comunitária, e assim também fiz. A identificação com o futuro exercício rabínico já estava semeada. Depois foi o processo de consolidar esta busca através de uma formação adequada, o que me levou ao seminário rabínico, com estudos em Israel e nos Estados Unidos. Importante frisar que a ordenação rabínica requereu antes um estudo universitário.

PIT - Um rabino lida com a alegria do nascimento, a euforia do bar/bat mitsvá e do casamento e a tristeza da morte. Como é estar constantemente nesta oscilação de emoções?

SM - Há na Torá a descrição de um sonho do patriarca Jacob. Em seu sonho Jacob vê mensageiros divinos subindo e descendo por uma escada. Este sonho pode ser interpretado como a vida, com seus altos e baixos, momentos de plenitude e dificuldade, ocasiões em que há alegria e outras em que há tristeza. O importante é nunca estar sozinho. Aliás, é por isso que temos o minian – o grupo de dez pessoas que compõe a reza: para que ninguém fique sozinho. Que alegria haveria se esta não fosse compartilhada e diante da tristeza, quanta dor seria acrescida se não houvesse alguém ao lado. A missão de uma comunidade é estar sempre ao lado.


PIT - O judaísmo tem diversas vertentes. Como é ser rabino do judaísmo liberal?

SM - Quando estuda-se a Torá, abre-se um livro que contém diversas interpretações. Quando estuda-se o Talmud – coletânea de ensinamentos rabínicos – aprendemos distintas posições. Não importante de qual vertente o rabino é, todos utilizam estes livros em seus estudos, portanto, todos se abrem para o pluralismo e para a diversidade das idéias e das opiniões. O que mais me atrai no judaísmo liberal é o fato de enfatizar este caráter também inerente à trajetória judaica de pluralismo e diversidade. Uma diversidade que demonstra a riqueza de nossas fontes e de nossa tradição, uma diversidade que não se antepõe a unidade do povo, ao contrário, a reforça. Uma diversidade que nos permite a refletir sobre o mundo em constante mudança. Refletir e atuar.


PIT - Há quase 12 anos a frente da ARI (Associação Religiosa Israelita) qual o momento mais marcante durante este tempo?

SM - Os momentos de satisfação de estar com pessoas comprometidas com a continuidade judaica, os momentos em que mesmo no silêncio são escutadas palavras de apoio, os momentos em que ao buscar ensinar aprendendo, os momentos em que as alegrias trazem o senso de gratidão, os momentos em que da tristeza brota um desejo de reconstrução, os momentos em que a vida não é desperdiçada, pois é imbuída pelo senso de missão.


PIT - Qual o maior desafio para um rabino?

SM - Ao iniciar o curso rabínico eu achava que seria tocar o shofar. Mas a mitsvá não é tocar o shofar, e sim, como conforme, a própria bênção recitada ao toque do shofar ensina escutar o shofar. Assim, creio que é o maior desafio é ouvir todas as vozes, as vozes, os sons dos sonhos humanos que brotam em cada um que compõe a congregação.

Outro desafio é reconhecer para si e demonstrar para os outros que é um ser humano, não é um intermediário entre Deus e os Homens. O exercício de uma liderança deve ser feito com muita cautela, neste sentido. Assim, um desafio seria: ensinar para que os aprendizes questionem o que é ensinado mantendo efetivo respeito pelo que é ensinado. Bem judaico, né?


PIT - O que é ser judeu?

SM - Sou judeu porque quando sinto uma incerteza, lembro dos passos percorridos pelos meus ancestrais. Como eles venceram seus desafios.

Sou judeu porque me conecto com uma história, faço parte de uma trajetória.

Sou judeu porque rompo a possibilidade de me sentir isolado.

Sou judeu porque na minha condição não há margem para solidão.

Só solidariedade.

Sou judeu porque me responsabilizo pelo destino de minha comunidade e de minha congregação.

Sou judeu porque me preocupo com os não judeus. Como judeu acredito que a dimensão humana não pode ser subjugada a interesses particulares.

Sou judeu porque canto. Canto o canto milenar. Porque no meu canto, resgato a tradição ancestral e a remeto para uma esperança futura.

Sou judeu porque preservo o passado. E sou judeu porque acredito no futuro.

Acredito no futuro, não importa, o quão caótico seja o presente.

Sou judeu porque acredito no potencial de transformação.

Sou judeu porque é o que sou.

Mesmo que não houvesse um porquê.


PIT - O que você, como rabino, diria para quem está afastado do judaísmo?

SM - Venha. Há um tesouro que pertence a você. Venha descobrir.


PIT - Como você vê o judaísmo no Brasil?

SM - Com enormes e positivos desafios de participar da construção de nossa sociedade, buscando os ideais de justiça social tão caros ao judaísmo mantendo, ao mesmo tempo a nossa particularidade. Há, sem dúvida, o medo da assimilação, de perda dos vínculos comunitários. Mas esta preocupação não é exclusiva do Brasil, pois em todo mundo prevalece o individualismo e o aspecto comunitário é enfraquecido. Assim, é necessário sempre rever os mecanismos de atuação instituição. O materialismo talvez, num primeiro estágio leva ao afastamento da vida espiritual, mas num segundo estágio, quando se percebe o vazio que o excessivo materialismo provoca, há uma busca pela espiritualidade. É importante sabermos responder a esta busca, não somente satisfazendo a necessidade do que é buscado, pois aí também a religião se tornaria um produto de consumo, mas sim forjando através desta busca, os tecidos comunitários que se alimentam dos nossos valores e de nossas práticas religiosas.

PIT - O que falta ainda realizar?

SM - Tudo aquilo que comecei – pois a renovação é crucial e claro, também tudo aquilo que quis começar e não comecei e tudo aquilo que ainda vou descobrir querer começar.


PIT - Muito obrigada e se quiser complementar o espaço é seu!

SM - Parabéns por esta iniciativa de criar um espaço de divulgação de idéias, conceitos e de comunicação.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008


Ele ja foi palhaço, fez varias novelas, cinema, teatro e tem uma tv pela internet. O Papo de hoje é com um artista: Chharles Myara!


PIT - Olá Chharles! Muito bom ter você aqui!

CM - Obrigado Patricia. Parabéns pela sua iniciativa de produzir um canal de comunicação, boa sorte e conte com a TV Tová!


PIT - Conta para nós como começou sua carreira de ator?

CM - Começou com o prazer de brincar, de ser, ainda criança. Depois foi se formatando naturalmente.

PIT - Você tem um lado cômico forte. Você acha que o humor faz parte do DNA judaico?

CM - Isso é uma afirmação? Dizem que faz. Eu não sei. Será que o meu humor é judaico? Ou apenas humor?


PIT - Você já fez novela, minissérie, cinema e esteve recentemente em cartaz na peça A Mandrágora. Qual a sua preferência?

CM - A preferência é um bom trabalho em qualquer uma das mídias, sendo que no teatro a vibração energética é notoriamente maior.


PIT - O que te deixa mais realizado como ator?

CM - Um sucesso como A Mandrágora.


PIT - Você foi durante algum tempo o palhaço Bozo. Como foi esta experiência? Alguma situação engraçada que você possa nos contar?

CM - Uma grande experiência de sensações! Sim. Uma situação é engraçada para quem está vendo. Às vezes para quem está vivendo a situação, ela não tem a menor graça. Mas uma situação que eu achei engraçada foi quando num certo dia, dois minutos antes de entrar no ar, eu estava no set vestindo as luvas e colocando o nariz e a peruca, e por algum motivo que eu desconheço, o controle mestre da TVS (atual SBT) plugou no ar o estúdio sem avisar, o assistente do programa, conhecido como Bozolina, percebeu e me vendo pela tv que ficava no estúdio, de costas e sem peruca, instintivamente gritou pelo nome do personagem: Bozo? Eu me virei pra responder e me vi no ar sem a peruca do palhaço. Eu e todos que estavam sintonizados na estação. A situação foi engraçada, eu achei engraçado, mas a direção da casa...Não.


PIT - Você é o idealizador da TV Tová um canal judaico na internet. Como surgiu esta idéia? Quais as suas perspectivas?

CM - A idéia surgiu como outras. Porém algumas idéias me escravizam enquanto eu não as realizo. A Tv Tová é um dos exemplos. As perspectivas são maiores do que estão...


PIT - Além destas atividades você também trabalha com um teatro institucional. Conta um pouquinho deste trabalho...

CM - É um teatro dirigido às empresas. Roteirizamos e dramatizamos afim de alcançar um objetivo traçado. O teatro é uma boa ferramenta de conscientização.

PIT - O que você gostaria de realizar profissionalmente?

CM - Diversas obras no teatro, cinema, tv e internet.


PIT -Você tem algum projeto em vista que possa adiantar aqui no Papo?

CM - A TV TOVÁ vai ser mais aberta. Aguardem!


PIT - O que você falaria para quem quer começar a carreira de ator? Alguma dica?

CM - Boa Sorte! Dica? Várias! Desista enquanto é tempo. Se isso não acontecer, vai fundo então. Agora se ficar em cima do muro...tente se equilibrar. Não faça a barba para fazer um teste, sem antes saber qual o personagem que vai interpretar.

Desconfie dos elogios, eles podem ser verdadeiros.


PIT - Super obrigada, grande sucesso para você e deixe seu recado!

CM - Beijos e sucesso! E acessem www.tvtova.com.br

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008


Shalom! Passadas as folias momescas é hora de colocar o papo em dia..
Deliciem-se com a entrevista de Silene Balassiano, a atual presidente da Wizo Rio de Janeiro.

PIT - Olá Silene! Bem vinda ao Papo em Comunidade!

SB - Oi Patricia, bem bolado esse Papo em Comunidade. Eu que já adoro um papo e que também curto a minha comunidade fico super feliz com mais este canal a nos dar a oportunidade de falar sobre assuntos que nem sempre temos onde tratar, não é mesmo?


PIT - Bom saber! Vamos lá então! Você é atualmente a presidente da Wizo Rio de Janeiro. Mas antes disto, conte um pouquinho da sua formação...

SB - Digamos que a minha formação é esta mesmo COMUNICADORA! Em 74 diplomei-me em Bacharel em Comunicação pela Escola da Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Na época era um curso recente, um novo caminho que estava sendo lançado aos que pretendiam o estudo superior. Foi uma paixão a primeira vista, porque preenchia assim como ainda preenche o grande ideal que até hoje conservo de que este poderia ser um caminho a permitir um maior encontro, um superar de diferenças entre todos os seres humanos do planeta.


PIT - Falando em Wizo, muitas pessoas não sabem o que é a Wizo e o que ela faz. Ou tem a idéia de varias senhoras fazendo reunião e tomando chazinho. Como você chegou a Wizo?

SB - Então Patricia, tendo um dia sido convidada a freqüentar um dos grupos da Wizo, observei que muita gente ou não sabia o que era a Wizo, ou tinha uma idéia errada sobre o porquê de ela existir. Assim que tomei conhecimento dos reais objetivos da instituição, digamos que eu literalmente, “me apaixonei”. Esta é uma grande causa, pensei comigo mesmo. E então não foi nada difícil convencer-me de que poderia ter um trajeto e uma meta em minha vida bastante interessante ao juntar estas duas paixões, a Comunicação e os ideais Wizo. Uma das definições mais engraçadas, que até hoje costumamos ouvir a respeito da Wizo é esta mesmo a que você se refere. O imaginário humano é fértil em estórias bizarras. Mas o meu papel não é o de criticar opiniões e sim o de tentar conduzir as pessoas a novos modos para sua percepção.

PIT - E o que é a Wizo?

SB - A Wizo tem suas raízes na Inglaterra de 1920 quando um grupo de mulheres jovens e judias entendeu que poderia incluir o gênero feminino em papéis até então designados aos homens. Acompanhando familiares a remota Palestina, observaram a chegada de levas inteiras de imigrantes judeus vindos da Rússia e outros países europeus que nesta localidade tentavam fixar residência, fugindo do anti-semitismo. Estas pessoas chegavam a um local totalmente diferente em solo, clima e demais condições aos que estavam acostumadas. Alguma coisa deveria ser feita para que sua absorção a nova terra fosse mais tranqüila. E esta coisa, terminou por ser a Wizo. Hoje a Wizo existe em 51 países do mundo e seu objetivo continua o mesmo: fazer com que cada mulher judia em cada local em que viva se sinta co-responsável pelo bem estar de seu próximo, do povo judeu e da sociedade israelense. Porque se formos analisar bem, o judaísmo não é uma religião estática: para que seja cumprido e isto em todas as suas vertentes, das mais remotas às mais recentes, ele solicita de cada ser humano, uma ação que não apresenta medidas nem extensões pré-determinadas. Quando se lê na Torah, “ama a teu próximo”, ali não está escrito onde o próximo deve exatamente estar, se a seu lado ou do outro lado da terra. Ali também não está escrito quem é o seu próximo? Logo, o que a entidade acima de tudo preconiza é a própria manutenção das bases e valores judaicos porque queiram ou não, somos definitivamente nós, as mulheres quem trazemos todos estes sentimentos e modos de ver a vida para dentro de nossos lares. É a mulher quem dá a vida, é ela quem dirige a casa, é ela quem cuida da educação sob todos os aspectos de seus filhos e de toda a sua família, não é mesmo?


PIT - Pois é.. as mulheres Wizo fazem acontecer...

Então, se existe algo sem fundamento é esta percepção de mulheres idosas em torno de uma mesa de chá. Não se pode considerar defasada ou antiquada uma proposta que induzia e induz a liberdade de ação à todas nós mulheres, e desde bem antes do direito de voto nos ser permitido. Na atualidade quando verificamos o importante e fundamental papel feminino nas mais variadas áreas a existência da Wizo torna-se fundamental para cada mulher judia. Porque nos dias de hoje, fora todos os papéis que sempre couberam as mulheres, muitas, em vários países do mundo tem assumido os que algum dia foram essencialmente fadados aos homens. Quantas neste momento e principalmente em países menos desenvolvidos como o Brasil assumem a responsabilidade financeira de um lar? Tenho certeza que inúmeras. Então, como entender antiquado, ou coisa de gente sem ter o que fazer um movimento cujas bases se encontram no livro mestre que rege a fé judaica? Seria o mesmo que, considerar a Torah, antiquada. Eu assim não a percebo, muito pelo contrário: sempre me causou surpresa à quantidade de avanços que ela contém, se consideramos a época em que foi codificada. E sempre foi para mim motivo de orgulho pertencer a um povo regido por um código que ainda é copiado e serve de base às mais diversas áreas do conhecimento humano de modo constante nas mais diversas civilizações da humanidade.

PIT - Você acabou de retornar do 24º Congresso da Wizo Mundial em Israel com uma significativa delegação brasileira. O que trouxe de novidade?

SB - Congressos sempre são oportunidades maravilhosas para aprofundar ideais e trazer novas idéias. Este então foi muito importante, pois, verificamos a presença de mais de mil mulheres vindas dos mais distantes países do mundo e que ali estavam unidas por uma mesma proposta. Este é um aspecto da Wizo que confirma sua contemporaneidade: mais de 50 federações no planeta e todas falando uma mesma linguagem! Pode haver maior exemplo de modernidade que esta explosão de globalização? A grande novidade foi a recente fundação da Wizo na Índia. Sua representante já compareceu a este congresso e o fato a todas alegrou, porque simbolizou a possibilidade de mantermos atuante o judaísmo e seus valores em mais uma comunidade na terra. Outro ponto em que podemos verificar novidades é o novo site da Wizo Mundial que é muito mais dinâmico que o anterior e também a recomendação de que cada federada realizasse investimentos para que esta área fosse cada vez mais disseminada entre o público feminino. Realizamos também eleições para importantes cargos como o executivo mundial, por exemplo, reelegendo nossa atual presidente, Helena Glaser para mais um período a frente da Organização. Deste modo ela e sua mesa terão possibilidades de realizar suas pretensões, pois quatro anos é pouco para que se consiga implantar novidades. A nível nacional teremos grandes novidades para este ano, pois celebramos os 60 anos da independência do Estado de Israel, logo uma serie de festividades, de eventos estão sendo organizados para comemorar a altura esta data tão significativa. Fora isso estamos formando novos grupos em diversos bairros do Estado, tentando sempre e cada vez mais incluir e deste modo capacitar as mulheres para nosso movimento e para o mundo lá fora. Temos observado uma sobrecarga de afazeres no gênero e é nosso papel proporcionar a possibilidade de um momento, de uma pausa para que seus desejos, suas vontades as mais íntimas não fiquem adormecidas.. Temos também planos para realização de alguns cursos, como de hebraico para principiantes, dança música. E nada impede que utilizemos o espaço de nossa sede para outros trabalhos: estamos sempre abertas às mais distintas solicitações de nossas ativistas e prontas para lhes atender na medida do possível.


PIT - Como é fazer trabalho voluntário?

Para mim é um importante ingrediente que torna a vida mais interessante. A vida de quem pratica e a de quem usufrui. Conhecer ambientes e condições distintas, travar contato com diferenças, superar estas mesmas diferenças, me fazem sentir mais completa. Assim como a Torah, a vida é dinâmica e não se pode dizer que realmente se tenha vivido sem ter passado por experiências sejam de que natureza forem positivas ou negativas. Se positivas, ótimo, e quando negativas de um modo ou de outro permitem um crescimento em todos os níveis, e uma grande e imensa possibilidade de rever algo que não ficou bem resolvido em todas nós. Estando sempre em movimento, nossa mente se amplia: aprendemos não só a ver como também a enxergar um mundo mais amplo, com mais e mais caminhos a serem percorridos. E a medida que os percorremos, vamos ficando tão capacitadas, que as distancias diminuem. Por outro lado, conquista-se algo que em poucas tarefas nos é permitido: a auto-estima, o respeito de nossos familiares e de nossos amigos. E também de toda uma comunidade. Não existe ser humano que ao longo de sua existência não sonhe com este tipo de conquista.


PIT - O que você diria para as mulheres judias que ainda não fazem parte da Wizo?

SB - Eu diria a elas que pelo menos deveriam se dar ao prazer de experimentar. Muitas das aventuras que não realizamos na vida ocorrem por receio, por medo, do que este ou aquele vão falar. Não deixem jamais isto acontecer! Permita-se! Não tema que algum de seus amigos a recrimine que a julgue uma boba porque em sua opinião você está se filiando a um grupo de idosas que toma chá às cinco da tarde, de dondocas que vão colocar os papos em dia!

Uma mulher na atualidade não precisa necessariamente absorver opiniões alheias. Mulheres modernas pensam com suas próprias cabeças! Venha se inscreva e tire as conclusões por si mesma. Temos todo o tempo do mundo para demonstrar a você que um engodo tem curta duração! Que uma Organização jamais poderia manter-se viva por quase um século, cada vez mais atuante, com voluntárias em mais de 50 países, cada vez mais importante para tantos, sem um sólido conteúdo! Tenho certeza absoluta que mais cedo do que imagina, você irá perceber que grande parte dos que opinam daquela maneira, foi por não ter tido a capacidade de experimentar, de tentar, e também de ousar! Jamais deixe isto acontecer! Nós as mulheres, não lutamos por nossa emancipação para ver tudo ir por água abaixo por conta de opiniões alheias.

PIT - O que você gostaria ainda de realizar?

SB - Minha gestão como Presidente Wizo Rio vai até meados de 2009. Até lá pretendo ainda realizar muitas coisas. Apenas preciso de mais ajudantes, pois não é uma tarefa fácil querer realizar e não contar com uma equipe executiva mais disponível. Embora o trabalho voluntário na atualidade demande uma seriedade e um compromisso diverso do realizado em outros tempos, pois qualquer passo que se queira dar envolve custos gastos orçamentos, e não podemos correr o risco de não sermos bem sucedidas, não podemos igualmente exigir das pessoas uma dedicação total à causa, pois como afirmei anteriormente o gênero feminino está muito sobrecarregado de atividades e demandas em seu dia a dia. Mesmo assim, temos conseguido realizar e também dar importantes passos em nossa Organização. Mas temos em mente arregimentar um maior número de simpatizantes, de novos sócios e de também ter a oportunidade de divulgar a um grupo cada vez maior as nossas propostas. Particularmente gostaria de ver realizar em minha gestão, um grande evento envolvendo crianças das escolas judaicas seus pais e avós. Gostaria também de realizar uma grande exposição tal como é feita pela Comunidade Maior por ocasião do Natal, em torno de uma de nossas grandes festas, Pessach ou Rosh Hashaná com mesas típicas decoradas por arquitetos da Comunidade, com stands vendendo artigos os mais diversos referentes à data, com um espaço para praça de alimentação, tenho a impressão que o evento tanto beneficiaria algum de nossos projetos quanto aos próprios participantes, e seria maravilhoso poder levar este carinho a tantas pessoas.


PIT -Algum projeto para 2008?

SB - Nosso maior projeto para 2008 será a modernização de um Centro Comunitário na cidade de Hadera que deverá deixar a marca da Wizo do Rio de Janeiro por ocasião das comemorações dos 60 anos de Israel. Nós todas, entendemos que a data era muito importante para que novas gerações não tivessem a oportunidade de demonstrar o seu carinho à altura. Fora isso, estamos também envolvidas na tarde em torno das comemorações do Dia Internacional da Mulher que ocorrerá em março e na celebração do 60º Yom Haatzmaut que vai ocorrer no dia 31 de maio com um show maravilhoso “Israel in Concert” na nova casa de espetáculos que foi inaugurada no ex-cinema Veneza. Temos então bastante trabalho á frente.


PIT -Muito obrigada por te-la aqui no Papo em Comunidade e deixe aqui suas considerações.

SB - Obrigada e quero finalizar com o seguinte: Em qualquer situação, procure ser a dona de seu nariz: opte pela direita, ou pela esquerda, avance ou recue, mas aja ciente e consciente de suas próprias vontades. E não se esqueça: o tempo é como um elástico! Pessoas muito ocupadas conseguem sempre uma brecha para aumentar o seu tempo útil, estão sempre prontas para receber o novo, o atual, ao passo que as que nada tem a fazer encaram como um grande problema a possibilidade de ter que sair da rotina, da mesmice. Acordar, ter um lar, uma família, um corpo e mente saudáveis merecem de cada uma de nós o agradecimento ao eterno por uma grande graça alcançada! Portanto, saboreie e multiplique esta maravilhosa sensação, dividindo com os que não tiveram as mesmas oportunidades. A vida vai ser sempre nova, interessante, e movimentada! E por fim: todos irão sobreviver se por conta de alguma destas novas atividades, você se atrasar um pouquinho para suas outras tarefas!